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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Criando filhos em tempos difíceis #consumismo



E, para a maioria, os tempos sempre foram difíceis para criar filhos. Cada época da história da humanidade teve suas pedras no caminho. As nossas pedras tem, entre outros, o formato do consumismo. A doença do consumo. Não basta comprar, é preciso comprar muito e até o que não precisamos. Não basta desejar, é preciso sentir-se mal quanto não podemos ter o objeto do desejo. E o espaço para o ser alguém legal, admirado pelas pessoas pelo que se é, está cada vez menor. 

Nós, adultos, já sabemos como funciona o jogo e a maioria de nós sabe como driblar este tipo de coisa. As crianças, contudo , não sabem. Então, para uma mãe assistir a uma propaganda que mostra que um determinado perfume como algo capaz de enlouquecer os homens não é um problema. As mães já sabem que perfumes não garantem a felicidade de ninguém e que os filmes publicitários são apenas um meio da fábrica de perfumes avisar que tem um produto bom e tentar fazer com que você não se esqueça do nome na hora em que precisar comprar um. 

Com as crianças funciona diferente. Crianças não sabem a diferença entre o filme publicitário e o programa infantil. E quanto a marca usa o personagem preferido para vender a marca , aí é covardia. Quando começa a fazer o jogo da aceitação, dizendo que a criança será melhor aceita na escola se tiver determinado produto, no meu modesto entender, já virou abuso em último grau. Crianças não precisam ser apresentadas ao jogo cruel da vida de consumismo tão cedo. Elas estão na fase do experimento da vida, do brincar, do aprendizado das relações reais e não das perversas. Quando elas estiverem bem seguras de seus papéis na sociedade e de si mesmas, aí sim estarão ( creio eu ) prontas para a guerra que é a vida lá fora. 

Infelizmente, não temos escolha. Mesmo os pequenos já estão sendo expostos ao consumismo e ainda dizem que a culpa é nossa. Resta-nos apenas conversar exaustivamente sobre o assunto. E haja criatividade! Na páscoa deste ano, resolvi que meu filho não ganharia ovos de páscoa com brinquedos e avisei à família. Criei para o Ernesto uma história sobre o Coelho da Páscoa:

A greve do coelho da páscoa

Uma vez , quando faltavam poucos dias para a páscoa, o senhor Coelho se revoltou! Acontece que todas as crianças andavam pedindo ovos de páscoa com brindes, pequenos brinquedos que vinham junto com o chocolate e eram vendidos nas lojas. 'Isso não pode ser!', falou muito bravo o senhor Coelho. 'Dia de ganhar brinquedo pode ser o aniversário, dia das crianças ou natal, no meu dia é ovo de páscoa! Assim, eu não trabalho, eu não sou Papai Noel!' E pulou para dentro de sua toca. 

Dias depois o pior aconteceu. No domingo de páscoa as crianças acordaram para procurar seus ovinhos e não havia nada nos ninhos que prepararam, nem um ovinho sequer. Milhões de crianças amanheceram chorando e os pais começaram a pensar em fazer alguma coisa. Decidiram enviar uma comissão para descobrir o que havia acontecido. Será que o senhor Coelho estava doente?

'Que nada' avisou o peludo. Eu estou muito bem, obrigado. Mas, recuso-me a entregar ovos com brindes! Isso , não!' 

A comissão de pais explicou a tristeza das crianças e depois de muita conversa, o sr. Coelho aceitou entregar os ovos que estavam prontinhos no depósito. Foi a primeira vez que a páscoa aconteceu na segunda feira e depois disso todas as crianças passaram a esperar só ovinhos como símbolo da páscoa.            Fim.


Minha história pode ter até pé quebrado, mas funcionou. Meu filho não deixou de receber um ovo de páscoa mas deixou de desejar ardentemente um ovo industrializado cheio de gordura hidrogenada acompanhado de uma quinquilharia. Sei que com o passar do tempo será ainda mais difícil argumentar . Sem o elemento fantasia que posso usar agora a luta será mais complicada. Mas tenho um palpite de que todas as conversas que estamos tendo agora de forma lúdica possa ajudar a criar um espírito crítico no meu futuro cidadão e consumidor. 


Charge de Toni D'Agostinho




sexta-feira, 15 de março de 2013

De olho na cantina #saudenaescola



Na hora de escolher a escola das crianças, são tantos os itens a avaliar que nem todo mundo lembra de olhar o estado da cantina. No ano passado visitei algumas escolas em grupo e, acreditem, a cantina não foi um local ao qual os pais deram muita atenção. Aconteceu o mesmo com a biblioteca, mas isto é outra conversa. O problema é que , enquanto você faz a visita, sem ao menos saber se irá conseguir a vaga e isso vale para escolas públicas e particulares, precisa se assegurar se o local é seguro, se a escola está de acordo com seus valores pessoais, se tem um bom ensino , se os professores são bons. A comida nem sempre é levada em conta e isso não é falha dos pais. É o sistema falho do país que não garante educação pública de qualidade para todos. Sim, isso também é outra conversa.



Quando passamos batido por uma cantina e deixamos de perguntar o que é servido ali estamos deixando de lado uma questão crucial. A alimentação de nossos filhos reflete no desempenho escolar e sua saúde para toda a vida. Uma mãe preocupada em alimentar bem o filho já terá contra si, entre outros, as recusas da criança para alguns alimentos e o lanche de má qualidade do amiguinho para tentar o pequeno. Ter uma cantina que só vende porcarias já é demais.

Nem sempre temos escolha. Como o conceito de alimentação saudável ainda perde para a ideia vendida pela indústria de " alimentação prática" e vazia é muito comum encontrar cantinas oferecendo salgados fritos, refrigerantes, biscoitos recheados e doces em excesso. O ideal é procurar uma boa escola com uma cantina que não venda este tipo de coisa, mas o ideal ainda não é acessível para a maioria da população. Se você alcançou a felicidade de garantir que seu filho se alimente bem na escola, parabéns! Se ainda está longe disto, não desista. Cada vez mais pessoas estão sendo conscientizadas da necessidade de uma boa alimentação para uma vida sem doenças como obesidade, hipertensão, diabetes. Abaixo trailer do documentário Muito Além do Peso.



Alguns estados como Rio de Janeiro e Santa Catarina proibiram lanches não saudáveis dentro de escolas públicas. Em 2012, o Ministério da Saúde lançou um Manual das Cantinas Escolares Saudáveis para orientar donos de cantinas de escolas públicas e particulares na modificação do oferecimento dos alimentos. Ainda que não seja perfeito, o Manual é um passo adiante e traz informações como esta sobre os sucos:


Nesta semana o mesmo Min. da Saúde promoveu uma série de ações intituladas Semana Saúde na Escola, elas fazem parte do programa #saudenaescola que visa implementar novos hábitos e atitudes em busca de uma vida saudável. A preocupação do governo com este assunto decorre da epidemia de obesidade infantil. E agora eu pergunto: Se até o governo já está se mobilizando contra os efeitos de uma alimentação vazia de nutrientes e rica de gordura, sódio e açúcar, lançando programas, portarias e leis sobre o assunto, vale a pena lutar em nosso dia a dia pressionando as escolas para modificarem a oferta de alimentos. 

Este é assunto para muitos posts. E na escola do seu filho, existe cantina? Ela é saudável?



Documentário Muito Além do Peso na íntegra.

Manual de Cantinas do Min. da Saúde.

Para saber a evolução das ações de governo para alimentação escolar no Brasil desde o início do século XX clique aqui


Imagem1 - Unimed Fortaleza

Imagem2 Revista nova escola

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Conar veta merchandising com crianças e ainda é pouco



O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) determinou que, a partir de março, as crianças de até 12 anos não poderão participar de qualquer tipo de ação de merchandising em TV, rádio e mídia impressa. O órgão também proíbe a utilização de elementos do universo infantil ou outros artifícios publicitários com o objetivo de chamar a atenção das crianças .O Conar também sugeriu o fim do merchandising de produtos infantis em programas destinados a crianças. Essas ações ficariam restritas aos intervalos e espaços comerciais dos programas. ( fonte Andi Comunicação)

O Conar resolveu entender como não aceitável o merchandising com uso de crianças até 12 anos.  A decisão chegou tarde. Tivesse sido tomada antes, absurdos como os da novelinha Carrossel não teriam acontecido.  Não deixa de ser uma boa medida apesar de não resolver o problema do mal causado pela publicidade infantil. 

Cada vez mais, as crianças são expostas à publicidade de produtos infantis. Desde muito pequenas, quando ainda não possuem meios de compreender a diferença entre uma propaganda e um programa de televisão por exemplo, as crianças brasileiras já são obrigadas a assistir inúmeros filmes publicitários, com os mais variados apelos.

Infelizmente, apesar da medida acima, noticiada com tanta satisfação pelo Conar, o conselho não dá qualquer indício de que pretenda apoiar também o fim da publicidade dirigida a crianças. Segundo o presidente do Conar, Gilberto Leifert - e me espanta que exista quem possa concordar com ele se não for alguém que lucre com propaganda infantil - não se deve impedir a exposição de crianças à publicidade ética. Apesar de bela - estão presentes as palavras criança e ética na mesma frase - a afirmação constitui um paradoxo, uma contradição lógica. Eu explico. Aliás, eu não. Quem explica é o dicionário HOUAISS.


pu.bli.ci.da.de - atividade que torna público um produto ou serviço com intuito de persuadir as pessoas a comprá-lo. 

é.ti.ca - conjunto de preceitos sobre o qual é moralmente certo ou errado.


Pergunto: É possível que uma propaganda feita para crianças pequenas seja considerada ética? Ao ser persuadida a pedir para os pais comprarem determinado produto, a criança estará SEMPRE sendo enganada. Quando o filme publicitário mostra o boneco famoso lutando com efeitos de computador está persuadindo crianças que não sabem que o boneco não tem condições de lutar sozinho. Basta dar uma olhada rápida em qualquer canal infantil. As propagandas estão repletas de efeitos especiais que não correspondem a realidade. Existe um mecanismo de persuasão aceitável para ser usado com crianças?  Uma criança tem noção integral de como se estabelece uma relação de consumo? Tem a criança meios de avaliar a conveniência de uma compra e seu impacto no orçamento familiar por exemplo?  A resposta para cada uma das perguntas é não.

O argumento do Conar e de todos aqueles favoráveis a manutenção dos comerciais criados para convencer crianças a pedir cada vez mais e mais bens de consumo aos pais, não garante acesso dos pequenos à informação. Fosse assim, a propaganda se limitaria a informar a existência dos produtos. Fosse assim, a propaganda estaria preocupada em informar os pais, aqueles que pagam pelo produto no caixa. O que a publicidade infantil garante às crianças não é informação para consumo, é o consumo pelo consumo. O que é uma pena.














sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Muito Além do Peso deveria estar no horário nobre da TV



Foto:divulgação

Muito Além do Peso , documentário de Estela Renner, é daquelas experiências em cinema que doem. Não só por que é real, mas por que é real e acontece com crianças. Sempre ouvimos falar em obesidade infantil, seus riscos, consequências. Ninguém deseja o filho obeso, é claro, e se dependesse dos pais, única e exclusivamente, não haveriam mais de 33% de crianças obesas no Brasil. Infelizmente, não depende só dos pais. Estamos sendo, o tempo todo bombardeados com a propaganda da comida porcaria. As crianças  que foram apresentadas a refrigerantes, salgadinhos e doces já tiveram este tipo de produto incorporado à sua dieta. Tudo isso faz parte de uma ideologia de consumo que passa pela perspectiva cultural. Um suco de caixinha, com apenas 1% de fruta, tem conotação muito superior a de uma fruta no ranking do status para essas crianças. Desta maneira, comer fruta é uma coisa sem graça, coisa de pobre. Consumir porcaria industrializada, isto sim, é on.



Rever os hábitos, depois de instalada a comida porcaria, que é gostosa dado o alto índice de sal, gordura e açúcar que refastela as papilas gustativas, é muito difícil e somente 1 em cada 4 crianças obesas conseguira se tornar um adulto magro. Imagine o custo. Ver crianças reclamando na tela de não poderem correr, brincar por mais tempo e que por isso passam o tempo livre sentadas diante da tv corta o coração de qualquer mãe. Ainda mais de uma que tem um filho tão saudável, que come sim suas porcarias mas muito raramente.



Uma das cenas do filme que mais chamou a atenção foi a fala de Jamie Oliver , este homem extraordinário que , nascido na Inglaterra sabe fazer comida com sabor - o que por si só já é espantoso - e ainda tenta engajar o mundo a voltar a cozinhar sua própria comida ao invés de sentar todas as noites em frente a um prato pronto. Em dado momento Oliver diz que nós mesmos, que estamos na casa dos 35/40 anos, quando éramos crianças comíamos hambúrgueres ocasiões especiais e todas essas bobagens. O que era diferente? A exceção. Para a geração de crianças de hoje, comida porcaria virou regra. E isto vai fazer com que vivam menos e em pior qualidade que nós.

gráfico apresentado no documentário

Tudo o que consegui pensar após a exibição foi que é preciso resistir a esta invasão cultural - como destaca Elisabetta Recine , do Conselho Nacional de Segurança Alimentar - em que todos se alegram ao poder comer exatamente a mesma comida em qualquer ponto do planeta. Como se não compreendessem o quão pobre culturalmente isto é. Se uma nação não pode mais degustar sua própria comida, ela está certamente se perdendo , sendo ingerida pela cultura que impõe seu estilo alimentar e pagando um preço alto por isso. Sendo que , por outra lado, poderíamos até estar comemorando. Pois se sempre quisemos ser como os norte americanos , agora estamos bem perto. Muito perto de sermos redondos e com altas taxas de colesterol e índice de diabetes como eles.




terça-feira, 27 de novembro de 2012

Salto alto para crianças não é legal #ficadica



Não há como fugir, pelo menos por enquanto. Quando se fala em adultização, as meninas são as maiores vítimas. Nossa sociedade, com seus valores algumas vezes estranhos,  aos poucos acabou por criar este problema e agora só nos resta lutar contra ele. Lembro-me muito bem das botas de couro de cano longo de minha mãe. Sempre que ela não estava por perto eu dava um jeito de calçar as botas e ficar andando pelo quarto. Um dia ela se deu conta de que elas estavam estragando e sumiu com a chave do armário.  Brincadeiras como esta, nas quais as crianças sonham o dia em que serão adultas é normal e saudável. O que não é normal é criança vivendo vestida de adulto, meninas usando acessórios de mulheres adultas que poderão prejudicar seu desenvolvimento.




Segundo ortopedistas, os calçados de crianças não devem ultrapassar 2cm de altura sob pena de causarem problemas para toda a vida - clique na matéria do site Unimed para saber mais . A pergunta que fazemos é:  por que uma criança deveria usar sapatos de salto no seu cotidiano? As respostas a esta pergunta, invariavelmente estão ligadas às questões da adultização. As meninas desejam, cada vez mais, a aparência de mais velhas. E alguns dizem que isso vem sendo incentivado pelas mães.  Mas, será que as mães que concordam  estão cientes de todos os riscos? Será que todas as mães que deixam as filhas usarem saltos acima dos 2cm foram alertadas de que as meninas podem ter a musculatura da perna encurtada, desenvolver esporão calcâneo e dores para o resto da vida adulta como diz o ortopedista na matéria abaixo? Acho difícil. 




Não bastasse as crianças vestirem-se de adultas ainda sofremos de falta de informação aguda. Um projeto de lei, n. 1885/11 tramita na Câmara dos Deputados com intuito de proibir a venda de saltos acima do recomendado pelos médicos para crianças abaixo de 12 anos e ainda fazer incluir na propaganda de calçados femininos advertências claras sobre o risco do uso saltos altos por crianças. É claro que este tipo de informação só será dada se for imposta por lei. Dificilmente a indústria alertará que o uso contínuo de seu produto é perigoso. A ideia que a indústria de calçados quer passar é bem diferente.





Informações do Fabricante
Sandália Anabela Infantil Hello Kitty Fica Dica + Relógio 20932 Tam 23 ao 35 Cabedal: Confeccionado em PVC injetado .Detalhe em alto relevo da personagem na tira frontal. Fechamento em fivelas na lateral para dar ajuste perfeito aos pés.  Tira do calcanhar em listras coloridas.Obs: Na compra deste produto, GANHE exclusivamente uma linda “Pulseira que vira Relógio” da Hello Kitty.Palmilha: Macia e flexível, em material de fácil limpeza.Salto: Anabela com estampa que remete a palha .Altura: 5cm Solado: Possui solado em PVC expandido.Indicação: Ideal para usar em ocasiões casuais ou de passeio.
Peso: 495g

O que a indústria e a sua propaganda realmente desejam é que as frequentem festas usando saltos e celulares, maquiagem, estejam em salões de beleza e consumam mesmo antes dos 12 anos como se tivessem 18. Se famílias com crianças consomem muito, as famílias com adolescentes consomem muito mais. Ouço pessoas que dizem " Ah, mas as meninas gostam." Sim, elas gostam e, se eu fosse uma menina também gostaria da ideia de me vestir de adulta forever. A questão é se vale a pena sacrificar saúde física e mental delas. Crianças querem mesmo é brincar, ainda que a indústria de calçados diga o contrário. Num país onde a expectativa de vida da mulher é de 76 anos, por que não podemos deixar a infância durar 12? 





  

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Presenteie com Moderação


Sim, o post hoje é só isso. Para refletir. Um fim de semana cheio de brincadeiras para vocês.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Sou apenas uma mãe e é incrível onde isto pode me levar




Diante do atual estado de coisas é muito difícil pensar diferente. Como é possível mudar o mundo? Pra melhor, quero dizer. Para pior não estão precisando de ajuda. Descobri recentemente que são dois - até onde me foi revelado - os momentos em que nos brilham os olhos de paixão pela vida. O primeiro momento é na juventude, quando tudo nos é possível - pelo menos é assim que sentimos - e lutamos, levantamos bandeiras que , certas ou não, são as nossas . As decepções sempre chegam e também algumas vitórias. Aprendemos . Crescemos. Seguimos. Quem nunca? 

O tempo passa e chega o segundo momento, que é o dos filhos. Por eles - e nem é mérito nosso, mas da biologia, fazemos tudo e um pouco mais. Pelos filhos nascemos de novo , queremos o melhor de nós e do mundo. Pelos filhos pensamos profundamente sobre coisas que até então nos passavam despercebidas. Como um elefante vestido de bailarina e andando de patinete, essas coisas absurdas não nos eram importantes. Mas, agora são.

Foi assim que eu entrei de cabeça no Movimento Infância Livre de Consumismo. Sou alguém que se espantou com a visão do elefante que rodopiava por aí há um tempão sem que eu desse por conta  dele. Entrei no movimento pelo meu filho, prestes a ser afogado sob toda essa publicidade abusiva direcionada às crianças. Estou tentando tirar meu filho da água. Pois, por mais que uma família tenha informação e fôlego para lutar contra os efeitos da propaganda abusiva direcionada para crianças, ela está sempre em desvantagem


E foi num impulso de mãe que comecei a trabalhar como voluntária, dando um tempinho por dia à causa e encontrando outros que pensam como eu . Nesses meses de trabalho senti que, ao contrário do que eu disse nas primeiras linhas deste texto, às vezes a gente sente o mundo prestes a mexer um pouquinho para melhor. Antes do Infância Livre, os pais não eram sequer ouvidos quando se tratava de publicidade infantil. Agora somos convidados a falar o que pensamos. Enquanto puxo meu filho pelo braço para não se afogar e luto contra a corrente, consigo colocar a cabeça para fora e gritar. 



Dia 09 de agosto, na Câmara dos Deputados  a  Comissão de Direitos Humanos e Minorias vai discutir como a legislação brasileira pode proteger as crianças do consumismo. Será o 1o Seminário Infância Livre de Consumismo. E esta blogueira estará presente. Engraçado, como cidadã,  eu nunca fui ouvida, mas não é que como mãe sinto que posso mais. Sim, é certo que não posso tudo  e que a caminhada é árdua. Só que agora descobri que é possível lutar. 

Saiba mais





segunda-feira, 2 de julho de 2012

#desocupaCONAR


 Carta Aberta ao Conar
Duas recentes medidas do Conar, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária,  referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.
A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.
Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos – se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.
Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.
O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.

Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.
Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.
(Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse: http://www.infancialivredeconsumismo.com.br)
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A publicação desta Carta Aberta do Movimento Infância Livre de Consumismo é parte da blogagem coletiva #desocupaCONAR. Compartilhe . Se você tem um blog e apoia a causa do movimento e deseja participar, basta reproduzir  o texto acima no dia de hoje, 02 de julho .  Muito obrigada
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