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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Publicidade Infantil é ilegal e covardia - #Exemplo1 : Danoninho



No dia 04 deste mês foi publicada a Resolução 163 do Conanda, Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, órgão ligado à Secretaria Nacional de Direitos Humanos e Minorias. A Resolução considera abusiva e ilegal a prática da publicidade infantil no Brasil. A gritaria por parte de quem lucra com a publicidade dirigida às crianças é muito grande. Aliás, quem lucra deve mesmo gritar, afinal os lucros com publicidade infantil são gigantescos e com o modelo de autorregulamentação representado pelo Conar, vender para os pequenos está mais fácil do que tomar doce de criança.


Pensei em escrever detalhadamente sobre a Resolução, mas depois de participar de acompanhar alguns debates nas redes sociais, resolvi falar através de casos concretos. Um dos argumentos mais usados pelos defensores da propaganda para crianças é: " Proibir a publicidade infantil é censura!". Dos portadores deste discurso, só posso entender que estejam divididos em dois grupos: aqueles que estão ganhando dinheiro com a propaganda e aqueles que não compreendem quais os direitos estão em jogo nesta questão. Para os primeiros - os que estão enchendo o bolso com a publicidade infantil minhas únicas palavras são : você agora deveria usar sua criatividade para falar com alguém do seu tamanho, #anunciapramim. Para os demais , aqueles que não conhecem ainda as questões de direito, o caso é o seguinte:



Existe um princípio constitucional chamado Princípio da Prioridade Absoluta da Criança e do Adolescente. Este princípio está consagrado no art. 227 da Constituição Federal, que diz:


“Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão."

O que isto quer dizer? Quer dizer toda vez que o direito das crianças e adolescentes estiver sendo confrontado com qualquer outro direito, a prioridade absoluta é das crianças e adolescentes. ( aproveite e conheça a iniciativa Prioridade Absoluta do Instituto Alana) 


Foi com base neste princípio, e outras normas legais, que a resolução 163 foi publicada e no caso da publicidade infantil os direitos que se confrontam são , o direito da criança a crescer livre do assédio da publicidade enganosa contra o direito do anunciante de encantar o público infantil para que solicite seus produtos aos pais. 




Um exemplo deste confronto de direitos são as campanhas publicitárias do Danoninho. A empresa Danone promove sempre com bastante criatividade, campanhas nas quais as crianças são convidadas a participar colecionando produtos, como os MiniDinos e a nova Mini Cidade do Dino. Com essas campanhas ( fofas) a propaganda conversa com a crianças usando música infantil, atores mirins e brindes, aplicativos para celular,  tudo para vender um produto que não é iogurte e não pode ser consumido por crianças menores de 2 anos ( apesar das campanhas fofas não falarem sobre isso) . Quanto mais as crianças colecionarem e comerem, melhor. Para a empresa, é claro.

Para os defensores da publicidade infantil suprimir as campanhas publicitárias do Danoninho como estão no ar seria censura pois, os publicitários o direito de se exprimir livremente e , principalmente, os anunciantes tem o direito de falar com as crianças. 

Certo, mas é justo o Danoninho ser anunciado assim?  

De acordo com o rótulo, eis os ingredientes do produto: 


LEITE DESNATADO, XAROPE DE AÇÚCAR, PREPARADO DE MORANGO (ÁGUA, FRUTOSE, POLPA DE MORANGO, CÁLCIO, FÓSFORO, AÇÚCAR, AMIDO MODIFICADO, ZINCO, FERRO, VITAMINAS D E E, ESTABILIZANTES GOMA XANTANA, GOMA CARRAGENA E CARBOXIMETILCELULOSE, ACIDULANTES ÁCIDO TARTÁRICO E ÁCIDO CÍTRICO, AROMATIZANTE, CONSERVADOR SORBATO DE POTÁSSIO E CORANTE NATURAL CARMIM), CREME DE LEITE, CÁLCIO, CLORETO DE CÁLCIO, FERMENTO LÁCTEO, QUIMOSINA E ESTABILIZANTES GOMA GUAR, CARBOXIMETILCELULOSE, GOMA CARRAGENA E GOMA XANTANA. CONTÉM GLÚTEN. PODE CONTER TRAÇOS DE CASTANHA DE CAJU.


Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - PROTESTE, que testou o Danoninho , a conclusão é a seguinte:


"Açúcar demais, proteína de menos
Conforme apuramos em nosso teste, os petit suisse apresentam açúcar em excesso, o que é prejudicial à saúde das crianças, que acabam se acostumando ao paladar doce desde cedo. Se uma criança de 7 a 10 anos consumir um potinho, estará ingerindo 27% do limite diário máximo de açúcar de absorção rápida. Se tiver de 4 a 6 anos, 32%. Valor muito acima do ideal recomendado – no máximo, 10%."

Já o site Fechando o Ziper que também testou o produto e concede notas para os alimentos entre A e F  deu nota D- Para o Danoninho e publicou:

As crianças são o público-alvo
Possui muito açúcar (xarope de açúcar, açúcar e frutose) e aditivos para um produto que é destinado ao público infantil. Crianças menores de 2 anos não devem consumir açúcar! Portanto, cuidado ao oferecer esse tipo de produto.
Muuuitos aditivos alimentares
Apresenta estabilizantes, acidulantes, aromatizante, conservante e corante.
-  Veja o post completo em: http://fechandoziper.com/laticinio/danoninho-morango/#sthash.1JTCte2k.dpuf


Em um país que atualmente apresenta altos índices de obesidade infantil, promover a venda de alimentos com alto teor de açúcar em veículos de comunicação é, antes de tudo, uma baita covardia.

Fonte: Documentário Muito Além do Peso

Depois de dispor das informações acima creio ser difícil qualquer adulto ( que não lucre com isso) defender a publicidade infantil de produtos alimentícios como Danoninho. Mas, é claro que tudo é possível.

Aproveito e deixo uma receita de Danoninho de Nadia Cozzi do blog Coletivo Verde, para substituir ao industrializado cheio de açúcar, amido, corante e publicidade infantil. ( Link completo aqui

Queijinho Petit Suisse
  • 500g de morangos Orgânicos limpos cortados ao meio
  • 8 colheres (sopa) de açúcar Orgânico
  • 1 colher (sobremesa) de suco de limão orgânico
  • 1 e meia xícara (chá) de leite fresco bem gelado
  • a medida de 1 lata de creme de leite fresco bem gelado
  • 200g de ricota, de preferência feita em casa. Também é divertido ver o leite virar queijinho. Veja a receita nos outros posts.
Modo de fazer:
Numa panela coloque os morangos, o açúcar, o suco de limão e ferva mexendo sempre por cinco minutos. Retire do fogo e coloque no liquidificador com o leite e o creme de leite, ambos bem gelados. Vá acrescentando a ricota aos poucos, batendo até formar uma pasta lisa um pouco mais mole que o Danoninho original (ao ir para a geladeira, seu Danoninho genérico ficará com a mesma consistência do original). Deixe uns moranguinhos para enfeitar.













quinta-feira, 6 de março de 2014

Sendo mãe em tempos de marketing agressivo

Viver na era do marketing sem limites é uma aventura e tanto. Se o vivente em questão é  pai ou mãe, todo cuidado é pouco. Sim, porque se para adultos sem responsabilidades com outros viventes escolher o que consumir é complicado, para os pais a missão parece ser quase impossível. Eu explico. É que as empresas depois de usarem todos os artifícios para convencer de que seu produto é a melhor escolha, agora partiram para a ignorância.  Sim, eu exemplifico.


Já viram o novo comercial da Friboi trazendo ninguém menos que Roberto Carlos, um vegetariano convicto, dizendo que só come a carne da 'grife'? Olhamos o Rei sorrindo para o bife e somos levados a pensar: 'Puxa, deve ser boa mesmo.' A conversa que rola por aí, contudo, é que ele nem tocou na carne.




Aliás, o Tony Ramos já vem falando há meses na tevê sobre como esta carne é boa.' Depois que Tony estreou os comerciais Friboi pelo cachê de 3 milhões de reais as vendas cresceram 20% e os supermercados começaram a colocar uma plaquinhas nos açougues com a marca da carne. Propaganda é a alma do negócio. Um frigorífico do qual você nunca tinha ouvido falar, de uma hora para outra vira o fornecedor de confiança da melhor das carnes graças a um famoso.

Mas, como o marketing está cada vez mais sutil, pode acontecer de o famoso, de tão famoso, nem mesmo precisar dizer o nome do produto para que a propaganda seja muitíssimo bem sucedida. Na entrega do Oscar 2014, bastou que a apresentadora Ellen Degeneres sacasse um Samsung Galaxy Note 3 ( Branco, para aparecer bem na tela) , brincasse com a audiência, pedisse uma pizza ao vivo e tirasse uma foto com a nata de Hollywood para que as menções à empresa bombassem nas redes sociais e não se falasse em outra coisa. A festa do Oscar saiu barato para a Samsung. Afinal, pela bagatela de 20 milhões de dólares cada um dos 43 milhões de telespectadores no planeta deve ter olhado e, nem que seja por meio minuto, pensado: "Ué, eles não usam Iphone?" E mesmo que saibamos que é tudo marketing, algo foi tatuado no nosso subconsciente. 'Droga, meu Samsung é preto!'



Eles nos convencem de tudo com argumentos ilegítimos e até sem argumento nenhum. E quando querem atingir especificamente as mães são ainda mais certeiros como neste anúncio dos sucos Del Valle.



A empresa diz com voz suave que colhe laranjas a mão, por que máquinas "não são tão carinhosas". Depois de ouvir isso a mãe que espreme cada uma das suas laranjas sabe-se lá como colhidas em um espremedor elétrico todas as manhãs está prestes a desistir e correr para o supermercado quando pensa: " Como será que eles processam o suco do carinho? Com as mãos? " Ou melhor, como será que eles processam o néctar, a bebida que é apenas de 20 a 30% fruta ? É difícil entender mas eles nos convencem de que o produto é bom e que nós não conseguimos fazer melhor que a indústria. 

Ouso discordar. Uma das grandes preocupação das mães é o acondicionamento do lanche escolar. Se enviamos lanche de casa, como manter o suco gelado? É muito mais prático enviar o suco de caixinha que contém conservantes e o medo que o suco estrague durante o tempo de espera até o consumo é um dos argumentos dos defensores da caixinha. E se eu dissesse que existe luz no fim do túnel e você não precisa enviar um preparado cujo maior ingrediente é açúcar e só contem 20 a 30% do suco propriamente dito? Aí vai a ideia , que não é minha, aprendi com Thais Ventura  do Delícias do Dudu no post Como preparar sucos para enviar na merendeira. A ideia de congelar o suco em cubinhos e colocar na garrafa térmica é realmente brilhante e pode ser feita com qualquer suco. 

Assim sendo, continuo acreditando, entre outras coisas, que um vegetariano não pode me dizer que carne devo comer, que existem outros aspectos a considerar na hora de escolher um celular que não os astros de Hollywood e que eu ainda posso mandar suco natural no lanche do meu filho.  





















segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Bolo de Chocolate Integral

Vocês já devem estar ser perguntando se este blog fechou. Não fechou. A blogueira é que está fazendo coisas demais estes dias. Além do filho e do trabalho, faculdade e o Movimento Infância Livre de Consumismo que não para de crescer. Daí os blogs tão queridos acabam ficando em segundo plano. Mas cá estou. E vamos de receitinha.

Vi esta receita de bolo no blog Maternidade Colorida. Fiz cupcakes com minhas adaptações - quem não faz - sem mudar demais a receita que é :


Bolo de Chocolate integral 

Ingredientes:
3 ovos ( dê preferência ao ovo caipira)
2 xícaras de açúcar mascavo
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 xícara de óleo ( dê preferência a girassol ou soja livre de transgênicos)
1 1/2 xícaras de farinha de aveia
1/2 xícara de farinha de trigo ( normal)
1 xícara de água quente
1 colher de sopa de fermento em pó*

Modo de fazer :
Bater no liquidificador os ovos, o açúcar mascavo e o cacau e o óleo. Depois, acrescentar as farinhas, a água quente e o fermento e bater mais até ficar homogêneo.
Encher 2/3  das forminhas de cupcakes ( costuma render 18 cupcakes grandes) em forno médio pré-aquecido por 15 a 20 minutos.
Se desejar pode salpicar flocos de aveia com açúcar mascavo antes de assar.

Este bolo é sucesso de público e crítica, é delicioso e alimenta. Além de tudo é saudável, perfeito para o lanche da escola de ganha disparado de qualquer bolinho comprado pronto.  Se quiser assar em forma de bolo, ele dá para uma forma pequena. Enjoy.

Receita Original aqui

Update: Faltou dizer que o fermento em pó químico tal qual é produzido hoje no Brasil não é a melhor opção por ser feito com amido de milho geneticamente modificado ( todas as marcas no mercado brasileiro usam milho transgênico) Uma saída pode ser o cremor tártaro - veja aqui - mas eu ainda não testei.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

De olho nos rótulos das embalagens


As informações nutricionais são muito importantes para serem desprezadas pelo consumidor. 


Quando a obrigatoriedade de fazer incluir informações nos rótulos dos alimentos apareceu, tudo em que começamos a prestar atenção foi a data de validade. A informação nutricional é preocupação recente, mas necessária. Com os mudanças no estilo de vida, é cada vez mais difícil imaginarmos um mundo sem industrializados. Eles são práticos, é fácil alimentar a família com eles. Vem prontos. É o mundo novo da latinha, do pacotinho, do tetra pack. O problema é que para conservar o produto industrializado e torná-lo atraente ao consumo é preciso usar de artifícios que não ajudam à manutenção de uma boa saúde. E daí começamos a adoecer por causa desta nova vida prática. Nossos filhos estão ficando obesos, hipertensos e mal alimentados.

No caso dos alimentos para crianças o problema começa com a base da tabela nutricional. A maioria das tabelas não é feita para crianças. Assim, o alimento acaba trazendo aquelas proporções de necessidades básicas para um adulto e termina nos confundindo. Quer ver um exemplo?

De acordo com o instituto ( IDEC), em relação à dieta de duas mil calorias diárias, indicada para adultos, o percentual de sódio do minichicken Turma da Mônica, por exemplo, representa 38% da quantidade diária recomendada. Considerando as necessidades de uma criança com idade entre 4 e 6 anos, a quantidade do nutriente presente no alimento representa 306% do indicado.
O percentual de sódio do salgadinho Fandangos, segundo a análise do Idec, é de 8% para um adulto, mas para uma criança entre 4 e 6 anos, a quantidade é de 63%       ( fonte http://www.saudeviver.com.br/noticias/idec-propoe-debate-sobre-informacoes-em-rotulos-de-alimentos-para-criancas)


E não adianta olhar só a quantidade de calorias do produto. Valores do conteúdo de gordura trans, corantes, sódio e açúcar. A propaganda nos engana, os rótulos nos confundem e assim uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos está acima do peso. Precisamos pensar sobre isto, procurar e cobrar mais informações. 

Saiba mais sobre rótulos lendo o Manual que a Anvisa elaborou sobre rótulos.

















sexta-feira, 15 de março de 2013

De olho na cantina #saudenaescola



Na hora de escolher a escola das crianças, são tantos os itens a avaliar que nem todo mundo lembra de olhar o estado da cantina. No ano passado visitei algumas escolas em grupo e, acreditem, a cantina não foi um local ao qual os pais deram muita atenção. Aconteceu o mesmo com a biblioteca, mas isto é outra conversa. O problema é que , enquanto você faz a visita, sem ao menos saber se irá conseguir a vaga e isso vale para escolas públicas e particulares, precisa se assegurar se o local é seguro, se a escola está de acordo com seus valores pessoais, se tem um bom ensino , se os professores são bons. A comida nem sempre é levada em conta e isso não é falha dos pais. É o sistema falho do país que não garante educação pública de qualidade para todos. Sim, isso também é outra conversa.



Quando passamos batido por uma cantina e deixamos de perguntar o que é servido ali estamos deixando de lado uma questão crucial. A alimentação de nossos filhos reflete no desempenho escolar e sua saúde para toda a vida. Uma mãe preocupada em alimentar bem o filho já terá contra si, entre outros, as recusas da criança para alguns alimentos e o lanche de má qualidade do amiguinho para tentar o pequeno. Ter uma cantina que só vende porcarias já é demais.

Nem sempre temos escolha. Como o conceito de alimentação saudável ainda perde para a ideia vendida pela indústria de " alimentação prática" e vazia é muito comum encontrar cantinas oferecendo salgados fritos, refrigerantes, biscoitos recheados e doces em excesso. O ideal é procurar uma boa escola com uma cantina que não venda este tipo de coisa, mas o ideal ainda não é acessível para a maioria da população. Se você alcançou a felicidade de garantir que seu filho se alimente bem na escola, parabéns! Se ainda está longe disto, não desista. Cada vez mais pessoas estão sendo conscientizadas da necessidade de uma boa alimentação para uma vida sem doenças como obesidade, hipertensão, diabetes. Abaixo trailer do documentário Muito Além do Peso.



Alguns estados como Rio de Janeiro e Santa Catarina proibiram lanches não saudáveis dentro de escolas públicas. Em 2012, o Ministério da Saúde lançou um Manual das Cantinas Escolares Saudáveis para orientar donos de cantinas de escolas públicas e particulares na modificação do oferecimento dos alimentos. Ainda que não seja perfeito, o Manual é um passo adiante e traz informações como esta sobre os sucos:


Nesta semana o mesmo Min. da Saúde promoveu uma série de ações intituladas Semana Saúde na Escola, elas fazem parte do programa #saudenaescola que visa implementar novos hábitos e atitudes em busca de uma vida saudável. A preocupação do governo com este assunto decorre da epidemia de obesidade infantil. E agora eu pergunto: Se até o governo já está se mobilizando contra os efeitos de uma alimentação vazia de nutrientes e rica de gordura, sódio e açúcar, lançando programas, portarias e leis sobre o assunto, vale a pena lutar em nosso dia a dia pressionando as escolas para modificarem a oferta de alimentos. 

Este é assunto para muitos posts. E na escola do seu filho, existe cantina? Ela é saudável?



Documentário Muito Além do Peso na íntegra.

Manual de Cantinas do Min. da Saúde.

Para saber a evolução das ações de governo para alimentação escolar no Brasil desde o início do século XX clique aqui


Imagem1 - Unimed Fortaleza

Imagem2 Revista nova escola

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Muito Além do Peso deveria estar no horário nobre da TV



Foto:divulgação

Muito Além do Peso , documentário de Estela Renner, é daquelas experiências em cinema que doem. Não só por que é real, mas por que é real e acontece com crianças. Sempre ouvimos falar em obesidade infantil, seus riscos, consequências. Ninguém deseja o filho obeso, é claro, e se dependesse dos pais, única e exclusivamente, não haveriam mais de 33% de crianças obesas no Brasil. Infelizmente, não depende só dos pais. Estamos sendo, o tempo todo bombardeados com a propaganda da comida porcaria. As crianças  que foram apresentadas a refrigerantes, salgadinhos e doces já tiveram este tipo de produto incorporado à sua dieta. Tudo isso faz parte de uma ideologia de consumo que passa pela perspectiva cultural. Um suco de caixinha, com apenas 1% de fruta, tem conotação muito superior a de uma fruta no ranking do status para essas crianças. Desta maneira, comer fruta é uma coisa sem graça, coisa de pobre. Consumir porcaria industrializada, isto sim, é on.



Rever os hábitos, depois de instalada a comida porcaria, que é gostosa dado o alto índice de sal, gordura e açúcar que refastela as papilas gustativas, é muito difícil e somente 1 em cada 4 crianças obesas conseguira se tornar um adulto magro. Imagine o custo. Ver crianças reclamando na tela de não poderem correr, brincar por mais tempo e que por isso passam o tempo livre sentadas diante da tv corta o coração de qualquer mãe. Ainda mais de uma que tem um filho tão saudável, que come sim suas porcarias mas muito raramente.



Uma das cenas do filme que mais chamou a atenção foi a fala de Jamie Oliver , este homem extraordinário que , nascido na Inglaterra sabe fazer comida com sabor - o que por si só já é espantoso - e ainda tenta engajar o mundo a voltar a cozinhar sua própria comida ao invés de sentar todas as noites em frente a um prato pronto. Em dado momento Oliver diz que nós mesmos, que estamos na casa dos 35/40 anos, quando éramos crianças comíamos hambúrgueres ocasiões especiais e todas essas bobagens. O que era diferente? A exceção. Para a geração de crianças de hoje, comida porcaria virou regra. E isto vai fazer com que vivam menos e em pior qualidade que nós.

gráfico apresentado no documentário

Tudo o que consegui pensar após a exibição foi que é preciso resistir a esta invasão cultural - como destaca Elisabetta Recine , do Conselho Nacional de Segurança Alimentar - em que todos se alegram ao poder comer exatamente a mesma comida em qualquer ponto do planeta. Como se não compreendessem o quão pobre culturalmente isto é. Se uma nação não pode mais degustar sua própria comida, ela está certamente se perdendo , sendo ingerida pela cultura que impõe seu estilo alimentar e pagando um preço alto por isso. Sendo que , por outra lado, poderíamos até estar comemorando. Pois se sempre quisemos ser como os norte americanos , agora estamos bem perto. Muito perto de sermos redondos e com altas taxas de colesterol e índice de diabetes como eles.




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A Papinha do meu filho quem fez fui eu




Fui uma profissional liberal super ocupada até o nascimento do meu filho. Depois disso me tornei mãe, blogueira e escritora super ocupada. Quando eu era profissional liberal super ocupada, meu conhecimento culinário  não era tão raso quando um pires de chá e minhas excursões à cozinha limitavam-se à hora da sede - alguém precisa ir até a geladeira para pegar água -  aqueles dias da tpm quando precisamos de um brigadeiro desesperadamente e no hobby de fazer pães.

Lembro que primeira coisa que pensei quando aconteceu uma gravidez não planejada foi : Mas, eu não sei cozinhar como uma mãe,  #comofaz? Daí eu botei na cabeça que teria aproximadamente um ano e alguns meses para aprender a cozinhar . Mães são aquelas pessoas que fazem coisas gostosas. Era assim a minha avó , a melhor cozinheira do mundo e a  minha mãe - longe da melhor do mundo mas, bastante razoável , comida digna de mãe . Gente, eu não sabia fazer um feijão, não me refiro a um feijão decente, digo um feijão qualquer. Nem arroz eu fazia. 

Foi aí que comecei com tentativa e - bastante - erro. O marido - que sempre cozinhou  - ajudou e a mãe passou umas receitas. E lá fui eu, tentativa e mais erro. Quando chegou a hora das papinhas eu já não me assustava mais com as panelas. Vivi uma deliciosa aventura experimentando as receitas tradicionais e inventando algumas novas . Adorava cozinhas e ver meu bebê todo lambuzado aprendendo a comer a comidinha da mamãe foi uma das experiências mais maravilhoras daquela fase. 

Preparar papinha não é nada complicado. Um purê de frutinhas e  leguminhos com temperinho fresco não dá trabalho para fazer, nem toma tanto tempo. Lembro que usava o horário dos cochilos dele para preparar as papinhas. Existem coisas que nos consomem  muito mais na maternidade. A papinha é bico. 


Ontem, descobri que uma revista conceituada está fazendo uma campanha pesada relacionando o preparo da papinha à algum tipo de culpa que possa a maternidade causar na mulher e isto me deixou besta. A publicação convidou mães a falar sobre sua experiência com a papinha pronta, de potinho ,e algumas narram como passaram a dar a dita aos filhotes liberando-se da culpa e do tempo (?) no fogão, industrializando a alimentação dos filhos desde muito cedo. 

Este blog nunca teve cunho didático, quem acompanha minhas postagem já deve ter percebido que nunca digo faça isso ou faça aquilo com seus filhos. Quem sou eu para dizer isso? Sou a mãe do Ernesto e minha especialidade é só ele. Cada um faz o que acha melhor. Mas, relacionar culpa com papinha foi demais pra mim, daí este post. E como só existe uma empresa no Brasil que produz este tipo de alimento para crianças, não dá para imaginar outro gigante que esteja por trás desta ação. Uma pauta dessas só pode ter sido gerada pelo interesse em vender papinhas.

Eu não sou uma mãe xiita - antes que me esqueça. Nunca dei papinha industrializada para meu filho porque não foi necessário. Não surgiu nenhuma emergência que me fizesse precisar a recorrer a elas. Sim, porque o que eu penso sobre comida industrializada para bebês é que são artifícios que existem para socorrer a mãe em uma situação de emergência. Não como regra de alimentação. E não estou dizendo isso porque ache que existe veneno dentro das papinhas. Mas, por que privar meu filho de experimentar a maior variedade de novos sabores justo no momento em que ele está construindo sua memória gustativa? Por que limitá-lo ao gosto da comida pronta quando comer é um prazer tão novo para ele? Será que economizar meia hora de fogão vale isso? Sei lá, viu? Deveriam arrumar um outro jeito de incrementar vendas, um jeito que não usasse a vulnerabilidade das mães.




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Obesidade e Propaganda

Você costuma trocar a alimentação por um lanche?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Obesidade infantil

Estou viajando esta semana então deixo uma série de videos curtinhos sobre os temas que costumo abordar. Hoje, obesidade e propaganda

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Obesidade Infantil - Novidades no cardápio Mc Donald’s

lanche2

A empresa responsável pela marca Mc Donald’s na América Latina anunciou na semana passada , modificações no cardápio para crianças e adultos. A notícia parece ser resultado da pressão da comunidade e de alguns órgãos governamentais em todo o mundo sobre o cardápio ultra calórico de Ronald.

No anúncio ficamos sabendo que o McLanche Feliz ficará um pouco mais saudável :

  • O lanche terá mais vitaminas e minerais e menos  sódio, açúcar e calorias. Como item adicional será  introduzida de uma nova porção de frutas frescas da estação. O McLanche Feliz terá em todas as suas combinações , no máximo  600 calorias, equivamente a menos de 1/3 da recomendação de ingestão diária proposta pela Organização Mundial de Saúde para crianças de 6 a 10 anos;

  • As Mcfritas serão oferecidas em porção menor, com cerca de 100 calorias, menos da metade da versão anterior;

  • Será reduzida a quantidade de açúcar adicionado nas bebidas à base de frutas em quase 40%, passando a ter um limite de 5g por 100 ml.

Apesar de ver a mudança veiculada pela empresa com bons olhos, o novo cardápio não pode servir de desculpa para oferecermos mais lanches prontos aos nossos filhos. A redução das calorias vazias, sódio e açúcar dos cardápios fast food apenas contribui para que possamos pensar em incluir a loja em nosso hábito de consumo esporádico. Afinal, criança precisa de comida nutritiva feita em casa para crescer saudável e evitar a obesidade, mal que já acomente 30% das crianças entre 5 e 9 anos no Brasil. Fiquei pensando ainda teria sido bom se o Mc Donald’s tivesse aproveitado a oportunidade para rever a politica dos brindes inclusos no lanche . Acho que seria pedir demais.

 

terça-feira, 31 de maio de 2011

Ministério do Fast Food

fastfood

Fast food não é saudável. Não fui eu quem disse. Foi o seu médico. Já experimentou chegar lá no consultório e contar como você andou abusando dos hamburguers? Lembra da bronca seguida de explicação sobre o risco de aumento do colesterol, hipertensão, obesidade e tantas outras doenças que podem abreviar sua vida? Pois então, fast food não é saudável. Você pode até comer de vez em quando mas não pode ser um hábito alimentar. Pode matá-lo como o cigarro e o álcool. Mesmo sabendo disso muito melhor do que nós o Min. da Saúde firmou uma parceria com a rede Mac Donalds, conhecida mundialmente por engordar a população mundial com calorias vazias , passando a denomina-la “amiga da saúde”. Parece piada do Ronald MacDonald, né? Mas é coisa séria. Ronald conseguiu uma parceria com o governo e um selo de garantia para seus alimentos gordureba. Depois do auê que a divulgação da parceria vem causando o Min. da Saúde divulgou a seguinte nota:

O Ministério da Saúde mantém parceria com 384 empresas brasileiras, de diversos setores, que nos apoiam em iniciativas de promoção da saúde e prevenção de doenças. A participação destes parceiros nos ajuda a ampliar o alcance e a visibilidade de nossas campanhas informativas, mas sem implicar endosso irrestrito do ministério às práticas e condutas das empresas.

Audiências como a registrada na foto postada no Flickr do Ministério – em que o presidente do MCDonald’s na América Latina, Marcelo Rabach, entrega ao ministro Alexandre Padilha uma lâmina de bandeja sobre hábitos saudáveis – são comuns para que as empresas parceiras apresentam seus projetos de promoção da saúde.

Além do apoio à divulgação de nossas campanhas, MC Donald’s já aderiu a acordos entre o MS e a indústria alimentícia para reduzir a proporção de gordura e sódio nos alimentos.

Achei muito interessante a parte que diz “ sem implicar endosso irrestrito do ministério às práticas e condutas das empresas.” Isso quer dizer alguma coisa como O MacDonalds é amigo da saúde mas isso não quer dizer que a rede contribua de qualquer maneira com a saúde propriamente dita? Precisamos gritar contra isso, antes que viremos definitivamente o país da gordura saturada.

Para mais informações leia Frente pela regulação da publicidade de alimentos

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

McLanche Feliz? Não, obrigada.

maclanche
A notícia de que a venda de lanches para crianças com brindes inclusos, o McLanche Feliz, ou  Happy Meal, como é conhecido nos Estados Unidos, foi proibida em São Francisco – a 12a. maior cidade do país – pode ser considerada uma vitória para os defensores de uma alimentação mais saudável. Depois de muito debate e da tentativa de veto por parte do prefeito da cidade, a medida acabou aprovada e agora outras cidades, como Chicago, estudam medidas semelhantes. A proibição determina que somente produtos com menos de 600 calorias e com menos de 35% de gordura . O prato deve conter ainda  metade de um copo de frutas e três quartos de uma xícara de legumes, não pode ultrapassar  640 miligramas de sódio e o limite de gordura trans não pode ultrapassar  0,5 miligramas .

Convenhamos não parece nem um pouco interessante um lanche bomba como o descrito acima. Ainda mais para uma criança que necessita de aproximadamente 1.500 calorias/dia. A quantidade de gordura é exorbitante, assim como sal contidos numa única refeição. Gordura trans nem se fala. Mas, é um começo. Já é tempo de as empresas de fast-food começarem a pensar outras estratégias de vendas e investirem em produtos menos assassinos. A engenharia de alimentos é uma ciência bastante avançada e a indústria alimentícia pode muito bem investir em soluções saúdáveis para manter os lucros.

E quanto a nós? Bem, nós poderíamos ter banido esses lanches dos pratos de nossos filhos há muito tempo e somos os únicos responsáveis pela obesidade das crianças que só comem o que damos a elas. E a saúde do seu filho não pode valer um brinde , pode?



Update: Tem promoção do blog What Mommy Needs, da Carolina Pombo. " Para participar, envie por e-mail ou publique em seu blog (se você também for blogueira/o) uma história de coragem encarnada por uma mãe. Pode ser história real ou inventada, dramática ou bem humorada. Solte a criatividade e a inspiração! Se você é mãe, lembre-se dos momentos mais desafiantes que a maternidade lhe trouxe e solte o verbo! Se não é, também pode participar." Clique aqui e confira! 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Obesidade Infantil

junkiebabies 

Durante muitos anos ouvimos que a desnutrição era um dos maiores problemas mundiais. A Fome, um dos 4 cavaleiros do apocalipse sempre foi muito temida. Agora, parece que as coisas mudaram. Estamos nutridos e saudáveis? Podemos comemorar? Ledo engano.  Segundo pesquisadores  da USP e Unifesp em recente pesquisa “apenas 3% da população acima de 40 anos pode ser enquadrada como subnutrida: 60% dos entrevistados, representantes das classes A e B e 52%, das C, D e E, estão acima do peso”.  A verdade então é esta: estamos gordos.

Os hábitos alimentares e o estilo de vida são os principais culpados desta inversão do estado de coisas. Quando a obesidade não é causada por outros problemas orgânicos, comida gordurosa e vida sedentária tem nos deixado gordos e doentes . O pior é que não só os adultos, seres providos de maturação psicológica e conhecimento para escolher o que devemos comer, estão engordando. A má alimentação de nossas crianças está criando pequenos obesos e comprometendo em muito a saúde de nossos filhos.

obesidadeinfantil

Cada vez mais adotamos o estilo de vida norte-americano, onde gordura saturada e açúcar aliada a sedentarismo. Há decadas dietas milagrosas são usadas sem critério e, que coisa engraçada, não fazem milagre algum. Continuamos acima do peso apesar do que nos promete a propaganda. E por que? Porque continuamos comendo mais do que precisamos e aquilo que não nos nutre. Queremos o corpo de Gisele Bundchen mas comemos como búfalos. Culpa da propaganda? Sim, mas nós temos nossa parcela de responsabilidade.

A propaganda só funciona quando, passivamente, nos deixamos levar. Quem diria, falta de senso crítico engorda. E falta de auto estima também. No Globo Reporter da última semana, o repórter Flávio Fachel entrevistou brasileiros que moram nos Estados Unidos e engordaram em média 15 quilos em um ano comendo com Tio Sam. Leia a transcrição de parte da entrevista :

Os hábitos são difíceis de serem mudados, tanto para quem nasceu nos Estados Unidos, como para quem veio de fora. O argumento do pavimentador Elton Guimarães é o mesmo de muitos americanos: no país das liberdades, quem condenaria o pai que quer fazer a alegria do filho?

“Faço questão, porque eu não tinha isso no Brasil. Eu faço questão que os meus filhos possam escolher se querem tomar ou comer aquelas coisas. Vai depender deles. O importante é que eu possa dar para eles. Faz bem para mim, para o meu ego, como pai”, declara.” ( sublinhou-se e grifou-se)

Alguma dúvida de que o que deve emagrecer em muita gente é o emocional? E quando os pais oferecem aos filhos alimentos sem valor nutricional e cheios de gordura, o que se pode esperar dos futuros adultos? Leitores, o caso é grave, precisamos nos alimentar melhor e deixar e envenenar nossos filhos. Nossa descendência agradece.

Gostou do artigo? Aproveite e assista ao video sobre o assunto produzido pelo Criança e Consumo.

 

* Fontes Oprah.com, Globo Reporter. Imagens – google images

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