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terça-feira, 1 de abril de 2014

O mágico de OZ - clássicos para crianças



No que diz respeito a livros, tenho convicção de que devemos apresentar primeiro a fruta, depois o doce. Com a experiência de ler o clássico O mágico de Oz de L. Frank Braum, texto original com edição da Zahar,  veja aqui um trecho, para meu filho antes dele assistir ao filme de Judy Garland ou qualquer outra adaptação, acredito ter feito um bom trabalho. Por que? As adaptações , por mais palatáveis e fofas que sejam , sempre suprimem partes importantes - e acrescentam outras nem tanto - às obras literárias acabando por mudar o espírito do livro. Depois que o original for conhecido e vivenciado, aí sim, tudo é possível e podemos nos lançar às modificações.



Ouvindo todas as noites, antes de dormir, a história da menina que matou uma bruxa com uma casa levantada por um ciclone, matou outra com um balde de água e junto com outros amigos procurou durante todo o tempo, com muitas aventuras, por coisas que já possuíam, fez meu filho compreender a moral da história sem complicações e tirar outras conclusões não tão óbvias e pessoais. Conhecer o livro como ele é, aproximar-se dele antes de dar de cara com adaptações é enriquecedor. Só assim ele pode estranhar tantos personagens no início do filme de Victor Fleming - afinal a fazenda do Kansas era tão paradona com apenas tia Em, tio Henry e Totó. Ah, mas todos os personagens servem apenas para justificar o final. Tudo não passou de um sonho. "Ah, assim não tem graça mamãe, o que aconteceu em OZ era verdade!" Sim, era verdade para o livro e ficção para o cinema. Criança vai escolher sempre a verdade não é mesmo? ;-)

Mas, é claro, a linguagem cinematográfica sempre encanta e tem recursos que o livro não tem. Por isso o filme, e a canção Over the Rainbow de Harold Harlen que completam 75 anos em 2014 inesquecíveis. Vale a pena mostrar às crianças.





Como ler para as crianças? Recomendo ler os clássicos com entonação de aventura e interpretação de todos os sobressaltos da trama. Os pequenos adoram e os futuros leitores que eles serão agradecem .Depois do último capítulo de Oz, ouvi do meu filho: " E agora, onde vamos achar um livro tão bom como este, mamãe? Abrimos Alice no país das maravilhas para ver se surte o mesmo efeito.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Henfil para crianças ( papais e mamães)



De todos os presentes que meu filho ganhou no aniversário, o preferido da mamãe , e top 5 do pequeno, foi a coleção SAPO IVAN  do cartunista Henfil com  textos que estavam guardados na gaveta de Ivan Cosenza de Souza, filho único de Henfil, haviam sido publicados nos anos 80 em pano. Aos 30 anos Ivan, achou que já tinha passado da hora de lançar os livros que revelam uma faceta ainda não conhecida de Henfil,  conhecido e reconhecido pelas tirinhas de contestação - eu também sou uma órfã da Graúna . 





As histórias do Sapo Ivan foram criadas por Henfil, enquanto estava nos Estados Unidos fazendo tratamento para a hemofilia e distante do filho pequeno que deixou no Brasil. O Sapo Ivan pulou da imaginação genial de Henfil para o papel e os desenhos eram enviados a Ivan pelo correio . Um pai querendo alegrar e distrair e se comunicar com o filho. "Acho que elas são importantes pela novidade de ser um trabalho voltado para um público infantil. É um trabalho que com certeza vai fazer sucesso e teria feito se tivesse sido lançado, um trabalho diferente do que o Brasil estava acostumado a ver", disse Ivan." em matéria publicada no site da editora Saraiva.


Fico imensamente feliz que Ivan Consenza de Sousa tenha decidido lançar esta obra. A caixinha que filhote ganhou trouxe os títulos O Sapo que queria beber leite, Sapo Ivan e Olavo, Sapo Ivan e Ananias, Sapo Ivan e o coração. Foram lançados ainda outros 8 títulos que comprarei assim que entrar na próxima livraria. 

A coleção Sapo Ivan é uma preciosidade, daqueles livros que trazem a chave do encantamento real.  Recomendo a leitura e se existir uma boa biblioteca pública por perto, a coleção deverá estar por lá pois foi está na lista da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. 


terça-feira, 26 de junho de 2012

Leia os clássicos para seu filho, por favor.





Criança tem uma lógica particular e a todo momento, apesar de acharmos lindo os modos como fala e pensa,  levamos a uma consulta no fonoaudiólogo e a incentivamos a ser racional como um adulto. As crianças de antigamente, tinham mais acesso a histórias  - através de livros ou oralmente transmitidas por pais, tios, avós - que falam da natureza humana, seus sonhos e medos de uma maneira tão poética que até hoje são considerados clássicos. E clássico, apesar do nome dar a ideia de algo sério e, por que não dizer,  tedioso, é somente aquilo que continua a fazer sentido através das gerações. Aquilo que o passar do tempo, a renovação tecnológica,  os ideais de cada era não terminam por liquidar. Então clássico é o aquilo que faz todo o sentido para nós assim como fazia para o pessoal da época em que foi criado. Tão importante quanto ler os clássicos é procurar histórias de encantamento de autores contemporâneas - mas acredite, a maior parte delas trazem referências  ou foram inspirados nos grandes clássicos.

Meu filho tem 4 anos e é um menino de seu tempo. Ama Ben 10 e corridas de fórmula 1, acaba de descobrir-se um boleiro desde que entrou para uma escolhinha de futebol, usa meu tablet melhor do que eu,  e ainda nem sabe ler. A oferta de livros para meu filho é abundante porque eu sou uma leitora compulsiva e , sinceramente, gostaria que um dia ele também fosse um. Meu desejo não passa de coisa de mãe que sonha seus sonhos para o filho, onde ele encontrará satisfação pessoal, na verdade, é assunto dele. Mas, tem uma coisa que, na condição intransferível de mãe, não lhe posso sonegar. Trata-se do direito ao encantamento. E isto é algo em que Ben 10 falha , pois trata-se apenas um incrível menino que se transforma em alienígenas com a ajuda de um relógio e isto é bastante plausível nos dias de hoje. 

Semana  passada apresentei o meu menino à Alice no País das Maravilhas, pois julguei que ele já estava preparado para esta história - até hoje me pergunto se é mesmo para crianças - maluca  e cheia de sentido, de Lewis Carrol. Antes de levá-lo ao teatro para assistir a uma montagem , contei o que eu sabia para ele. Falei dos personagens e, diante do inusitado, ele se interessou. Ainda está na fase maniqueísta que pergunta a todo tempo quem representa o bem e o mal na história para se sentir seguro. Sente medo o representante do mal e simpatia pelo representante do bem. A falta de lógica do País das Maravilhas o deixou absolutamente sem referências: " Por que ninguém deixa Alice beber o chá , esse cara do chapéu é maluco, mãe! Essa  rainha é a do mal? Por que a Alice não volta para casa logo? Ela vai morrer?! Explica, mãe,  por que ela não morreu?"

Respondidas às perguntas, quando cheguei em casa, li um trecho do original de Lewis Carol e passei o desenho de Disney, mais fiel ao texto do que a peça. Ainda pretendo mostrar o filme de Tim Burton mas, antes disso ele precisa formar uma ideia mais concreta da história. 

O personagem preferido do meu filho foi o coelho sempre com pressa, sempre nervoso , sempre fazendo Alice correr atrás dele e, sempre atrasado. A melhor parte foi ver Alice encolher e crescer para passar pela porta logo que cai do buraco na toca do coelho. A melhor parte para mim foi ver seu encantamento com uma história publicada em 1865 . 

Livros que ajudam a criança a largar a chupeta, as fraldas, a lidar com a morte, com a separação dos pais, são importantes para fases pontuais do desenvolvimento. São os livros que estimulam sua fantasia os que ajudarão a formar o ser humano. Por favor, conte clássicos e histórias contemporâneas de encantamento para seus filhos. Ainda que eles não se tornem leitores compulsivos no futuro, terão sido crianças felizes.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Lendo os clássicos para as crianças



"Fazia um frio terrível. A neve caía e dali a pouco ficaria escuro. Era o último dia do ano: véspera de ano-novo. Nas ruas frias, escuras, você poderia ver uma pobre menininha sem nada para lhe cobrir a cabeça, e descalça. Bem, é verdade que estava usando chinelos quando saiu de casa. Mas de que adiantavam? Eram chinelos enormes que pertenciam à sua mãe, o que lhe dá uma ideia de como eram grandes. A menina os perdera ao atravessar correndo uma estrada no instante em que duas carruagens avançavam ruidosamente e numa velocidade apavorante. Não conseguiu achar o pé dos chinelos em lugar nenhum, e um menino fugiu com o outro, dizendo que um dia , quando tivesse filhos poderia usá-lo como berço. " 

Assim começa o conto a Pequena vendedora de fósforos , de Hans Christian Andersen, que denúncia a miséria e seus efeitos na Europa do século XIX. Passados 166 anos da sua primeira publicação, o conto resiste como clássico por tratar de um tema humano e ainda não ultrapassado. Eu li essa história quando criança e ela me impressionou muito. De todos os contos infantis é o que mais me marcou. Curiosamente é um dos poucos contos famosos que não teve modernização da Disney. Meu palpite é de que não há como pintar esta triste história de uma maneira palatável para os pequenos. A história é triste e ponto final. Não dá para omitir as partes dolorosas, como no caso de Os três porquinhos, em que dois dos irmãos são comidos pelo lobo com a maior facilidade para no final o próprio lobo virar cozido do terceiro irmão. Do mesmo modo não é possível atenuar o sofrimento como Disney fez com A pequena sereia, que na versão animada não sente terríveis dores nos pés, ao deixar de ser um ser marinho. A pequena vendedora de fósforos morre mesmo no final , de fome, de cansaço e principalmente de frio e falta de amparo. Acho que a leitura dos clássicos infantis é primordial para o desenvolvimento das crianças. A apresentação dos arquétipos e dos debates presentes em cada conto clássico ajudará - este é o meu modesto entender de mãe - as crianças a compreenderem a si mesmos,  ao mundo e seus desafios, além dos outros seres humanos com quem deverão conviver no futuro. 

Mas como, eu me perguntava, deveria apresentar os clássicos para o menino de 3 anos? Não queria a ajuda do audiovisual para dar à imaginação do meu filho a chance de trabalhar e criar imagens mentais das histórias. Então comecei contando  sozinha e dramatizando, sem os livros. Na escola, ao mesmo tempo e por sorte , ele foi sendo apresentado aos contos com o auxílio dos livros nas contações. E agora, a medida que vejo que ele está totalmente familiarizado com cada conto - como o caso dos três porquinhos - eu apresento a versão original. Isso foi um pouco antes de levá-lo para ver uma peça Os três porquinhos, o musical, em que os personagens principais cantam black music. Assim, ele foi capaz de compreender que aquilo era uma outra maneira de contar a mesma história que ele já conhecia de cor. Estava diferente, mas não errado, era uma outra versão. 

Ele não se conforma muito de o caçador, seu personagem principal de Chapeuzinho Vermelho, não aparecer no conto original , afinal o caçador é que pega o lobo. Em uma das  primeiras versões,  além de não haver caçadores, o lobo come não só a vovozinha,  ele come chapeuzinho também. E antes que vocês me chamem de mãe desnaturada que conta clássicos infantis nas versões punk eu explico. Meu filho nunca teve medo do lobo. Nas dramatizações ele sempre É o lobo. Sei onde estou pisando e ele sabe o que está sendo contado. Assim como cada mãe sabe o que pode contar a cada filho em cada momento. 

E para ninguém dizer que eu sou uma mãe louca contra Disney, achei um curta que concorreu ao Oscar em 2007 produzido pelos Estúdios Disney narrando com quase nenhuma modificação do original o conto A Pequena Vendedora de Fósforos. Só pretendo apresentar ao meu filho quando ele já tiver maturidade intelectual suficiente para compreender a tudo o que se passa na história, mas está muito bonito.



Bom essa é minha experiência com os clássicos. Qual a sua? Conte aí nos comentários e apareça para debater este que é o tema da semana no Grupo Rainhas do Livro


* imagem de Arthur Rackham, 1932

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os melhores livros do ano da Crescer – É um livro

 É um livro - Lane Smith

Um burro geek encontra um sujeito à moda antiga. É um macado que lê livros de papel, coisa estranha. Com muito bom humor , Lane Smith, artista plástico e ilustrador norte-americano, que foi faxineiro da Disneylândia por 5 anos antes de ilustrar A verdadeira história dos três porquinhos, de Jon Scieszka e vender milhões de livros, apresenta este curioso objeto, o livro, às crianças da era digital. É um livro figurou durante  6 semanas na lista dos mais vendidos do The New York Times e dá para entender o motivo : ele mexe com uma dúvida nossa recorrente: Os livros estão com os dias contados? É um livro nos mostra que não.  Abaixo um trecho de uma animação da obra dá uma boa ideia do conteúdo.
A revista Crescer indica a partir dos 5 anos e o preço sugerido é R$ 29,50.  Publicado no Brasil pela Companhia das Letrinhas.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Contando Monteiro Lobato para os pequenos

o saci

Entusiasmada, aceitei a tarefa , proposta pelo blog Desabafo de Mãe , de apresentar O Saci de Monteiro Lobato ao meu filho de 3 anos. Pode me chamar de maluca. Afinal, os livros de Lobato são sempre indicados para crianças a partir de 08 anos, não é mesmo? Imaginei que seria difícil mesmo ler de modo linear, toda a história. Mas, como não basta ser mãe , tem que ser criativa , acabei bolando uma estratégia…

Comecei a contar a história no banho, na hora do lanche das brincadeiras. Perguntava: você conhece o saci? Ele pula de uma vez só! Vamos pular como saci? Optei por não apresentar ainda a série da tv para que ele use bastante o imaginário para construir a história na sua cabecinha. Nossos filhos vivem num mundo muito visual, estimular a imaginação ao invés de imagens prontas não deve fazer mal, não é mesmo? Por outro lado, usei abusei das músicas do Sitio do Pica-pau Amarelo. Foi assim que consegui chamar a atenção do Ernesto para O Saci. Uma vez curioso, a chegada do livro passou a ser aguardada.

“Mas, o livro não tem muita figura né, mãe, só letrinhas?” Pois é , este é também um dos pontos levantado pela Ceila do Desabafo de Mãe ao contar sua experiência. Os livros de Lobato não tem muitas figuras e , em contrapartida, tem muitas letrinhas! Fiz então um pequeno resumo da história para montar um livrinho só nosso, com ilustrações do Sr. Ernesto,  o meu Pedrinho. A experiência tem sido legal, temos falado muito sobre O Saci este mês aqui em casa. Assim que terminarmos o livro, eu posto o resultado. #ficadica

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Os melhores livros do ano da Crescer – A vida secreta das árvores

Um livro de arte contando lendas indianas sobre árvores e animais com gravuras e o mundo espiritual feitas em silk screen e encadernado a mão. Os autores : três dos maiores artistas gonde ( uma comunidade que tradicionalmente trabalha muito a arte visual e que habita a India Central) . O resultado? Não é um livro, minha gente, é uma experiência para crianças e adultos. A vida secreta das árvores de Bhajju Shyam, Durge Bai e Ram Sigh Urveti editado no Brasil pela WMF Martins Foontes é tradução de encantamento. O preço é salgado R$ 65,00. - Por que livros são tão caros? Não me canso de perguntar isso. Não acho que o fato de ter valor como obra visual além de literária seja uma boa explicação. Quanto mais enriquecedor o tema do livro , mais gente deveria ter acesso-  Mas vale para quem puder pagar e desejar ter em casa essa beleza.

vida secreta 3

 

Um detalhe: apesar de constar na ficha bibliográfica do livro o assunto literatura infanto- juvenil – lendas e do livro ter recebido o selo ALTAMENTE RECOMENDÁVEL da Fundação Nacional do Livro Infantil 2011 e  estar na lista da revista Crescer de livros infantis, em muitas livrarias você só o encontrará na prateleira de ARTE, o que eu considero um tremendo erro . Ainda que seja artístico do ponto de vista visual, o livro é infantil. Alguma incompatibilidade nisso? Alô Saraiva, alô Submarino.com, vamos organizar as prateleiras ?

 

Abaixo você confere um video com legendas em inglês  mostrando um pouco da confecção de A vida secreta das árvores.

 

Link do livro no Skoob

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os melhores livros do ano da Crescer : O Livro Redondo de Caulos



Redondo, redondinho. Assim é o livro do do artista plástico e cartunista Caulos, O Livro Redondo. Bola, balão, laranja – tudo cabe numa caixa quadrada, mas são redondos como o nosso mundo – como o nariz do palhaço, a gema do ovo, a roda da bicicleta, a lua cheia no céu. Após “enquadrar” páginas de diversão na frente dos olhos da criançada como fez com O Livro Quadrado, Caulos traz as redondices coloridas do nosso planeta em O livro redondo. O livro , apresenta e brinca com a forma para crianças que estão descobrindo o livro, para as que estão descobrindo as letras e para as já crescidas que estão lendo para os filhos. Uma delícia de livro para apresentar seu pequeno no mundo das formas e do raciocínio lógico.




E o  Livro Redondo, da editora Rocco, nas livrarias com preço sugerido de R$ 29,00, foi também selecionado para o PNBE 2010. Sabe o que quer dizer  PNBE?  É o Programa Nacional Biblioteca da Escola . Os livros escolhidos pelo MEC são distribuídos para escolas municipais, estaduais e federais que atendem ao ensino fundamental e/ou médio e às instituições de educação infantil (creches e pré-escolas). No total foram selecionados no ano passado 250 títulos de 100 diferentes editoras .Isso quer dizer que Livro Redondo deve estar na biblioteca mais próxima.








Caulos – nome artístico de Luis Carlos Coutinho – mineiro de Araguari, nasceu em 1943,  em Minas Gerais, e vive no Rio de Janeiro. Foi piloto da Marinha Mercante e hoje é pintor. Publicou, nos anos 70, desenhos de humor em revistas e jornais do Brasil (como O Pasquim) e no exterior. A partir da década de 80, passou a se dedicar exclusivamente à pintura, fazendo exposições individuais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o MAM, nas Galerias Bonino e Ipanema e na Bolsa de Arte de Porto Alegre. Nas pesquisas sobre o autor acabei achando um outro livro que me deixou apaixonada .  É O segredo de Magritte, da coleção Pintando o Sete, também da editora Rocco. Sou apaixonada pela obra do belga René Magritte e sua apresentação para crianças por Caulos é belíssima e bem humorada. A coleção tem ainda outros 3 títulos para crianças a partir de 7 anos. O jardim da infância de Matisse, Seurat e o arco-íris e Mondrian, o holandês voador.  Fica a dica.



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Livro convencional para criança digital?

imagem-de-uma-crianca-na-frente-de-um-pc

O tempo todo ouvimos que as novas tecnologias vão sepultar os livros. Desde a impressão da Bíblia por  Guttemberg em 1456, parece que esta é a primeira vez em que o livro tem sua morte anunciada. As crianças já seguram o mouse junto com a mamadeira. E os livros? Será que haverá espaço para eles? Para tentar responder a esta indagação, fui ouvir uma dona de livraria infantil. Se as crianças não querem mais ler livros convencionais alguém como ela deve estar sabendo. Ma Angela Prado de Melo Aranha é sócia da Casa de Livros, especializada em literatura infanto-juvenil e aposta em projetos para ajudar no desenvolvimento do novo leitor e gentilmente aceitou tirar dúvidas de mãe. Do bate-papo retirei duas questões para debater no blog, a primeira lanço hoje dentro do projeto Rainhas do Livro. Veja o que disse Ma. Angela a respeito do livro X computador:

Blog -Como o livreiro vê a chegada das crianças desta geração que já nascem adaptadas às tecnologias novas? O leitor pequeno ainda se encanta com o livro de papel? Será que ele ainda está se apaixonando pelo livro?

Ma. Angela - Com certeza. Existe uma cultura habitual de transformar tudo o que é novidade na única opção e a linguagem possível. É uma cultura do novo, uma cultura fast-food, sabe? Consome rápido, também termina rápido. É tudo muito rápido o que as pessoas querem. Um leitor você não forma de um dia para o outro. Claro que as crianças tem facilidade de lidar com tecnologia mas a gente tem obrigação , como pai, como cidadão , como ser humano, de mostrar e apontar para esta criança que esta é apenas uma linguagem e não a linguagem. Da mesma maneira que existe a cultura do olhar, o olhar da mãe significa para ela ( a criança) o primeiro contato com o mundo. A mãe, o pai , tem que mostrar a ela que não é só o computador ( que existe) . E o encantamento com o livro acontece do mesmo jeito que o que acontece com a boneca, com o carrinho, se você oferecer.

Um leitor não se forma de um dia para o outro . Leitura é um hábito, que se forma ao longo de algum tempo. Achar que a criança que gosta de brincar no computador não vai gostar de ler por só gostar do imediato, com apelos sonoros e visuais talvez seja menosprezar o intelecto do pequeno. Dando tempo – e livros – á criança, o amor pela leitura terá grandes chances de acontecer.

o encantamento com o livro acontece … se você oferecerOferecer o livro à criança, para que ela experimente, vivencie a leitura  - de preferência o mais cedo possível – facilitará seu envolvimento com a leitura.

Da conversa com Ma Angela extraí que os livros continuarão vivos por um tempo. E ainda que um dia eles deixem de ser usados, o amor pela leitura – num notebook, palmtop, Ipad ou feixe de luz – precisa ser estimulado. E você , o que acha?

Para ouvir a conversa do Blog com Ma. Angela Prado de Melo Aranha clique aqui

Imagem google images

 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Exemplos que dou, exemplos que sou

ernestolendoedited

 

A Luana, do blog Mãememorial propôs um debate muito interessante após refletir sobre a conversa que teve com o professor aposentado , colaborador da UNICAMP e blogueiro Ezequiel Theodoro da Silva – leia aqui. Segundo o Prof. Ezequiel, a formação do hábito da leitura na infância está intimamente ligada à rotina familiar de leitura. Assim, pais apaixonados por livros teriam boas chances de criar crianças igualmente apaixonadas. Luana levanta a questão e nos chama a partilhar nossas histórias pessoais de leitura.

Meu filho ainda não lê #aos3, mas já faz leitura compartilhada na escola, em um grupinho chamado Clube de Leitura. Lá, semanalmente, ele é convidado a escolher um livrinho para trazer para casa e ler durante o fim de semana. Segundo a escola é uma maneira de introduzir o livro na rotina da crianças. E nessa rotina , deixo ele curtir seu barato e dar as cartas. O que ele gosta de fazer é pegar o livrinho e contar a história à sua maneira, inventando princípio, meio e fim de acordo com as imagens e sua imaginação. Depois é a minha vez sendo que o  meu encargo é contar para ele o que “está escrito no livrinho”. Antes de dormir preciso inventar e contar histórias “ sem livro” com seus personagens preferidos: o trem – que eu já citei em um artigo anterior – o sapo, o jacaré e os carrinhos de corrida. Haja imaginação da mãe sonolenta, mas a brincadeira só termina quando o pequeno pega no sono, o que por sorte, acontece em minutos.

Não sei se meu exemplo de leitora apaixonada fará dele um leitor, mas tenho esperança e acredito que a criança é  mesmo o que vivencia.  Meu marido não é um amante dos livros, lê somente livros técnicos ou algo muito específico. Daí o minha dúvida: para onde penderá a balança , será que a paixão pelos livros seguirá a empolgação que hoje ele sente com seus livrinhos coloridos? Enquanto a resposta não vem , aproveito para levar meu filho sempre a livrarias e me esparramar no chão para escolher as leituras. O próximo passo é passar a frequentar a biblioteca do bairro e começar a montar nossos próprios livros ilustrados com papel A4 e giz de cera. Como vocês podem ver eu não pretendo me entregar sem lutar.

Se quiser continuar a conversa além dos comentários deste artigo , visite o blog Mãememorial e deixe o link do seu artigo sobre o tema.

* Este texto é parte do projeto Rainhas do Livro.

 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os melhores livros do ano da Crescer : Sombra de Suzy Lee

sombra

Iniciando da maratora de resenhas dos 30 melhores livros infantis do ano trago minha opinião do livro Sombra da sul-coreana Suzy Lee. Sombra faz parte de uma trilogia juntamente com Onda e Espelho. Neste livro a partir de sombras em um lugar que pode ser um sótão , depósito ou garagem de casa, onde para um adulto normal não é lugar para criança brincar por ser perigoso e cheio de entulhos e tralhas, uma menininha vive aventuras no mundo da imaginação.

Aproveito antes disso para modificar um pouco a brincadeira. Esqueçamos um pouco a ideia de uma resenha tradicional. Vou tentar contar minha experiência com o livro, tudo bem?

Segundo a lista da revista Crescer, o livro é indicado a partir de 4 anos. E acho que é isso mesmo.  O “a partir de’ limita a idade inicial para embarcar na aventura da obra de arte de Suzy Lee, para a idade final não existe limite. É livro para todas as idades. Além de integrar a lista da Crescer, Sombra também integrou a lista dos melhores livros ilustrados do The New York Times em 2010. Agora eu vou mostrar o motivo com uma amostra da animação da divulgação da editora Cosac Naify.


Lindo, não? Assim como Onda e Espelho , Sombra traz a meninha brava e encantadora na ação de suas brincadeiras. Por ser um livro imagem, Sombra é capaz de encantar a todos e a parte triste da história para mim é o preço sugerido de R$ 42, quase 8% do valor do salário mínimo nacional, um preço proibitivo. Este é o tipo de livro que todas as crianças deveriam ter acesso. Mas, ainda é um luxo para poucos. Restam-nos as bibliotecas, se é que elas estão aparelhadas para tanto , mas isso é artigo para outra série de artigos.

Sombra é mais que um livro , é uma experiência que reporta nossos melhores momentos e talvez seja este o segredo do seu sucesso. Ume excelente livro para ajudar a desabrochar no leitor do futuro o prazer da leitura. Tudo isso em um livro sem palavras. Assim é a arte.

Curiosidades:
Suzy Lee, que mora em Cingapura e tem dois filhos pequenos – você pode conferir todo o seu trabalho em www.suzyleebooks.com – ganhou o prêmio rêmio de Livro Mais Bonito da Suíça concedido pelo Governo Suíço pelo livro La revanche des lapins ( A vingança dos coelhos) ainda não publicado no Brasil, uma pena.

Confira os videos

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Os melhores livros infantis do ano

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Ler é fundamental para a formação do indivíduo. Isso eu sei, você sabe. Mas, quando o assunto é a leitura dos nossos filhos, nos pegamos pensando sobre qual livro apresentar à criança para que ela tome gosto pela aventura da leitura? São tantos títulos, tanta variedade. Escolho pela idade? Pela temática? Deixo a criança escolher sozinha? #comofas ?

A revista Crescer deste mês traz a lista com os melhores livros infantis do ano selecionados por idade com a colaboração de 41 especialistas. O projeto está na 6a. edição e já virou referência para muitos pais. Com obras nacionais e estrangeiras, a lista dos 30 melhores é cheia de encantamento e arte. Como tenho falado, pensado e escrito muito sobre o assunto literatura infantil, acabei por me impor uma gostosa tarefa. Nas próximas semanas publicarei resenhas de todos os 30 livros, buscando contar a vocês um pouco mais sobre esses livros e assuntos abordados. Para conferir a lista completa dos 30 melhores livros , visite o site da Revista Crescer e aguarde as próximas postagens .

É claro que a lista não é absoluta nem exclusiva. Mas pode ser um começo de caminho para a escolha ou um começo para tomar um caminho de escolha. Nós, os pais, passamos muito tempo sem ler livro infantil e agora precisamos voltar às leituras. Aproveito também para pedir dicas de vocês de livros infantis publicados em português. Vamos começar?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobre Contar Histórias

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Sou suspeita para falar sobre literatura porque é a minha grande paixão. Mas, se um apaixonado não pode falar sobre o objeto de seu amor, quem poderá? Então cá  estou , uma mãe como todas as outras,  falando das histórias que contamos a nossos filhos. Contamos as criadas por outros, há séculos atrás, ou criadas por algum autor da  nossa infância,  aquelas dos autores novos que nos encantaram já adultos e, claro, contamos também as nossas próprias histórias, criadas no improviso para surpreender os pequenos ou narrar uma aventura sobre algo que eles já conhecem e gostam muito.

Meu filho, por exemplo,  adora tudo que se relacione a trens, absolutamente tudo. Chegou uma época em que tive que inventar uma história do trenzinho que levava todo mundo para passear pela floresta, desde o peixinho do lago , até a estrela do céu. Só assim ele dormia sonhando com seu amigo, o trenzinho. Depois de um mês contando a história todas as noites e acrescentando sempre alguns novos personagens e roteiros de viagem para dar mais emoção, o Ernesto exclamou aflito: “Mãe, trem não fala, ele não pode!!” Precisei responder como um contador de histórias que  “No mundo da imaginação tudo pode, e o trem pode falar , sim! “ Aliviado, meu menininho dormiu com os anjinhos passeando de trem falante.  Enquanto eu fechava a porta do quarto pensava na boa de que me livrei tendo assim uma resposta na ponta da lingua, uma resposta que saiu assim , sem mais nem menos, uma vez pressionada pela lógica infantil. Trem não fala.

Eu não sabia mas tinha achado uma coisa muito importante da qual Regina Machado, contadora de histórias, fala na entrevista concedida ao blog Desabafo de Mãe de Ceila Santos e Sueli Sueishi. Quando assisti ao video fiquei encantada por descobrir em mim tamanho poder de encantamento. Poder sim, de levar meu filho a voar pelo mundo da fantasia tão necessário ao seu desenvolvimento. Mas melhor que falar sobre a entrevista é convidá-los a assistir ao video e passar a participar de algumas conversas como esta que virão nas próximas semanas a partir de 6 mães blogueiras. Eis nosso projeto denominado Rainhas do Livro. E, por que Rainhas do Livro? Estamos falando do mundo da imaginação, lá tudo pode. E já que estamos por lá, conheça A Lenda das Areias extraído de Acordais, livro de Regina Machado ,  e,  puxando o fio da meada blog a blog, conheça todas as Rainhas . Depois, me diga o que achou.

A Lenda das Areias

Era uma vez um rio, um pequeno fiozinho de água que um dia nasceu no pico de uma montanha muito alta.
Pois nem bem nasceu, aquele riachinho cismou que queria conhecer o mar. E foi descendo a montanha, curioso com tudo que via pelo caminho. Foi crescendo, ganhando mais água, foi virando um rio de verdade. Depois de um tempão, chegou ao pé da montanha e deu de cara com um montão de areia. Olhou para um lado, areia. Olhou para outro, areia. Olhou pra frente, areia. A perder de vista, por toda parte, um grande deserto. Não havia outro jeito. Para chegar até o mar, lá longe, ele tinha que atravessar aquelas areias. Ele bem que tentou, mas por mais que se esforçasse, não conseguia seguir adiante. Suas águas se afundavam nas areias. Quanto mais força, ele fazia, mais para dentro delas ele era levado

Leia a parte 2 no blog da Letícia – Pelos Cotovelos e cotovelinhos;
Leia a parte 3 no blog da Luana – Mãememorial
A  parte 4 está no blog da Isabella – Tem quem goste
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