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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A maternidade não precisa de tutoriais



Minha avó não precisou de manual para ter filhos. Teve a primeira aos 20 anos e quatro partos seguintes em casa. Ninguém disse que ela não poderia ter seus filhos naturalmente e assim ela não teve motivos para sentir-se incapaz. Daí amamentou, já que ninguém disse que ela não conseguiria também. Não haviam revistas, manuais, passo a passo, tutoriais de maternidade. Não haviam blogs, redes de apoio virtual, pediatras suportados por grandes corporações ou fórmulas elaboradas para deixar bebês superinteligentes.  Para ser mãe na época da minha avó, bastava ter um filho e criá-lo. 

Alguma coisa aconteceu com a geração da minha mãe que descobriu a maternidade nos anos 70. De lá para cá os manuais, bulas, revistas e médicos patrocinados foram ganhando espaço e as mulheres deixaram de acreditar que é possível. Possível parir naturalmente, como as mulheres fizeram deste o seu surgimento na Terra. Possível amamentar criar e lidar com problemas da maternidade. Ajuda das mães, avós e mulheres mais velhas sempre tivemos mas esta ajuda foi trocada pela consulta aos 'especialistas'. Não somos mais as donas do nosso destino, precisamos de um curso para gestantes e o engraçado é que saímos do curso achando que dominamos todo o parangolé. 

Ledo engano. Ter filhos é uma experiência pessoal, intransferível. Não deveríamos deixar médicos dizerem que não podemos esperar a hora do parto por conta de sua agenda, não deveríamos achar que somos incapazes, não deveríamos nos fiar no que dizem as empresas travestidas de revistas especializadas. Conversar com quem já passou pela mesma situação ajuda. Mas a situação em si deve ser vivida por nós e mais ninguém. E este texto não está defendendo a gestação e maternidade sem assistência médica. Médicos são necessários quando se corre risco, quando se está doente. Mas, será que contar com ajuda do pediatra para nos dizer como lidar com nossos filhos não é demais? A verdade é que passada a época da minha avó, a maternidade virou um negócio muito rentável e quem lucra tanto não tem intenção de largar o osso. Nossa saída agora é a informação para alcançar o que minha avó teve desde sempre. A capacidade de gerar, alimentar e educar seus filhos de acordo com sua consciência e só. Sem manuais. 

Imagem- ( Elin Danielson-Gambogi - Maternidade - óleo sobre tela )

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sendo mãe em tempos de marketing agressivo

Viver na era do marketing sem limites é uma aventura e tanto. Se o vivente em questão é  pai ou mãe, todo cuidado é pouco. Sim, porque se para adultos sem responsabilidades com outros viventes escolher o que consumir é complicado, para os pais a missão parece ser quase impossível. Eu explico. É que as empresas depois de usarem todos os artifícios para convencer de que seu produto é a melhor escolha, agora partiram para a ignorância.  Sim, eu exemplifico.


Já viram o novo comercial da Friboi trazendo ninguém menos que Roberto Carlos, um vegetariano convicto, dizendo que só come a carne da 'grife'? Olhamos o Rei sorrindo para o bife e somos levados a pensar: 'Puxa, deve ser boa mesmo.' A conversa que rola por aí, contudo, é que ele nem tocou na carne.




Aliás, o Tony Ramos já vem falando há meses na tevê sobre como esta carne é boa.' Depois que Tony estreou os comerciais Friboi pelo cachê de 3 milhões de reais as vendas cresceram 20% e os supermercados começaram a colocar uma plaquinhas nos açougues com a marca da carne. Propaganda é a alma do negócio. Um frigorífico do qual você nunca tinha ouvido falar, de uma hora para outra vira o fornecedor de confiança da melhor das carnes graças a um famoso.

Mas, como o marketing está cada vez mais sutil, pode acontecer de o famoso, de tão famoso, nem mesmo precisar dizer o nome do produto para que a propaganda seja muitíssimo bem sucedida. Na entrega do Oscar 2014, bastou que a apresentadora Ellen Degeneres sacasse um Samsung Galaxy Note 3 ( Branco, para aparecer bem na tela) , brincasse com a audiência, pedisse uma pizza ao vivo e tirasse uma foto com a nata de Hollywood para que as menções à empresa bombassem nas redes sociais e não se falasse em outra coisa. A festa do Oscar saiu barato para a Samsung. Afinal, pela bagatela de 20 milhões de dólares cada um dos 43 milhões de telespectadores no planeta deve ter olhado e, nem que seja por meio minuto, pensado: "Ué, eles não usam Iphone?" E mesmo que saibamos que é tudo marketing, algo foi tatuado no nosso subconsciente. 'Droga, meu Samsung é preto!'



Eles nos convencem de tudo com argumentos ilegítimos e até sem argumento nenhum. E quando querem atingir especificamente as mães são ainda mais certeiros como neste anúncio dos sucos Del Valle.



A empresa diz com voz suave que colhe laranjas a mão, por que máquinas "não são tão carinhosas". Depois de ouvir isso a mãe que espreme cada uma das suas laranjas sabe-se lá como colhidas em um espremedor elétrico todas as manhãs está prestes a desistir e correr para o supermercado quando pensa: " Como será que eles processam o suco do carinho? Com as mãos? " Ou melhor, como será que eles processam o néctar, a bebida que é apenas de 20 a 30% fruta ? É difícil entender mas eles nos convencem de que o produto é bom e que nós não conseguimos fazer melhor que a indústria. 

Ouso discordar. Uma das grandes preocupação das mães é o acondicionamento do lanche escolar. Se enviamos lanche de casa, como manter o suco gelado? É muito mais prático enviar o suco de caixinha que contém conservantes e o medo que o suco estrague durante o tempo de espera até o consumo é um dos argumentos dos defensores da caixinha. E se eu dissesse que existe luz no fim do túnel e você não precisa enviar um preparado cujo maior ingrediente é açúcar e só contem 20 a 30% do suco propriamente dito? Aí vai a ideia , que não é minha, aprendi com Thais Ventura  do Delícias do Dudu no post Como preparar sucos para enviar na merendeira. A ideia de congelar o suco em cubinhos e colocar na garrafa térmica é realmente brilhante e pode ser feita com qualquer suco. 

Assim sendo, continuo acreditando, entre outras coisas, que um vegetariano não pode me dizer que carne devo comer, que existem outros aspectos a considerar na hora de escolher um celular que não os astros de Hollywood e que eu ainda posso mandar suco natural no lanche do meu filho.  





















sexta-feira, 3 de maio de 2013

A propaganda e o mito da mãe perfeita



Pobres de nós. Esses tempos importantes em que vivemos são doloridos. Nunca as mulheres puderam ser protagonistas de suas próprias histórias como hoje, nunca puderam escolher ser mães, ou não, e quando fazê-lo como hoje. As mulheres nunca puderam tanto quanto hoje. E a que preço. Ao mesmo tempo em que saímos do papel consolidado mulher e mãe e abraçamos inúmeros outros papéis com uma gana que só quem passou décadas dentro de casa poderia ter, veio o sistema , aquele que conveniente nos ajudou a sair do anonimato por necessitar braços para produção e carteiras para o consumo, nos colocar num pedestal. E o fundo do pedestal é um alçapão.

Vivemos a era da ditadura da função polivalente da mulher. Podemos tudo , ao mesmo tempo e de salto. Sim, podemos. Temos saída? Depois de tanta luta ninguém pensaria em retroceder. Seguimos polivalentes e nem reclamamos tanto disso. Parece ser a nossa natureza ou pelo menos esta é a ideia vigente nesses tempos doloridos. Mas será que além de tudo o que temos que desempenhar ainda precisamos mesmo da propaganda nos dizemos que somos mais ainda do que perfeitas? Uma propaganda que diz que temos poderes extraordinários?

Não estou aqui a colocar dúvidas na ligação que mães e filhos possuem. É sim um elo maravilhoso construído muitas vezes ainda na gestação. Outras vezes ele nasce no parto e existem vezes que ele só aparecerá na amamentação, no dia a dia. Mães adotantes não gestam, não parem, não amamentam e também constroem o elo. Pais idem. Nestes tempos onde o amor de mãe se paga com compras é aceitável que a propaganda lute por um lugar ao sol para sua marca usando de todos os artifícios possíveis. Vale até construir mais este mito. A mãe vidente. Não basta fazer tudo bem e de salto , precisamos adivinhar tudo. É o que diz a propaganda do Boticário produzida para o dia das mães de 2013.


E para não dizerem que eu só passo a vida reclamando da publicidade, deixo aqui um filme, também de 2013, que cumpre sua função de valorizar a marca e fala de uma mãe real. 




*imagem portaldemisterios.com

**Sobre o tema recomendo, de Elisabeth Badinter, O conflito - A mulher e A mãe  ed. Record

*** Agradecimentos a Paula Zandonadi Zanirato Tristão pelo mote.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Trilha sonora do amor de mãe




Música, todo mundo sabe , embala a alma. Temos nossas músicas preferidas, aquela que tocou  na formatura, no casamento, a que lembra esta ou aquela situação, música dos casais. E música que lembra o filho, tem também? Meu bebê - que não nos ouça já que detesta ser chamado de bebê - tem 5 anos e tenho músicas que me remetem á sua lembrança. Se é que existe isso, lembrança de filho. E cabeça de mãe lá pensa em outra coisa com exclusividade. Seja lá o que a mãe esteja fazendo,  lembrança de filho é sempre pano de fundo. 

A primeira é There must be an angel do Eurythimics mas na voz da Fernanda Takai do Pato Fu. 





A segunda é  Leãozinho de Caetano Veloso. Meu filho tem cachinhos revelados tardiamente. Nasceu carequinha e assim ficou por anos. Só depois do quarto aniversário o cabelo começou a dar o ar da graça e tornar seu visual cheio de personalidade. É um menino de cachinhos. Um leãozinho.

E na sua cabeça de mãe, toca música?






terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mãe Carrasca



Há umas semanas, numa festa infantil - esse território em que passamos boa parte da infância dos nossos filhos - assisti a uma cena muito estranha. Uma mãe, com um menino que não devia ter mais de um ano de idade, chegou à festa de cara amarrada. O menino entrou logo chorando e a mãe atrás o chamava a cada 10 segundos e o ameaçava de ir embora da festinha se continuasse o chororô.

Como eu sou lerda, demoro a compreender tudo o que se passa a minha volta e ainda tenho um menino ativo de 4 anos a me requisitar nas festinhas, ignorei e comi um salgadinho. A festa , muito boa por sinal, foi seguindo , meu filho comendo tudo o que podia, brincando com tudo o que conseguia e feliz da vida. Lá pelas tantas, o tal bebezinho passa de carrinho pela minha mesa ,  empurrando o carrinho com as perninhas e chorando. Olhei para a frente e vi a mãe de costas caminhando a sua frente. Não dava para ouvir o chorinho por causa da música alta. Avisei e tomei uma encarada de fazer medo em pit bull. "Tá chorando, é? Posso saber o motivo?! " rosnou a mãe do ano.

Eu não sou zen budista, apesar de simpatizar com a doutrina, e mais frequentemente do que gostaria, também dou os meus pitis. A diferença é que eu não piso na criança. Chamo atenção, sou ignorada, me descabelo, coloco de castigo. Mas fazer cara feia pra um bebê que é meu  e está me estendendo os bracinhos chorando,  muito provavelmente por carência?

Lembrei disso no domingo quando assistia a um filme na tv, O amor pode dar certo , em que uma das personagens, Phoenix, uma mulher com câncer nos ovários em estágio terminal - em uma das cenas encontra na rua com uma mãe abusando - sim, o termo para isso é abusar - com um dos filhos, humilhando-o porque está chorando. A reação de Phoenix, vivida por Amanda Peet é pegar o carrinho de bebê vazio da mulher e agredi-la com ele enquanto grita perguntando por que pessoas assim podem ter filhos. Bem que dá vontade mesmo de fazer coisa parecida, né?

A vida é complicada, tem dias que o calo dói, tem dias em que a cabeça dói, dias em que o bebê chora demais e a gente descobre a parte da dor de que trata aquela música da dor e da delícia. Mas será que os filhos tem alguma coisa com isso? Quem foi que teve a brilhante ideia de colocar o bebê nesse mundo amargo e doloroso mesmo? Será que mamãe sabe que bebê choroso tem direito a ser tratado com carinho e atenção? Vou te contar. Por que não comprou um aquário?



Aproveito para deixar a dica do filme. É triste que só, mas é bonito.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mamaço Carioca dia 05 de junho no Parque Lage

Nossa Senhora do Leite
No próximo domingo, dia 05 de junho, acontecerá no jardim do Parque Lage, a versão carioca do evento coletivo que ficou conhecido como Mamaço , forma de manifestação que vem movimentando as mães que lutam pelo direito de amamentar seus filho, algo, sejamos francos, natural e essencial.  Um mamaço coletivo já aconteceu no local onde a antropóloga Marina Barão foi impedida de amamentar seu filho no Itaú Cultural de São Paulo . Depois que a  história chegou às redes sociais  as mães puderam se organizar e mesmo depois de um pedido público de desculpas de Eduardo Saron, diretor do centro, o movimento só faz crescer.


Eu não amamentei meu filho por muito tempo, não sou uma mãe xiita pró-leitematerno, nem o contrário. Sou a favor de mães criarem , e alimentarem, seus filhos, sem constrangimento. Não consigo imaginar nada tão natural quanto o ato de amamentar. E também não consigo imaginar como  uma mãe que alimenta o filho pode constranger a sociedade da bunda de fora, por isso apoio o Mamaço e convido quem deseje participar. Então vamos lá:

O Mamaço acontecerá domingo 05/06/2011 no Parque Lage, das 10:00 às 13:00 na grama onde está o Chafariz.

No evento acontecerão atividades como palestras da Amigas do Peito,  contação de histórias, teatro de mesa, música, exposição de fotos , cantinho da leitura.

Saiba mais de tudo o que vai rolar aqui

Se puder apareça e leve seus filhos, lactantes ou não , para passarem uma manhã gostosa.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ser mãe é complicado … parte 2

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Outro dia eu estava aqui me lamentando ( mãe é tudo igual mesmo) da alteração de humor do meu filho de #3anos, que andava muito choroso, isso  até domingo passado. Descobri, com faro de mãe – gente, faro de mãe existe – o que afligia meu menino.

Na escolinha dele , existem aulas de natação e capoeira como atividades extra. Esperei  até ele que completasse os  3 anos para matricular na natação. Ele estava super ansioso e não falava em outra coisa , só queria ir para a piscina com os amigos. Fiquei um pouco preocupada e acompanhei durante meses as aulinhas. Apesar de ser muito seguro e a professora e auxiliares terem nascido para o trabalho, eu tinha medo de ele tomar caldo, o que nunca aconteceu mas esperava que ele perdesse o pânico de levar água nos olhos – como gritava de desespero no banho. De fato, o stress no banho melhorou e , quase um ano após o início das aulas, ele está numa boa.

Agora vem a parte da capoeira. Ernesto nunca manifestou vontade de participar da capoeira, mesmo vendo os melhores amigos nas aulas. Passava pela turma de capoeira e ainda dizia “ Capoeira eu não quero, não.” Tudo bem. Isso até o dia em que resolveu que queria. Tudo bem. Consegui uma vaga e lá fomos, na maior empolgação. Precisei pedir uma aula de degustação antes do mês iniciar tamanha a tal empolgação. Fez a primeira aula, o método é lúdico, aprender capoeira brincando. Todos os movimentos são ensinados na brincadeira, como deve ser. Na segunda aula , a supresa. “Não quero mais ir, não gostei da “capoela” Como assim, não gostou ?
Tentei negociar. Afinal, desistir de primeira não é a saída. Vamos dar uma chance para o professor, uma chance para ele te ensinar. Ninguém nasce sabendo nada, a gente precisa querer aprender. “Num quero aprender” Ah, vamos tentar. Tentamos. No final do primeiro mês a coisa parecia melhor, apesar de ouvir reclamações todos os dias. Já no segundo, agora em maio, a coisa virou uma guerra. Apesar de dizer que gosta do professor e de todos os amigos, meu menino diz que não gosta da capoela. Antes que alguém pergunte, não há nada de errado com as aulas, o professor é um doce e ele está entre amigos.

Choradeira todos os dias antes de ir para a aula. Berreiro mesmo. E como ele é muito meigo, apesar de saber o que quer. Chorava o quanto podia e quando via que eu não cedia, pedia desculpas , secava os olhinhos e ia para a aula como boi indo pro matadouro. Durante a aula eu percebia que ele até se divertia , mas criança é assim, né? Tem mecanismos de defesa bem melhores que os nossos. A coisa foi indo, foi se arrastando até semana passada. Quando, na quarta feira, ele perguntou se tinha capoela e eu confirmei um choro em desespero iniciou. Como o pai estava em casa, ele apelou para a segunda instância. Marido conversou , falou como capoeira é legal e o quanto ele queria começar as aulas. Menino secou os olhinhos, pediu desculpas e foi pro matadouro. E aí começou a instabilidade de humor. Demorou pro faro de mãe ligar. Mas na sexta feira perguntei na escola como ele estava e disseram que estava muito sensível , chorando a toa, precisando de carinho e conversa algumas vezes durante o dia e comendo mal ( logo ele , um glutão de marca) . O fim de semana foi intenso, muito choro, sono instável. Vaculhando a memória só encontrei uma coisa que o pudesse estar contrariando : a tal da capoeira.

Eu não quero que meu filho desista das coisas na primeira dificuldade. Mas precisei de um tempo para descobrir o que ia de errado com ele. Foi avisar o fim da capoeira para o humor mudar completamente e ele voltar aos níveis normais e aceitaveis de choro, birra, irritação para uma criança de 3 anos. Está mais animado , alegre, falante e eu com carra de tacho apesar de agradecida. Agradeço a Deus por ter descoberto o problema e aproveitei para pedir que não perca essa conexão com meu filho mesmo quando a sua vida se tornar mais complexa , com muitas variáveis, nem todas conhecidas por mim. Por enquanto é fácil manter a vida em equilibro, mas sei que no futuro a coisa aperta. Eita complicação.
Agradeço a Deus por ter tido sensibilidade para sacar que não deveria insistir

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ser mãe é complicado…

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Ah, como é complicado. Ou isso ou o meu filho que é complicadinho. Menino de lua,  #aos3 ele muda de opinião como eu mudo de canal e muitas vezes eu não conigo lidar muito com isso. Fico me perguntando: “Será que esse menino pirou?” O pai, que é bem mais tranquilo que a mãe, costuma dizer que é assim mesmo. Que é por isso que quando uma pessoa não fala coisa com coisa a gente diz que está agindo como criança. Ahhhh, tá, como criança. Essas alterações de humor não são diárias , mas quando acontecem me deixam pensativa.

É que eu fui criança há muito , muito tempo. Melhor nem comentar. Tento investir neste argumento e começo a conversar com ele como se eu também fosse uma criança. Pasma, constatei que, quase sempre dá certo.  Digo quase porque o menino é mesmo de lua, se ela estiver no minguante , é sentar e rezar. Ontem fui buscar ele na escola e o encontrei bem , alegre e disposto. Foi chegar em casa para o berreiro começar, chorando por tudo e por nada. Minha mãe diz que isso é dengo, mimo ou qualquer outra coisa parecida. Eu continuo achando que pode ser apenas uma fase, achando e torcendo.

Fico me perguntando se todos são assim, tão voluntariosos ( para não dizer nervosinhos) como o meu, um virginiano cheio de vontades mas ainda assim meigo , sensível e de bom coração. E o quanto me custa para torcer o pepino sem maltratar seu euzinho em formação, dando carinho , atenção e reprimenda. Ô meu Deus , como ser mãe é complicado…

Este é só um esboço de artigo, aquele chamado desabafo, que deixo aqui nesta sexta feira, aproveitando para perguntar: é complicado para vocês também?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um ano de #blogosferamaterna

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Quando comecei a blogar entre mães, há exatos 365 dias, o que me motivava era falar mais sobre assuntos que passaram a fazer parte do meu dia desde o nascimento do meu filhote. Só isso, vontade de expressar minha maternidade em palavras. Estou gostando muito da experiência. Apesar de blogar há 5 anos no Fio de Ariadne, a troca entre mães é completamente diferente da publicação de contos e formento de cultura. Por isso , considero este um blog pessoal, mais um filho.

E quando um blog faz aniversário, o editor precisa agradecer. Agradeço a todas as mães que me conheciam do Fio e vieram ver o que eu tinha a dizer como mãe e a todas as mães que eu conheci neste ano de blog. Muito obrigada, mesmo. Neste primeiro ano discuti muitas questões que me fazem coçar a cabeça e partilhei meus momentos maternos. Foi um ano feliz.

Para comemorar meu aniversário de mãe blogueira, e, de quebra o dia das mães,  Mãe é tudo igual vai presentear uma mãe/ leitora com meu filho/ livro. Para participar do sorteio, escreva na caixinha de comentários porque você merece ganhar o Livro Culpa de Mãe. Se você não ouviu falar da obra ainda, adianto que é um romance bem humorado sobre o dilema maternidade x trabalho. No livro , Fernanda, uma mãe prestes a ver encerrada sua licença maternidade, enfrenta dificuldades em deixar seu bebê com outra pessoa, qualquer pessoa. Sabe como é? Pois é. Para saber mais sobre o livro , clique aqui.  Serão aceitos comentários até a meia noite de hoje 03/05/2011 e a vencedora será conhecida através da extração da Loteria Federal de amanhã, 04 de maio.

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Mas, o presente não acaba aqui. As leitoras do blog que quiserem adquirir o livro por R$ 34,95  com frete grátis , podem fazê-lo até 09 de maio, enviando um email para maeetudoigual@gmail.com com assunto PROMOÇÃO TUDO IGUAL. Aproveite e peça seu livro sem despesa de frete.

E para terminar,  até 08 de maio continua a promoção em parceria com a editora Intrínseca que presenteará as leitoras do blog com dois exemplares do livro Grito de Guerra da Mãe Tigre. Confira como participar nos posts Mãe é tudo igual completa um ano com promoção e Grito de Guerra da Mãe Tigre

terça-feira, 26 de abril de 2011

Grito de Guerra da Mãe Tigre

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Terminei de ler, no último fim de semana, o livro Grito de Guerra da Mãe Tigre, de Amy Chua, publicado no Brasil pela editora Intrínseca. Como eu já contei no artigo Mãe é tudo igual completa um ano com promoção, segundo Amy, a educação chinesa está focada na excelência a qualquer preço e palavras como felicidade, tempo livre, auto-estima e liberdade não existem no dicionário em mandarim. Especialmente quando os pais chineses são imigrantes vivendo em um novo país.

Apesar de Chua mostrar uma rotina massacrante imposta às filhas para que se tornassem excelentes em tudo e isso deixar pasmo qualquer leitor ocidental, o livro mostra também as dificuldades dessa mãe em seguir seu próprio plano de treinamento militar para crianças. Ou seja, nem mesmo as mães chinesas são tigres o tempo todo. E tem mais, nem sempre os filhos facilitam o trabalho das tigresas. Ao contrário da filha mais velha de Chua, a caçula um belo dia se rebelou contra o plano de excelência deixando a mãe na corda bamba.

Querer que os filhos sejam o que há de melhor é compreensível. Mas, o desejo da felicidade, essa palavra absurda para quem vive em cativeiro, também é possível.  A leitura do livro é recomendada, pois quando confrontados com os inúmeros testes impostos pelas crianças , podemos ter o ímpeto de sufocar demais a prole. Não dá muito certo. Os tormentos passados pela família de Amy Chua são prova disso. E ao mesmo tempo , me peguei pensando: não são só as mães chinenas que , quando descobrem que o filho é bom em determinada atividade entra em competição com o resto do mundo para que seu rebento brilhe independente do que possa pensar sobre o assunto. Lembro de um pai de aluno que uma vez disse para o filho , corredor de kart: “Segundo lugar é o primeiro perdedor”. Serviço estranho este , de pai e mãe. Precisamos treinar alguém para o pega pra capar que é a vida, mas , as vezes, somos mais infantis do que eles jamais poderiam ser.

E você, o quanto tem de mãe chinesa? É competitiva e visa a exelência a todo custo também? Não!? Participe da promoção do primeiro ano do blog . Para participar você, que possui um blog, pode escrever um artigo até  8 de maio com o tema : O quanto de mãe chinesa há em mim?  e deixar o link na seção de comentários. Agora , você que não tem um blog, não pode ou prefere não escrever o artigo, deixe sua resposta à mesma pergunta através de comentário, também até 08 de maio. As blogueiras que escreverem o artigo concorrerão ao primeiro exemplar e as comentaristas concorrerão ao segundo exemplar. Cada participante receberá um número e os livros serão sorteados através da extração da loteria federal do dia 13/05.

 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

#cartaaberta Que futuro terão nossos filhos?

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Aconteceu na última sexta feita uma blogagem coletiva que envolveu grande parte da #blogosferamaterna e #blogosferapaterna. Como eu estava fora da cidade, escrevo hoje sobre um assunto que é de ontem, de hoje e, certamente, de amanhã. Depois do ataque a uma escola pública no bairro de Realengo, Rio de Janeiro, no último dia 07, que deixou a todos pesarosos, sem palavras, com palavras demais que valessem a pena ser ditas, confusos, tristes, de luto, revoltados e/ou, principalmente, assustados, um grupo de mães pensantes enviou uma carta aberta a seus grupos de amigos visando um debate de valores profundos. Quando recebi a carta, respirei fundo. Afinal, como o leitor poderá concluir, trata-se de um assunto árido, difícil de digerir: os tempos difíceis em que vivemos e a crise de valores que parece não cessar. Apesar existirem alguns pontos da carta que eu poderia, se não discordar, ao menos , ponderar de modo contrário, a atitude do seu envio por si só é motivo de aplauso.

Estamos nos acostumando a termos nossas retinas e ouvidos torturados com imagens e notícias absurdas no que diz respeito ao trato com a infância. E sem reclamar. São produtos que nossos filhos precisam consumir sob o risco de serem considerados out, são alimentos repletos de substâncias nocivas e atraentes que precisamos comprar para eles para ganharmos tempo, são abusos cometidos contra inocentes sem que haja punição adequada dos culpados, são tantas coisas… As signatárias da carta aberta resolveram reclamar agora e eu também vou reclamar com elas.

Precisamos debater exasutivamente todos os assuntos que digam respeito a nossas crianças e dar-lhes todo o tempo que nos seja possível dar, precisamos acolher nossas crianças pois este é o nosso dever. Não importa se elas não nasceram  de parto natural , se não foram amamentadas no peito , se os pais precisam trabalhar 40 horas por semana para garantir-lhes um futuro melhor e uma boa educação, se elas usam fraldas descartáveis, se não comem os alimentos chamados agora orgânicos. Apesar de tudo isso parecer o politicamente incorreto, se houver amor e entrega na relação pai e filho, se houver comprometimento e atenção, teremos uma chance. O assunto, é claro , não termina por aqui. LEIA ABAIXO A carta aberta:

Que futuro terão nossos filhos?

Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convoca-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.

A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?

Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças! Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.

Se desejamos alcançar uma paz real no mundo,

temos de começar pelas crianças. Gandhi

O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?

Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?

O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.

O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?

Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!

Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.

Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.

Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!

Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.

Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é? Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor! Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.

Ana Cláudia Bessa www.futurodopresente.com.br

Cristiane Iannacconi www.ciclicca.blogspot.com

Letícia Dawahri

Luciana Ivanike www.lucianaivanike.blogspot.com

Monique Futscher www.mimirabolantes.blogspot.com

Renata Matteoni www.rematteoni.wordpress.com

* para saber mais acesse: Futuro do Presente

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mãe é tudo igual completa um ano com promoção


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Em 03 de maio próximo, este humilde bloguinho completa um ano de idade. Estou muito feliz com o acontecimento pois apesar de não ter estatísticas, como blogueira experiente, sei que boa parte dos blogs não passa dos primeiros seis meses. Já discuti vários temas relevantes para mim aqui e ainda tenho muito mais o que falar. Acredito que este blog me ajuda a ser uma mãe melhor na medida em que possuo um canal para debater os problemas que observo, vivencio e busco resposta. Aqui conheci pessoas interessantes que vivem realidade semelhante á minha ou , pelo contrário, vidas completamentes diferentes. O blog cresceu e eu cresci. Espero continuar por mais um tempo por aqui.

Quando engravidei achei que seria uma mãe perfeita, como eu disse no artigo Mães de Sucesso, publicado outro dia. Seria completamente diferente da minha mãe, que muitas vezes me parecia um sargento disfarçado de mamãe, outras vezes uma bruxa e, outras tantas minha amiga. Tive uma educação muito rígida, com muitas cobranças de rendimento escolar e comportamento. Como eu não tinha dificuldades na escola e sempre fiz o tipo paradona, perdida dentro da minha cabeça e preferindo os livros a aglomerações, fui poupada de embates piores com minha mãe. Mas lembro que uma vez, minha irmã caçula, ainda criança perguntou: “Mãe, você não sabe dizer sim, só fala não?” Minha mãe teve seus motivos, ficou viúva cedo com as filhas por criar, não podia deixar o angú desandar. Acontece que eu sonhava uma coisa diferente.

Depois do nascimento do meu filho, descobri que a tal coisa diferente não seria tão fácil assim. Todos os dias sou testada na minha performance de mãe que gostaria de ser perfeita, aquela mãe distante da minha, o sargento. Por isso quando fiquei sabendo do lançamento do livro O grito de guerra da mãe tigre da professora universitária Amy Chua, que fez bastante barulho nos EUA e Grã-Bretanha. A polêmica , se você ainda não ouviu falar do livro, reside no fato de Chua narrar sua experiência em educar suas filhas através do método chinês de cobrança de excelência permanente vivendo na América. E detalhe: seu marido é judeu americano. A chamada de capa do livro parecia retratar minha mãe. Afinal, para ser uma mãe chinesa, você precisa pensar que:


1- os deveres escolares são sempre prioritários;
2- um A-menos é uma nota ruim;
3- seus filhos devem estar dois anos à frente dos colegas de turma em matemática;
4-os filhos jamais devem ser elogiados em público;
5- se seu filho algum dia discordar de um professor ou treinador, sempre tome partido do professor ou do treinador;
6- as únicas atividades que seus filhos deveriam ter permissão de praticar são aquelas em que pudessem ganhar uma medalha;
7- essa medalha deve ser de ouro.



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Amy e suas filhas, as "sobreviventes" Sophia e Lulu.


É verdade que minha mãe não era exatamente assim. Mas, chegou perto, bem perto.Ela própria se reconheceu ao ver uma reportagem sobre Amy Chua  e me telefonou contando. Mães chinesas podem, como diz a autora,   nascer em toda parte. Eu, que já li metade do livro, afianço que vale a leitura. Não para nos transformar em mães chinesas, mas para avaliarmos o quanto temos sido permissivas ou, ao contrário, exigentes e competitivas demais. E ainda é possível perguntar, quem será mais infeliz o chinês educado pela mãe tigre ou o ocidental criado pela mãe que precisa acompanhar as dicas da supernanny? E ainda dá pra refletir, é possível encontrar o caminho do meio, como ensina o TAO, o equilibrio na criação de nossos filhos neste louco mundo líquido de hoje?



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Por conta disso tudo, aviso que em parceria com a Editora Intrínseca, o blog vai presentear com dois exemplares do livro Grito de Guerra da Mãe Tigre à
as leitoras do Mãe é tudo igual. Para participar você, que possui um blog, pode escrever um artigo até  8 de maio com o tema : O quanto de mãe chinesa há em mim?  e deixar o link na seção de comentários. Agora , você que não tem um blog, não pode ou prefere não escrever o artigo, deixe sua resposta à mesma pergunta através de comentário, também até 08 de maio. As blogueiras que escreverem o artigo concorrerão ao primeiro exemplar e as comentaristas concorrerão ao segundo exemplar. Cada participante receberá um número e os livros serão sorteados através da extração da loteria federal do dia 13/05. Agradeço desde já quem queira ajudar na divulgação.


Update - Quem já publicou :


Livro Aberto da Elô

Peculiarizar

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Violência – E agora, o que eu digo pro meu filho?

 

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Em casa, normalmente não assisto tv na parte da manhã. Eu prefiro rádio. Sou antiga, sabe? Vou para a cozinha preparar o café ás 7 da manhã e ligo o rádio para saber a quantas anda o Rio de Janeiro e desligo por volta das 8, quando sentamos em família para tomar o café. A notícia do massacre na escola em Realengo chegou pelo telefone, minha mãe sempre me avisa dessas coisas, querendo dizer que o Rio não é um bom lugar para criar os filhos, só às 10, quando o pequeno tinha ido para a natação. Ela tem lá sua razão. Mas, eu também tenho a minha.

Meu bebê filho completa hoje 3 anos e 7 meses. Ele ainda tem uma visão infantil, maniqueísta da vida. Existem os bonzinhos e os malvados. Até ontem ele vivia numa metrópole cheia de problemas mas, que se imaginava segura de episódios como aquele , longe do ódio gratuito. Agora, existe a possibilidade da moda pegar, já que pessoas com personalidade para atos extremos costumam ganhar confiança quando assistem notícias de atos violentos. Agora, preciso me preparar com mais afinco para o dia em que meu filho estará preparado para saber a verdade sobre mocinhos e bandidos.

Ontem no twitter, li notícias de mães que defendem que seus filhos de 8 e até 6 anos devam ter conhecimento total da tragédia e até estavam assistindo às notícias em tempo real com eles. Eu seria mais moderada. Crianças precisam ser crianças e ter a infância preservada até a maturidade para assimilar tanta maldade, que, cá entre nós, até os adultos tem dificuldade em digerir. É duro , mas é a vida e precisamos, com muito tato saber o momento certo para abordar o tema. Acredito firmemente que há tempo para tudo.  Ainda que se diga que não adianta tapar o sol com a peneira, acho que não se deve expor a criança ao noticiário.

Diante de tudo isso, lembro que quanto estava grávida , imaginava que a oportunidade da maternidade me daria uma página em branco para escrever e com meu filho eu não cometeria os erros da minha mãe, mas somente os meus. Como eu não fazia a menor ideia de quais poderiam ser os meus erros, imaginei que seria a mãe perfeita. Bobinha. Cá estou eu , errando e acertando todos os dias, erros e acertos inimagináveis para a gestante que eu fui.

Eu não sou a mãe perfeita, essa mãe não existe. Ou talvez até exista mas, quem poderá rotulá-la será o próprio filho. Então até que o meu bebê-filho se torne filho adulto e sabedor de si, não terei condições de saber a resposta. E mesmo que eu saiba ela poderá estar maculada pelo amor do filho que sempre acha a mãe legal. Afinal, é a única que conhece. Tudo o que eu quero é poder contribuir para que meu ex-bebê cresca com os elementos necessários para encontrar seu lugar no mundo, sua felicidade, sua paz interior. Se eu não atrapalhar acho que já está de bom tamanho. Preocupada com seu desenvolvimento, tropeçando nas minhas ideias que podem mudar a qualquer momento, assim eu sou a melhor mãe que posso ser. Toda mãe que leva o serviço a sério sabe como é difícil.

* Este texto é parte da blogagem coletiva promovida pela Carol Passuelo do blog Vinhos, viagens, uma vida comum e dois bebês! e foi, infelizmente, contaminado pelos acontecimentos de ontem.  

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mamar é um ato natural!

maternidade picasso

O blog hoje traz uma entrevista com Eloise Barreto, mãe das princesas Alice, 3  e Sarah, 1,  blogueira do Livro Aberto da Elô e voluntária da ONG Amigas do Peito, que ajuda mulheres a enfrentar a adaptação às mamadas.

 

BLOG - O que é o Amigas do Peito, em que consiste o trabalho de vocês?

Elô - "Amigas do Peito" é um grupo de mães que surgiu por iniciativa da atriz Bibi Voguel e outras mães, no início dos anos 80, na intençâo de dar apoio às mães que queriam amamentar mas passavam por dificuldades. É uma ONG sem fins lucrativos, sem ligação com qualquer grupo religioso ou político.


O trabalho, em resumo, consiste no apoio às mães com informações repassadas pela experiência que cada Amiga do Peito já viveu. Atendemos via mensagens eletrônicas deixadas no nosso site, por telefone (disque-amamentação 21 - 2285-7779) e nas reuniões. Temos também um grupo virtual, formado por mães que já participaram de algum grupo, receberam nossa ajuda em algum momento ou estão precisando de apoio.

sarah mamando 1 ano

BLOG - Como o Amigas do Peito entrou na sua vida? Você também dificuldades com a amamentação?

Elô - Sim, tive dificuldades com as duas filhas, no período inicial, cada uma de um jeito. Com Alice, que agora tem 3 anos, tive uma demora para a chegada do leite, que só veio 10 dias após seu nascimento. Liguei para uma amiga que trabalha numa ONG parecida com as Amigas do Peito, mas em São Paulo (Matrice) e ela me deu apoio informando que aquelas poucas gotinhas de colostro que saíam do meu peito eram suficientes para nutrir minha filha. Nesta mesma ligação, Fabíola me indicou que participasse de uma reunião das Amigas do Peito, e então passei a frequentar o grupo de mães em Botafogo, a partir de dezembro de 2007. Na ocasião, Alice estava com quase 2 meses.


Também tive rachaduras, peito dolorido demais, dores nas costas.. e minha filha vomitava muito no primeiro mês, embora não perdesse peso. Com a segunda filha também tive rachaduras, e ela também vomitava muito, mas como já possuía informações vindas de outras mães no grupo, o peito cicatrizou mais rápido e fiquei mais tranquila quanto ao leite que voltava.

BLOG- Como funcionam as reuniões? Qualquer uma pode participar?

Elô -A reunião é um ponto de apoio muito importante para todas as presentes, e é coordenada por duas voluntárias das Amigas do Peito. Começamos sempre com uma roda de apresentações, onde cada um fala um pouco de si e do motivo de ter procurado o grupo. Em seguida a palavra é passada para quem quiser contribuir com sua experiência.


Não existe um assunto fixo e pré-determinado, o papo vai rolando conforme o que for solicitado pelas mães e famílias. Às vezes chega uma mãe de recém-nascido cheia de dúvidas, preocupada, cansada, e então as que já estão com os bebês maiores acabam contando como foi passar por esse momento, o que conforta e ajuda muito.


As reuniões são gratuitas e abertas a todos.. grávidas ou não grávidas, mães, pais, irmãos, avós, bebês, babás, todos são bem-vindos. Temos um calendário de reuniões mensais nos bairros de Botafogo, Gávea, Tijuca e na cidade de Niterói (no Campo de São Bento).

 

BLOG - Como voluntária, quais as principais dificuldades das mães você observa ?

Elô - Na primeira semana de vida do bebê sempre temos algumas ligações de mães que pensam não ter leite, ou porque o leite ainda não chegou, ou porque o bebê já começou a tomar leite artificial antes mesmo da alta hospitalar (o que sabemos não ser necessário na grande maioria das vezes).

Depois temos muitas mães que reclamam da fase de peito "rachado" ou ferido, pela adaptação inicial dos bebês.
A queixa mais recorrente é sobre o período de transição da produção de leite, por volta dos 2 ou 3 meses de idade do bebê, quando o leite não mais fica estocado no peito mas passa a ser produzido durante a mamada, por estímulo do bebê. A mãe acha que o leite está "secando", mas na verdade é apenas uma adaptação do nosso corpo para que não haja leite além da demanda..

BLOG -Quais você considera sejam os principais benefícios da amamentação?

Elô - Podemos dizer que o benefício começa desde o nascimento, com a chegada das gotinhas de colostro, que são uma poderosa vacina para os bebês. A imunidade e a alimentação completa prosseguem protegendo de inúmeras doenças por muito tempo.
Existem estudos que comprovam que crianças entre 16 e 30 meses, que são amamentadas, adoecem muito menos do que aquelas que não são.

Além de todos os benefícios de proteção e nutrição, podemos falar do vínculo afetivo que se estabelece, formando crianças seguras e independentes, formação dos ossos e músculos da face, desnecessidade de uso de bicos artificiais que podem prejudicar a arcada dentária,

Está bem documentado que quanto mais tarde se introduz leite de vaca e outros alimentos alergênicos, menos provavelmente essas crianças vão apresentar reações alérgicas.

Para as mães também existem inúmeros benefícios, amamentar reduz o risco de câncer de ovário, útero e endométrio, alguns tipos de câncer de mama, ajuda a perder o peso extra adquirido na gravidez e o retorno do útero ao seu "normal".

Por fim, amamentar é um ato ecológico e social, já que dispensa o consumo de leites e o descarte de latas, evita infecções que podem surgir no preparo de mamadeiras e permite que famílias de qualquer classe social possam alimentar seus filhos sem gastos extras.

BLOG- O que você diria para uma mãe que está neste momento enfrentando dificuldades para amamentar?

Elô - Que é muito importante lembrar que nosso corpo está preparado para alimentar nossos filhos, não havendo necessidade do uso de nenhum apetrecho extra para que a amamentação funcione. É importante eliminar o uso de chupetas e mamadeiras, que comprovadamente podem atrapalhar muito o processo. Se deixamos a natureza agir, a coisa pode ficar mais fácil do que imaginamos.. Se possível, não fique sozinha, procure apoio com outras mulheres que conseguiram amamentar, pesquise, pergunte, acredite!

alice

 

* Outras entidades que apoiam a amamentação : Matrice com sede em São Paulo, Amigas do Parto , La Leche Leagle International que faz trabalho em cidades brasileiras e oferece também ajuda on line .Mais informações sobre aleitamento BVS Aleitamento Materno

*imagens Maternidade, óleo sobre tela de Pablo Picasso ( 1905)

* fotos do arquivo pessoal

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Vínculo #blogagemcoletiva


blogagem_mulheremae_vinculo

Vínculo, do latim, prender-se, ligar-se.

Vínculo do corpo , da mente e da alma. Quando começou minha ligação com meu filho? Antes mesmo dele existir? Difícil, já que eu não cogitava semelhante projeto. Antes mesmo dele nascer? Bem, agora está melhorando. Assim que engravidei, nasceu alguma coisa que pode ser chamado de vínculo. Foi aí que apareceu a autofiscalização com tudo o que eu colocava na boca, com as horas mal dormidas que a gravidez sabiamente nos confere como estágio para todas as noites em claro que estão por vir, com a preparação do corpo para o momento mais maluco experimentado por um ser humano, o momento em que outro ser, autônomo, sai de dentro de seu ventre, olha bem nos olhos e …chora pela primeira e mais linda vez.

No momento do choro, o vínculo, nascido com a preocupação, o planejamento e o sonho, vira realidade consubstanciado, no meu caso concreto, em 51 cm com 3.685kg. E no momento em que a ligação física é rompida com o cordão umbilical, a ligação da alma selada por aquele primeiro olhar que parece dizer “ Então era você, todo aquele tempo? Muito bem, senhora, você me chamou, se esforçou, rezou, se cuidou, riu e chorou. Você me quis todos esses meses, todas essas luas. Cá estou, cheio de fome e sou seu para o resto da vida.” Naquele momento em que o vínculo se estreita, você também chora, mas não é fome. É aquela coisa estranha que o escritor ainda não conseguiu traduzir em palavras.

A partir de então o vínculo, ligação, elo, ou seja lá o nome que demos para a coisa, parece crescer tão rápido quando o filho; e na mesma proporção. A partir de então, a cabeça da senhora que esperou todas aquelas luas, arrumará um compartimento para guardar todas as informações a respeito daquele a quem está irremediavelmente ligada. E o processamento dos dados se dará sempre de modo instantâneo. Quando o filho começar a falar, ou melhor, utilizar de modo rudimentar sons para tentar comunicação, ela será a única que compreenderá durante muito tempo. Quando o filho sentir algum mal estar, mínimo que seja, ela será a primeira a saber o que ele quer e precisa. Quando lhe der o colo e deixá-lo pousar sobre o ombro a cabecinha, qualquer mal estar passageiro passará e até os mais graves parecerão menores. É o tal do vínculo. Ele nos segue a todos em maior ou menor grau, dependendo do esforço de um e da capacidade de compreender o esforço do outro.

E nem no dia, sim um dia o dia chega, em que o filho abrir as longas asas para voar para bem longe do ninho, o fio que os une será rompido. Ainda que não precise mais de alguém que lhe cure o joelho ralado e ensine a amarrar os sapatos. O filho sabe que do lado de cá do laço bem dado pela vida existe uma mãe que torce por ele, sempre e acima de tudo.

Este texto integra uma blogagem coletiva promovida pela Rede Mulher e Mãe

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Por que temos filhos?

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Por que temos filhos? É um chamado da natureza? É uma decisão criada pela sociedade, pelos outros, pelo que esperam de nós? É vontade de brincar de casinha? É querer continuar no planeta, de alguma maneira? Não sei. Meu filho já nasceu. E agora?

 

 

O que queremos para nossos filhos? Que eles sejam nossa imagem e semelhança? Que pensem como nós e repitam nossos atos e sigam nossos passos, porque , afinalm são nossos filhos. Eu não quero isso. Sou um ser suficiente crítica para não querer uma reprise de mim. Quero que meu filho seja ele mesmo, com suas escolhas, erros e acertos. E a partir desta conclusão é que o problema realmente surge. Como fazer?

 

 

Quero formar um livre pensador, como fazer, além de evitar respostas prontas e dogmas passados com as melhores intenções pela minha mãe e cortar o “ É assim porque eu estou dizendo” tão simples de dizer? Quero que a religião seja uma busca pessoal, como fazer sem deixá-lo confuso evitando passar os resultados da minha busca, que não valem de nada para o resto da humanidade?

 

 

Como respeitar o indivíduo que ele é , completamente autônomo de mim, mera doadora de material genético, água e nutrientes, durante a gestação, apesar de completamente apaixonada é capaz de todo e qualquer sacrifício pela cria?

 

 

Por que temos filhos, mesmo? Certamente não é para dizer que temos, nem por estarmos loucos para passarmos noites em claro por conta da cólica, da falta de sono e da dor de barriga. Acho que temos filhos para conseguirmos aprender uma grande lição, que sem eles ficaria muito mais complicada.

 

Não sei por que temos filhos. Só sei que é difícil e maravilhoso, praticamente na mesma medida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Você é Mãe







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