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terça-feira, 26 de junho de 2012

Leia os clássicos para seu filho, por favor.





Criança tem uma lógica particular e a todo momento, apesar de acharmos lindo os modos como fala e pensa,  levamos a uma consulta no fonoaudiólogo e a incentivamos a ser racional como um adulto. As crianças de antigamente, tinham mais acesso a histórias  - através de livros ou oralmente transmitidas por pais, tios, avós - que falam da natureza humana, seus sonhos e medos de uma maneira tão poética que até hoje são considerados clássicos. E clássico, apesar do nome dar a ideia de algo sério e, por que não dizer,  tedioso, é somente aquilo que continua a fazer sentido através das gerações. Aquilo que o passar do tempo, a renovação tecnológica,  os ideais de cada era não terminam por liquidar. Então clássico é o aquilo que faz todo o sentido para nós assim como fazia para o pessoal da época em que foi criado. Tão importante quanto ler os clássicos é procurar histórias de encantamento de autores contemporâneas - mas acredite, a maior parte delas trazem referências  ou foram inspirados nos grandes clássicos.

Meu filho tem 4 anos e é um menino de seu tempo. Ama Ben 10 e corridas de fórmula 1, acaba de descobrir-se um boleiro desde que entrou para uma escolhinha de futebol, usa meu tablet melhor do que eu,  e ainda nem sabe ler. A oferta de livros para meu filho é abundante porque eu sou uma leitora compulsiva e , sinceramente, gostaria que um dia ele também fosse um. Meu desejo não passa de coisa de mãe que sonha seus sonhos para o filho, onde ele encontrará satisfação pessoal, na verdade, é assunto dele. Mas, tem uma coisa que, na condição intransferível de mãe, não lhe posso sonegar. Trata-se do direito ao encantamento. E isto é algo em que Ben 10 falha , pois trata-se apenas um incrível menino que se transforma em alienígenas com a ajuda de um relógio e isto é bastante plausível nos dias de hoje. 

Semana  passada apresentei o meu menino à Alice no País das Maravilhas, pois julguei que ele já estava preparado para esta história - até hoje me pergunto se é mesmo para crianças - maluca  e cheia de sentido, de Lewis Carrol. Antes de levá-lo ao teatro para assistir a uma montagem , contei o que eu sabia para ele. Falei dos personagens e, diante do inusitado, ele se interessou. Ainda está na fase maniqueísta que pergunta a todo tempo quem representa o bem e o mal na história para se sentir seguro. Sente medo o representante do mal e simpatia pelo representante do bem. A falta de lógica do País das Maravilhas o deixou absolutamente sem referências: " Por que ninguém deixa Alice beber o chá , esse cara do chapéu é maluco, mãe! Essa  rainha é a do mal? Por que a Alice não volta para casa logo? Ela vai morrer?! Explica, mãe,  por que ela não morreu?"

Respondidas às perguntas, quando cheguei em casa, li um trecho do original de Lewis Carol e passei o desenho de Disney, mais fiel ao texto do que a peça. Ainda pretendo mostrar o filme de Tim Burton mas, antes disso ele precisa formar uma ideia mais concreta da história. 

O personagem preferido do meu filho foi o coelho sempre com pressa, sempre nervoso , sempre fazendo Alice correr atrás dele e, sempre atrasado. A melhor parte foi ver Alice encolher e crescer para passar pela porta logo que cai do buraco na toca do coelho. A melhor parte para mim foi ver seu encantamento com uma história publicada em 1865 . 

Livros que ajudam a criança a largar a chupeta, as fraldas, a lidar com a morte, com a separação dos pais, são importantes para fases pontuais do desenvolvimento. São os livros que estimulam sua fantasia os que ajudarão a formar o ser humano. Por favor, conte clássicos e histórias contemporâneas de encantamento para seus filhos. Ainda que eles não se tornem leitores compulsivos no futuro, terão sido crianças felizes.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Qual sua rotina de leitura com as crianças?



A leitura, esta ferramenta de libertação, é algo importante para muitos pais hoje em dia. Muitas vezes mesmo quem não foi incentivado a ler vê o hábito como primordial para o desenvolvimento dos filhos . Cada família tem seu método para estimular os pequenos a ingressar com prazer no mundo dos livros. Levar a livrarias, bibliotecas, comprar livros quando é possível, gibis, contar histórias com ou sem livros, são maneiras de estimular a leitura. Além de tudo isso ,  existe também a hora da história, aquele horário certo em que os pais lêem para os filhos. Na maioria das vezes a hora da história é a hora de dormir.

Introduzir a hora da história pode ser um pouco complicado como é para estabelecer toda e qualquer rotina . Nem sempre as crianças pequenas estão dispostas e ficar quietinho  pode ser difícil e é importante para ouvir com atenção. A repetição, contudo, é o que vai fazer com que elas acabem se acostumando com aquela horinha boa, em que papai ou mamãe irão sentar para contar com voz leve a pausada as histórias preferidas. Existe ainda um outro inconveniente para o horário rígido: depois que as crianças acostumam com a hora da história, elas fazem questão que o compromisso seja levado à risca. Assim, mesmo se papai ou mamãe estiverem cansados serão obrigados a contar. 

Sou adepta da livre leitura, não faço a hora da história com rigidez mas não pelos motivos descritos acima. São  dois os meus motivos. Prefiro não associar a leitura a um compromisso ao qual devo estar obrigada. Para mim a leitura é um prazer e um hábito que não deve ter horário. O segundo motivo é que eu fico sonolenta todas as vezes que conto histórias à noite. E muitas vezes eu faço a pedidos. O problema é que eu durmo. 

Mas, é claro,  não invalido em absoluto a hora da leitura para as crianças em casa. Só não consigo instituir um horário assim na minha casa. Leio para o meu filho sempre que ele pede e outras vezes sou eu que proponho a leitura. Com horário ou sem horário, o importante é ler. E na sua casa, como funciona? Responda nos comentários e também na nossa enquete no Facebook

segunda-feira, 5 de março de 2012

Você lê mais para seus filhos do que seus pais faziam?



Segundo pesquisa da Câmara Nacional do Livro divulgada no ano passado, o brasileiro está lendo mais e pagando menos pelas publicações. Notícias como essas são animadoras. Ou semi animadoras se começarmos a nos perguntar o que os brasileiros estão lendo tanto . Mas, esta é outra conversa. Se o hábito de ler vem crescendo entre nós será certo dizer que estamos lendo mais para nossos filhos do que nossos pais leram para nós? 

Eu me lembro bem da minha infância com os livros. Não havia rotina de leitura, aquela horinha antes de dormir sagrada . O que havia era oferta abundante e nunca ouvi uma recusa quando pedia para alguém contar uma história. Meus pais eram professores e isso deve fazer alguma diferença. Como consequência, disso e também de eu ser uma curiosa patológica , virei leitora. Se eu leio mais para o meu filho do que meus pais liam para mim? Ainda não sou capaz de dizer. Acho que estou na mesma média. E como a média foi boa, vamos deixar como está.

Mas, voltado à pesquisa da Câmara do Livro, alguns entendem o fenômeno do surgimento da nova classe média como resposta ao aumento da procura de livros. E , se for assim, isso quer dizer que pessoas que não tinham acesso aos livros estão começando a ter, ótimo. Provavelmente seus pais não leram para eles - especulo. Será que eles mudaram os hábitos?

Por mera curiosidade, fiz a pergunta no Facebook e as mães estão respondendo. Se você estiver na rede social , acesse e responda , por favor. Se não estiver  por lá e quiser deixar seu depoimento, use a caixa de comentários. Afinal, você lê mais para seus filhos do que seus pais faziam? 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

As histórias que eu quero contar para o meu filho




Assim como todas as crianças, meu filho é super esperto. Assim como todas as mães, quero para ele o que há de melhor e, se isso não for possível 100% das vezes - como, de fato, não é - quero o melhor  possível. Como boa criança urbana, está a mercê do consumo desenfreado . Ainda que eu me esgoele para tentar evitar, não dá para evitar tudo. Relaxemos, oremos, tentemos.

E tentando alguma coisa me diz que se eu ajudar a formar um leitor conhecedor das coisas do Brasil, as reais coisas do Brasil, as histórias que nos formaram, que nos ajudaram a criar este país continental cheio de problemas e maravilhas, se eu puder ajudar a construir não só um leitor, amante dos livros, da leitura, seja ela digital ou no papel , mas um leitor e cidadão consciente de quem é , onde está , quem foram seus antepassados, o que realmente importa para nós, os brasileiros, não os nova iorquinos. Se eu conseguisse chegar perto disso...

Mas, como ? Que histórias eu poderia contar? Histórias da nossa origem. Qual é mesmo a nossa origem? Portuguesa, indigena, negra, italiana, japonesa, alemã. Tantas origens para um só complexo resultado, tudo junto, misturado e meu filho no meio dessa loucura sendo forçado a acreditar que o que importa é só o que vem de fora. 

Não, eu não sou uma louca xenófoba que só quer falar dos índios e nada mais. Eu sou uma mãe que quer ajudar a construir um filho melhor para o mundo , já que não deu para deixar um mundo melhor para ele. Onde será que eu posso achar essas histórias para ler para o meu filho, histórias contadas desde sempre pelos grupos que ajudaram a formar o Brasil? Algumas nos chegaram sob o nefasto codinome folclore - e minha implicância com esta classificação ficará para uma outra oportunidade - mas outras estão por aí, registradas em alguns livros ou contadas oralmente dentro de alguns poucos grupos. Ah, eu queria poder contar essas histórias...Conhece alguma? 

* imagem Wikipédia 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Lendo os clássicos para as crianças



"Fazia um frio terrível. A neve caía e dali a pouco ficaria escuro. Era o último dia do ano: véspera de ano-novo. Nas ruas frias, escuras, você poderia ver uma pobre menininha sem nada para lhe cobrir a cabeça, e descalça. Bem, é verdade que estava usando chinelos quando saiu de casa. Mas de que adiantavam? Eram chinelos enormes que pertenciam à sua mãe, o que lhe dá uma ideia de como eram grandes. A menina os perdera ao atravessar correndo uma estrada no instante em que duas carruagens avançavam ruidosamente e numa velocidade apavorante. Não conseguiu achar o pé dos chinelos em lugar nenhum, e um menino fugiu com o outro, dizendo que um dia , quando tivesse filhos poderia usá-lo como berço. " 

Assim começa o conto a Pequena vendedora de fósforos , de Hans Christian Andersen, que denúncia a miséria e seus efeitos na Europa do século XIX. Passados 166 anos da sua primeira publicação, o conto resiste como clássico por tratar de um tema humano e ainda não ultrapassado. Eu li essa história quando criança e ela me impressionou muito. De todos os contos infantis é o que mais me marcou. Curiosamente é um dos poucos contos famosos que não teve modernização da Disney. Meu palpite é de que não há como pintar esta triste história de uma maneira palatável para os pequenos. A história é triste e ponto final. Não dá para omitir as partes dolorosas, como no caso de Os três porquinhos, em que dois dos irmãos são comidos pelo lobo com a maior facilidade para no final o próprio lobo virar cozido do terceiro irmão. Do mesmo modo não é possível atenuar o sofrimento como Disney fez com A pequena sereia, que na versão animada não sente terríveis dores nos pés, ao deixar de ser um ser marinho. A pequena vendedora de fósforos morre mesmo no final , de fome, de cansaço e principalmente de frio e falta de amparo. Acho que a leitura dos clássicos infantis é primordial para o desenvolvimento das crianças. A apresentação dos arquétipos e dos debates presentes em cada conto clássico ajudará - este é o meu modesto entender de mãe - as crianças a compreenderem a si mesmos,  ao mundo e seus desafios, além dos outros seres humanos com quem deverão conviver no futuro. 

Mas como, eu me perguntava, deveria apresentar os clássicos para o menino de 3 anos? Não queria a ajuda do audiovisual para dar à imaginação do meu filho a chance de trabalhar e criar imagens mentais das histórias. Então comecei contando  sozinha e dramatizando, sem os livros. Na escola, ao mesmo tempo e por sorte , ele foi sendo apresentado aos contos com o auxílio dos livros nas contações. E agora, a medida que vejo que ele está totalmente familiarizado com cada conto - como o caso dos três porquinhos - eu apresento a versão original. Isso foi um pouco antes de levá-lo para ver uma peça Os três porquinhos, o musical, em que os personagens principais cantam black music. Assim, ele foi capaz de compreender que aquilo era uma outra maneira de contar a mesma história que ele já conhecia de cor. Estava diferente, mas não errado, era uma outra versão. 

Ele não se conforma muito de o caçador, seu personagem principal de Chapeuzinho Vermelho, não aparecer no conto original , afinal o caçador é que pega o lobo. Em uma das  primeiras versões,  além de não haver caçadores, o lobo come não só a vovozinha,  ele come chapeuzinho também. E antes que vocês me chamem de mãe desnaturada que conta clássicos infantis nas versões punk eu explico. Meu filho nunca teve medo do lobo. Nas dramatizações ele sempre É o lobo. Sei onde estou pisando e ele sabe o que está sendo contado. Assim como cada mãe sabe o que pode contar a cada filho em cada momento. 

E para ninguém dizer que eu sou uma mãe louca contra Disney, achei um curta que concorreu ao Oscar em 2007 produzido pelos Estúdios Disney narrando com quase nenhuma modificação do original o conto A Pequena Vendedora de Fósforos. Só pretendo apresentar ao meu filho quando ele já tiver maturidade intelectual suficiente para compreender a tudo o que se passa na história, mas está muito bonito.



Bom essa é minha experiência com os clássicos. Qual a sua? Conte aí nos comentários e apareça para debater este que é o tema da semana no Grupo Rainhas do Livro


* imagem de Arthur Rackham, 1932

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Por que ler para as crianças?



Ler para os filhos é uma coisa boa. Estimular os bichinhos a vivenciarem a experiência da leitura, partilhar com eles esta viagem que nós, os pais leitores já conhecemos bem e que sempre nos acrescenta, é fundamental. Sim, isso todo mundo sabe. Pelo menos quem tem acesso a toda esta informação contida dentro dos objetos de papel com letras e figuras, estas a maior ou menor quantidade.

Mas a pergunta aqui hoje é por que nós lemos? Qual a motivação urgente que nos leva a ler para as crianças? Queremos que elas leiam melhor, isso fará diferença em sua vida escolar , acadêmica e profissional. Queremos que elas aumentem o vocabulário, que tenham uma boa bagagem cultural, que conheçam os clássicos, os nomes dos autores. Partilho desta busca dos pais de hoje em dia, ainda que  não completamente, já que eu sou  tão apaixonada por livros que tudo o que eu queria era que meu filho pudesse descobrir como é bom ler e sentir o mesmo prazer que eu . Coisa que os filhos da Fernanda Reali já descobriram.



A  motivação, contudo, que me deixa intrigada é a da auto ajuda para crianças ou dos livros tipo educativos. Se eu disser que não simpatizo muito com os livros brinquedo vocês podem achar que sou maluca e me chamar de radical. Talvez eu seja mesmo radical e por isso vou ficar na auto ajuda. O consumo é algo tão forte atualmente que é muito comum ver indicações de livros para determinados assuntos a serem " trabalhados" com as crianças, como a morte, o nascimento de um irmão, a troca de escola, o desfralde. Eu realmente vejo esse tipo de indicação com reserva e fico com a impressão de que o livro é um produto descartável como a fralda que a criança está deixando. Este tipo de indicação também passar uma mensagem de que os pais não podem lidar com as questões que os filhos lhe apresentam sem uma muleta, qualquer que seja e que os livros tem um propósito e uma utilidade muito , muito menor que a real. Livros como sabão para roupas, este para as claras, aquele para escuras e um outro para as coloridas. Não consigo gostar dessa ideia. Gosto é de livros, por isso eu leio para o meu filho. 

Divagações a partir de uma conversa com a Ceila Santos e a Luana Franceschi

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Rainhas do Livro



Quem tem visitado o blog nesses últimos dias deve ter notado o selo do grupo Rainhas do Livro aí ao lado. Se vocês ainda não entenderam , eu explico : Dia 31 de outubro foi lançado no Facebook, um projeto, do qual faço parte, direcionado a pais , mães e interessados em debater a formação do novo leitor, a leitura e contação de histórias para crianças. É  o Rainhas do Livro que nasceu do interesse comum das editoras dos blogs Desabafo de mãe, Tem quem goste, Mãememorial e Mãe é tudo igual 

Para conhecer o projeto, se utilizar o Facebook, clique aqui ,  e participe das discussões, elas estão bastante animadas. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Livro digital ou de papel para crianças? A briga é feia



Criança deve ser estimulada a ler. Tá, isso todo mundo sabe. Mas, ler o que? Minha modesta opinião é que deve ler tudo o que puder, tudo o que estiver de acordo com sua idade. Isso inclui os rótulos de margarina, outdoors, etiqueta das roupas e , claro, livros. E os livros digitais , os interativos, devem ser apresentados aos pequenos? Ou será que são coisas que as editoras inventam só para ganhar dinheiro.

Em um debate ocorrido sexta feira passada, dia 26, na Jornada Literária de Passo Fundo/RJ,  participaram Kate Wilson,  editora com experiência de 25 anos , a maior parte deles editando livros infantis,  a crítica Beatriz Sarlo , os escritores Alberto Manguel , escritor argentino naturalizado canadense publicado no Brasil pela Companhia das letras ( confira sua obra aqui)   e Affonso Romano de Sant’Anna. 

O debate virou bate-boca quando Kate Wilson apresentava um aplicativo do livro Cinderela, onde as crianças podem não só ler,como brincar e até trocar cores da apresentação. Uma mostra do conteúdo aplicativo pode ser vista aqui. Abaixo deixo um video de produto semelhante do título Os três porquinhos.  Alberto Manguel, defensor do livro de papel , disse que aquilo "não era livro, era consumo",  Kate Wilson ficou irritada e argumentou que não importa o que as crianças leem desde que leiam com prazer e que cabe a nós (adultos) saber usar a tecnologia. Se eles que são os especialistas estão divididos , imagine nós, pobres pais que olhamos confusos as prateleiras. 


 




Talvez a coisa não esteja nem lá, nem cá. Manguel tem sua razão , do alto dos seus 68 anos. Aquilo é mesmo consumo. Consumo nessa nossa sociedade é o ar que se respira. Mas talvez, Manguel seja também um pouco rabujento. Afinal, o livro apresentado com conteúdo interativo por Wilson é um clássico com conteúdo. Crianças precisam ler os clássicos. Por que não apresentá-los também numa versão interativa, talvez numa terceira etapa, depois de contar a história oralmente, depois de  ser apresentado um livro com o conto? Quanto à fala de Wilson, bem, cá entre nós, interessa sim o que as crianças lêem. Além da tecnologia cabe a nós ajudá-las a escolher o que ler. E essa parte , meus amigos, parece ser uma tarefa e tanto. 

* Artigo escrito através de notícia de Simone Magno para a Rádio CBN . Para ouvir , clique aqui.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Contando Monteiro Lobato para os pequenos

o saci

Entusiasmada, aceitei a tarefa , proposta pelo blog Desabafo de Mãe , de apresentar O Saci de Monteiro Lobato ao meu filho de 3 anos. Pode me chamar de maluca. Afinal, os livros de Lobato são sempre indicados para crianças a partir de 08 anos, não é mesmo? Imaginei que seria difícil mesmo ler de modo linear, toda a história. Mas, como não basta ser mãe , tem que ser criativa , acabei bolando uma estratégia…

Comecei a contar a história no banho, na hora do lanche das brincadeiras. Perguntava: você conhece o saci? Ele pula de uma vez só! Vamos pular como saci? Optei por não apresentar ainda a série da tv para que ele use bastante o imaginário para construir a história na sua cabecinha. Nossos filhos vivem num mundo muito visual, estimular a imaginação ao invés de imagens prontas não deve fazer mal, não é mesmo? Por outro lado, usei abusei das músicas do Sitio do Pica-pau Amarelo. Foi assim que consegui chamar a atenção do Ernesto para O Saci. Uma vez curioso, a chegada do livro passou a ser aguardada.

“Mas, o livro não tem muita figura né, mãe, só letrinhas?” Pois é , este é também um dos pontos levantado pela Ceila do Desabafo de Mãe ao contar sua experiência. Os livros de Lobato não tem muitas figuras e , em contrapartida, tem muitas letrinhas! Fiz então um pequeno resumo da história para montar um livrinho só nosso, com ilustrações do Sr. Ernesto,  o meu Pedrinho. A experiência tem sido legal, temos falado muito sobre O Saci este mês aqui em casa. Assim que terminarmos o livro, eu posto o resultado. #ficadica

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Como você escolhe livros para seus filhos?

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Na quarta-feira passada , falei da conversa com a Ma. Angela Prado de Melo Aranha da Casa de Livros, em São Paulo e tratamos dos novos leitores na era digital. Hoje o blog traz mais um questionamento extraído do papo com Ma. Angela. Como escolher os livros para os filhos?

Blog - Os pais quando chegam na livraria, eles ainda pedem ajuda ao livreiro? Não só no que diz respeito à faixa etária mas também, por exemplo, para apresentar pela primeira vez o livro ao filho?

Ma. Angela -Eles pedem ajuda sim. Aqui na Casa de livros eles pedem ajuda . Eu acho que é importante isso ( procurar saber) o que oferecer desde pequenininho. Se você oferece desde bebê é importante sim, oferecer desde cedo o livro. E eles perguntam : “Ah, mas vai rasgar!” E a gente diz: Não, mas isso também vai fazer parte (do processo). E eles dizem: “ Ah, mas ele vai escolher errado!” E nós respondemos : “Escolher errado faz parte da vida”. No processo de escolha , você só aprende escolhendo. Quanto mais você estiver próximo do seu filho e compartilhar a escolha melhor vai ser o processo de aprendizagem de escolha por um livro.

Gostei da parte em que Ma. Angela diz que errar faz parte. Faz mesmo não é? E fiquei pensando sobre o que quero para meu filho. Quero que seja culto e ponto final? Quero instrumentalizá—lo para que possa conhecer a si mesmo e ao mundo quando os questionamentos chegarem? Quero que ele passe no vestibular? Quero que ele seja feliz?

Li Memórias de uma moça bem comportada , de Simone de Beauvoir muitos anos antes de pensar em ser mãe . A primeira parte da obra, quando Simone conta sua infância, me chamou muito a atenção. Simone conta que seus pais, traçaram um planejamento para instruí-la, fazendo listas dos livros que deveria ler, classificados por idade. Não adiantava a menina querer ler livros antes da época, mas precisava ler todos os propostos para cada período. Será que a tática dos pais de Simone, Georges Bertrand de Beauvoir, um advogado em tempo integral e ator amador, e Françoise Brasseur, filha de um banqueiro foi a chave para criar não só uma pessoa culta, como uma pensadora, filósofa  e organizadora de uma corrente de pensamento revolucionária e que ainda está em debate? Tenho um palpite de que havia alguma coisa ali dentro da pequena Simone que a leitura habilmente despertou. Os livros ajudaram a construir a grande Simone. Livros e sinapses.

Mas, e euzinha?  Será que posso criar um projeto de vida baseado nos livros para meu filho, independente das escolhas de vida que ele venha a fazer – seja ele um filósofo importante ou um médico, bancário, piloto de avião, design ou engenheiro? Caso afirmativo, como escolher esses livros? Os pais de Simone tinham suas listas. Como farei as minhas? Eu tenho escolhido de acordo com minha experiência como leitora, professora e criança – sim, eu tb já fui uma – algumas indicações de outras mães e da mídia e visitas à livrarias com ele. Assim como Ma. Angela, acredito que estar próxima e compartilhar a escolha é muito importante também. E você , como escolhe as leituras de seu filho?

Para ler toda a conversa com Ma. Angela Prado de Melo Aranha clique aqui

* imagem google images -  na foto a pequena leitora que se transformaria na grande Simone de Beauvoir

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Livro convencional para criança digital?

imagem-de-uma-crianca-na-frente-de-um-pc

O tempo todo ouvimos que as novas tecnologias vão sepultar os livros. Desde a impressão da Bíblia por  Guttemberg em 1456, parece que esta é a primeira vez em que o livro tem sua morte anunciada. As crianças já seguram o mouse junto com a mamadeira. E os livros? Será que haverá espaço para eles? Para tentar responder a esta indagação, fui ouvir uma dona de livraria infantil. Se as crianças não querem mais ler livros convencionais alguém como ela deve estar sabendo. Ma Angela Prado de Melo Aranha é sócia da Casa de Livros, especializada em literatura infanto-juvenil e aposta em projetos para ajudar no desenvolvimento do novo leitor e gentilmente aceitou tirar dúvidas de mãe. Do bate-papo retirei duas questões para debater no blog, a primeira lanço hoje dentro do projeto Rainhas do Livro. Veja o que disse Ma. Angela a respeito do livro X computador:

Blog -Como o livreiro vê a chegada das crianças desta geração que já nascem adaptadas às tecnologias novas? O leitor pequeno ainda se encanta com o livro de papel? Será que ele ainda está se apaixonando pelo livro?

Ma. Angela - Com certeza. Existe uma cultura habitual de transformar tudo o que é novidade na única opção e a linguagem possível. É uma cultura do novo, uma cultura fast-food, sabe? Consome rápido, também termina rápido. É tudo muito rápido o que as pessoas querem. Um leitor você não forma de um dia para o outro. Claro que as crianças tem facilidade de lidar com tecnologia mas a gente tem obrigação , como pai, como cidadão , como ser humano, de mostrar e apontar para esta criança que esta é apenas uma linguagem e não a linguagem. Da mesma maneira que existe a cultura do olhar, o olhar da mãe significa para ela ( a criança) o primeiro contato com o mundo. A mãe, o pai , tem que mostrar a ela que não é só o computador ( que existe) . E o encantamento com o livro acontece do mesmo jeito que o que acontece com a boneca, com o carrinho, se você oferecer.

Um leitor não se forma de um dia para o outro . Leitura é um hábito, que se forma ao longo de algum tempo. Achar que a criança que gosta de brincar no computador não vai gostar de ler por só gostar do imediato, com apelos sonoros e visuais talvez seja menosprezar o intelecto do pequeno. Dando tempo – e livros – á criança, o amor pela leitura terá grandes chances de acontecer.

o encantamento com o livro acontece … se você oferecerOferecer o livro à criança, para que ela experimente, vivencie a leitura  - de preferência o mais cedo possível – facilitará seu envolvimento com a leitura.

Da conversa com Ma Angela extraí que os livros continuarão vivos por um tempo. E ainda que um dia eles deixem de ser usados, o amor pela leitura – num notebook, palmtop, Ipad ou feixe de luz – precisa ser estimulado. E você , o que acha?

Para ouvir a conversa do Blog com Ma. Angela Prado de Melo Aranha clique aqui

Imagem google images

 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Exemplos que dou, exemplos que sou

ernestolendoedited

 

A Luana, do blog Mãememorial propôs um debate muito interessante após refletir sobre a conversa que teve com o professor aposentado , colaborador da UNICAMP e blogueiro Ezequiel Theodoro da Silva – leia aqui. Segundo o Prof. Ezequiel, a formação do hábito da leitura na infância está intimamente ligada à rotina familiar de leitura. Assim, pais apaixonados por livros teriam boas chances de criar crianças igualmente apaixonadas. Luana levanta a questão e nos chama a partilhar nossas histórias pessoais de leitura.

Meu filho ainda não lê #aos3, mas já faz leitura compartilhada na escola, em um grupinho chamado Clube de Leitura. Lá, semanalmente, ele é convidado a escolher um livrinho para trazer para casa e ler durante o fim de semana. Segundo a escola é uma maneira de introduzir o livro na rotina da crianças. E nessa rotina , deixo ele curtir seu barato e dar as cartas. O que ele gosta de fazer é pegar o livrinho e contar a história à sua maneira, inventando princípio, meio e fim de acordo com as imagens e sua imaginação. Depois é a minha vez sendo que o  meu encargo é contar para ele o que “está escrito no livrinho”. Antes de dormir preciso inventar e contar histórias “ sem livro” com seus personagens preferidos: o trem – que eu já citei em um artigo anterior – o sapo, o jacaré e os carrinhos de corrida. Haja imaginação da mãe sonolenta, mas a brincadeira só termina quando o pequeno pega no sono, o que por sorte, acontece em minutos.

Não sei se meu exemplo de leitora apaixonada fará dele um leitor, mas tenho esperança e acredito que a criança é  mesmo o que vivencia.  Meu marido não é um amante dos livros, lê somente livros técnicos ou algo muito específico. Daí o minha dúvida: para onde penderá a balança , será que a paixão pelos livros seguirá a empolgação que hoje ele sente com seus livrinhos coloridos? Enquanto a resposta não vem , aproveito para levar meu filho sempre a livrarias e me esparramar no chão para escolher as leituras. O próximo passo é passar a frequentar a biblioteca do bairro e começar a montar nossos próprios livros ilustrados com papel A4 e giz de cera. Como vocês podem ver eu não pretendo me entregar sem lutar.

Se quiser continuar a conversa além dos comentários deste artigo , visite o blog Mãememorial e deixe o link do seu artigo sobre o tema.

* Este texto é parte do projeto Rainhas do Livro.

 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobre Contar Histórias

child-reading
Sou suspeita para falar sobre literatura porque é a minha grande paixão. Mas, se um apaixonado não pode falar sobre o objeto de seu amor, quem poderá? Então cá  estou , uma mãe como todas as outras,  falando das histórias que contamos a nossos filhos. Contamos as criadas por outros, há séculos atrás, ou criadas por algum autor da  nossa infância,  aquelas dos autores novos que nos encantaram já adultos e, claro, contamos também as nossas próprias histórias, criadas no improviso para surpreender os pequenos ou narrar uma aventura sobre algo que eles já conhecem e gostam muito.

Meu filho, por exemplo,  adora tudo que se relacione a trens, absolutamente tudo. Chegou uma época em que tive que inventar uma história do trenzinho que levava todo mundo para passear pela floresta, desde o peixinho do lago , até a estrela do céu. Só assim ele dormia sonhando com seu amigo, o trenzinho. Depois de um mês contando a história todas as noites e acrescentando sempre alguns novos personagens e roteiros de viagem para dar mais emoção, o Ernesto exclamou aflito: “Mãe, trem não fala, ele não pode!!” Precisei responder como um contador de histórias que  “No mundo da imaginação tudo pode, e o trem pode falar , sim! “ Aliviado, meu menininho dormiu com os anjinhos passeando de trem falante.  Enquanto eu fechava a porta do quarto pensava na boa de que me livrei tendo assim uma resposta na ponta da lingua, uma resposta que saiu assim , sem mais nem menos, uma vez pressionada pela lógica infantil. Trem não fala.

Eu não sabia mas tinha achado uma coisa muito importante da qual Regina Machado, contadora de histórias, fala na entrevista concedida ao blog Desabafo de Mãe de Ceila Santos e Sueli Sueishi. Quando assisti ao video fiquei encantada por descobrir em mim tamanho poder de encantamento. Poder sim, de levar meu filho a voar pelo mundo da fantasia tão necessário ao seu desenvolvimento. Mas melhor que falar sobre a entrevista é convidá-los a assistir ao video e passar a participar de algumas conversas como esta que virão nas próximas semanas a partir de 6 mães blogueiras. Eis nosso projeto denominado Rainhas do Livro. E, por que Rainhas do Livro? Estamos falando do mundo da imaginação, lá tudo pode. E já que estamos por lá, conheça A Lenda das Areias extraído de Acordais, livro de Regina Machado ,  e,  puxando o fio da meada blog a blog, conheça todas as Rainhas . Depois, me diga o que achou.

A Lenda das Areias

Era uma vez um rio, um pequeno fiozinho de água que um dia nasceu no pico de uma montanha muito alta.
Pois nem bem nasceu, aquele riachinho cismou que queria conhecer o mar. E foi descendo a montanha, curioso com tudo que via pelo caminho. Foi crescendo, ganhando mais água, foi virando um rio de verdade. Depois de um tempão, chegou ao pé da montanha e deu de cara com um montão de areia. Olhou para um lado, areia. Olhou para outro, areia. Olhou pra frente, areia. A perder de vista, por toda parte, um grande deserto. Não havia outro jeito. Para chegar até o mar, lá longe, ele tinha que atravessar aquelas areias. Ele bem que tentou, mas por mais que se esforçasse, não conseguia seguir adiante. Suas águas se afundavam nas areias. Quanto mais força, ele fazia, mais para dentro delas ele era levado

Leia a parte 2 no blog da Letícia – Pelos Cotovelos e cotovelinhos;
Leia a parte 3 no blog da Luana – Mãememorial
A  parte 4 está no blog da Isabella – Tem quem goste
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