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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A era dos aquários



"Mãe , não olhe agora mas tem uma menina pequenininha na outra mesa com um tablet do tamanho de uma televisão" 

"Onde?"

"Ali, atrás da mesa onde dois bebês estão brincando nos celulares dos pais"

Meu filho tem agora sete anos. Ele é uma criança de sua geração. Sim, isto significa que ele domina perfeitamente, gadgets os mais variados. Meu filho tem agora sete anos. Ele é uma criança. Sim, isto significa que ele corre, brinca e pula sem parar. 

Quando saímos para locais públicos não levamos eletrônicos. Não há proibição, apenas o consenso de que os aparelhos tem custo alto, podem ser perdidos ou quebrar com facilidade e simplesmente não vale a pena. Quando saímos a ideia é passar um tempo juntos vendo coisas diferentes. Deixamos os jogos para quando não há nada melhor a fazer. Em nossas saídas onde possa ter algum tempo de espera,  suas distrações são livros, gibis e conversas com as pessoas que o acompanham. Ele adora conversar e trocar ideias. Como dito no início do texto, ele adora a tecnologia atual. Acaba de ganhar um ipad da avó - o ipad é usado, a avó não se adaptou. A avó é uma criança de outra geração - e está muito satisfeito em poder jogar seus joguinhos. Meu ponto de argumentação aqui é que a criança de hoje gosta e compreende aparelhos eletrônicos ultramodernos tanto quanto eu fazia com minha pequena vitrola no passado. Eu gostava muito de ouvir meus disquinhos e ganhei minha vitrola para não acabar com a agulha da vitrolona do papai. Por outro lado, a vitrola era somente um meio quando o fim era ouvir as histórias em disco vinil compacto. 

No caso dos tablets e smartphones, eles também são apenas um meio.  Para os pequenos o fim é utilizar os jogos, brincar. Defensores ferrenhos dos eletrônicos dizem que são educativos e que até o presidente Barack Obama tem incentivado crianças a usá-los mais e mais, por meio do aprendizado da programação. Bem, uma coisa é uma coisa, outra coisa é diferente. Que de meros usuários caminhamos para um futuro onde todos precisarão conhecer alguma coisa de programação, isto parece bem claro. Existem coisas contudo, na educação de uma criança, que independem do uso de computadores, celulares e tablets. Filosofia é uma delas. Não é preciso mais que um cérebro humano para desenvolver e resolver um questionamento filosófico. Aliás todas as áreas da ciência e do pensamento foram desenvolvidas sem computadores até pouco mais de duas décadas. Quando o computador pessoal apple apareceu, em 1977, o mundo já existia e as pessoas já pensavam. A nova tecnologia é, pois, de meio. A maior máquina permanece dentro de nossas caixas cranianas. 


Por este motivo quando me dizem que se usar mais computadores meu filho será mais inteligente, criativo ou com capacidade de liderança, fico penso na criança que foram Leonardo Da Vinci, Santos Dumont, Albert Einstein. Imagino a Nona Sinfonia necessitando do Encore para ser composta, e Don Quixote saindo de um editor de texto. Imagino Alexandre, o grande, sendo educado por aplicativos desenvolvidos por Aristóteles. Não confunda meu pensamento com saudosismo. Estou aqui valorizando células cinzentas, a leitura, o pensamento filosófico e a compreensão da matemática como explicação de nosso mundo. Gadgets são apensas instrumentos, nossos filhos já nascem inteligentes, criativos e dotados de diversas capacidades. A paralisia causada pelos aparelhos eletrônicos nega às crianças outras experiências. A primeira delas é a experiência do olhar. Olhar, simplesmente olhar as coisas. Crianças hipnotizadas por telas numa saída com os pais não olham pela janela do carro, não olham o mundo ao redor e precisam passar no farmácia depois para comprar um colírio que lhes umidifique os olhos. São como pequenos e lindos peixes ornamentais em aquários, olhando a realidade de fora distorcida pela parede de vidro ao seu redor.  No restaurante, ficam quietinhas e todos em volta agradecem enquanto comem sossegados sem o som da infância. Sim eu sou uma criança de outra geração, eu sei o que é uma vitrola. 

Meu filho continuará usando aparelhos de seu tempo para o resto da vida. Do mesmo jeito que Cervantes usou a pena e não a parede de pedra de sua caverna. Mas sua massa encefálica, sua inspiração, seu eventual gosto para ciência e discussão sobre o mundo deverão ser os fatores a fazer a diferença entre ele e um robô. Assim espero. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Como falar sobre a morte com as crianças?



Não tenho resposta para esta pergunta. Perdi meu avô materno, a quem amava de paixão, aos seis anos. Os adultos na época tiveram dificuldades em falar comigo sobre o assunto. Meu pai, por exemplo, não teve coragem de me contar, me deixou na casa de amigos dizendo que o vê estava no hospital e seguiu para o enterro. Passei o dia inteiro esperando que meu avô melhorasse e quando todos chegaram, deram a notícia. Por capricho do destino, meu pai faleceu 6 meses depois. Morte acabou se tornando um assunto recorrente em casa e , claro, acabei ficando com medo de que outras pessoas da família morressem também e me deixassem sozinha. Anos mais tarde, quando soube que meu pai não tinha conseguido dizer a verdade, julguei-o e condenei-o. Afinal, por que não me falou logo o que tinha acontecido de uma vez? Eu era uma menina esperta, bem mais madura que as demais, era o que diziam. Ele podia ter me contado e poupado o dia em aflição, pensei. Até a vida me colocar a calçar os sapatos do meu pai.

No mês passado, meu filho, aos seis anos,  perdeu o avô paterno e quem teve de dar a notícia fui eu. Naquele dia consegui compreender meu pai e a tristeza que é falar algo a seu filho que o fará sofrer um sofrimento inevitável. A notícia chegou pela manhã e decidimos deixar para transmití-la só mais a tardinha. Quando não tinha mais como evitar, sentei meu menino no colo e falei que o avô que já estava doente no hospital há alguns dias, não havia resistido. Depois de um chorinho baixinho e sentido de uns 5 ( longos ) minutos, tentei conversar sobre minhas crenças sobre a vida e a morte e acho que consegui consolá-lo pelo momento. É duro falar sobre a morte com as crianças, mas quando ela se apresenta, não há mesmo o que fazer, o jeito é tentar abordar o assunto da maneira mais natural possível, oferecer o ombro, o colo e tentar orientá-la a lembrar da pessoa que se foi da maneira mais alegre possível. Pois a vida é assim, o passado já foi, o futuro não existe e o que temos é o presente, seja lá como ele se apresenta, seja lá como o vemos apresentado. Mas, ainda no presente, sempre temos as lembranças.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dicas para ser uma boa mãe #soquenao



 Este post não vai dar 10 dicas para ser uma boa mãe. Não vai levantar bandeiras de parto ou amamentação. Este post não vai ensinar a trocar fraldas, lidar com birras, nem contar como eu sou uma maravilha de mãe, como acerto tudo, como sou impecável. Até porque não sou. Em muitos momentos, sinto que meu filho me vê como a bruxa má do leste, aquela que Dorothy matou com a casa caindo em cima de sua cabeça. Sim, as vezes eu acho que meu filho gostaria que caísse alguma coisa do céu para que eu simplesmente parasse de falar.




Sim, eu sei que mães não são bruxas 100% do tempo , assim como não são santas nem 0,9% do tempo. Mães são seres do sexo feminino - por mero acaso de combinação de cromossomos - responsáveis por carregar o ovo onde é gerado o filhote da espécie. A maternidade como vocação desvelada e seu conceito surgiu muito recentemente entre nós. Não somos santas, somos pessoas cheias de coisas a fazer e com a responsabilidade imensa de conduzir pequenos seres humanos até a idade adulta. Eles - os pequenos - devem chegar à maioridade sãos e salvos , física e - se possível - mentalmente.

Quando eu era criança, e olhe que isso já faz muito tempo, observei que minha mãe aprendeu a ser minha mãe sozinha, contando com apenas minha ajuda. Se ela tivesse uma dúvida muito grande, perguntava para a mãe dela. Minha avó tinha criado 4 filhos e tinha sua resposta pessoal para cada um dos problemas apresentados pela minha mãe , na época em primeira viagem. O ponto em questão é que minha mãe não passou por qualquer tipo de curso, não leu nenhum manual, não acompanhou nenhuma série de tv para desempenhar a função de minha mãe. Ela vivia a maternidade com seus erros e acertos como todas de sua geração e eu estou aqui sem faltar nenhum pedaço para dizer que deu certo. Não era uma santa e para mim as vezes parecia com a bruxa má do oeste - a que deu mais trabalho a Dorothy - e mesmo assim fui criada, amada, educada, alimentada, não adoeci por desleixo ou falta de cuidado.



Hoje em dia , o que mais vemos são roteiros, manuais, tutoriais para a vida. Quem os escreve tenta (?) passar sua bem sucedida experiência nos mais variados campos. A maternidade é um dos temas que mais enriquece empresas e autores. Como deve ser difícil ser mãe e pai atualmente. As consultas ao pediatra já não nos bastam. Precisamos ao tempo todo do conselho da psicóloga da moda, da apresentadora de tv, da grande corporação que comercializa produtos para a infância, das revistas de maternidade. Eles são os grandes condutores da nossas ações.




Minha dica, neste artigo é uma só:  Não existe dica. Nenhum conselho vai ajudar você a ser uma mãe melhor. As dicas no máximo podem ajudar a contornar problemas. Ser mãe e pai é algo muito maior. Existem as respostas que só você pode saber e só seu filho poderá ajudá-lo a enxergar a saída para os dilemas.Isso sem falar que existem coisas que dão certo com um  filho e totalmente errado com outro. Você acha mesmo os outros são perfeitos e podem saber mais sobre um assunto que é só seu? Desconfie de dicas e manuais, confie no seu sentido e no seu filho. Acho que a última frase soou como dica. Mas encare como uma contradica. Quem poderá dizer se você foi boa mãe ou não é seu filho. E mesmo assim, ele é suspeito.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Chega de Bullying 2a edição




Quem acompanha o blog desde o início deve lembrar da blogagem coletiva Chega de Bullying que aconteceu por aqui em 2010 e muito surpreendeu. Relembre aqui. Tinha começado a escrever sobre maternidade e a ideia da blogagem surgiu do desabafo de um leitor em um comentário. Embarquei na ideia e os textos ficaram incríveis. 

Daquela discussão , a primeira conclusão foi a de que bullying é apenas uma palavra estrangeira e moderna para um problema que existe desde sempre.  A segunda conclusão é a de que só falando sobre o assunto é possível lidar com este tipo de comportamento. Bullying é intolerável , nossos filhos precisam saber disso. 

Dois anos depois, achei que é a hora de reabrir o problema aqui no blog. Chega de Bullying, como esta questão no toca, o que ainda  podemos dizer sobre isso? Assim, convido a todos que desejem falar sobre o tema a uma blogagem coletiva no dia 30 de outubro  15 de novembro. Posso contar com você? 

Para inspirar seu texto compartilho um video do Programa Sem Censura com a participação a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva e a professora Amélia Lacombe falando sobre bullying.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Era uma vez um menino levado



Ele era um menino. E meninos, dizem , são mais agitados. Começava o dia com a corda toda e começava a conversar alto com quem estivesse por perto. Era a única criança da casa. Ele movimentava o ambiente, pulava, brincava, não parava quieto. Era um menino agitado. Não sossegava, diziam. Falava pelos cotovelos. Ele não deixava a mãe em paz e estava sempre chamando o pai para brincar.

Ninguém sabe ao certo como começou, mas de menino agitado, elétrico, levado, ele passou a impossível, terrível, insuportável. Tinha problemas. Ele cansava a beleza.Na escola, não tardou a receber um estigma de brinde.  Foi ao médico levado pela mãe e pelo pai exaustos de tanta agitação. Em questão de minutos  foi receitada uma pílula mágica que o transformou em outra pessoa, mesmo. Uma criança apática.

Este é um texto ficcional baseado em casos reais. Não defendo a suspensão da droga prescrita à tantas crianças que realmente necessitam dela e cujo diagnóstico foi cuidadosamente elaborado por um médico criterioso que excluiu todas as outras hipóteses para o comportamento apresentado. Defendo a reflexão à esta epidemia do tdah. Será que toda criança agitada merece medicamento? Que fatores externos podem desencadear reações que se assemelhem ao tdah? Quando vale a pena dar o medicamento? 

Não tenho todas essas respostas. Mas é preciso tomar cuidado com diagnósticos automáticos. Tdah é um transtorno que incomoda a todos, principalmente à criança, ao jovem ou adulto que apresenta o comportamento 'inadequado'. Não bastasse o incômodo, ainda acontece de a vida parar por conta da realidade dos sintomas. A melhor forma de lutar contra o tdah é buscar informações. Saiba mais no site da ABDA

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Afeto vale mais que presente



Todo mundo adora ganhar presente. Criança, então , nem se fala. Como é bom abrir um pacotinho - ou pacotão - embrulhado com papel brilhante e fita colorida comprado especialmente para você. Nem importa tanto aos pequenos ( e uma parte interessante dos adultos ) o preço do presente - ao menos quero crer que seja  assim ainda - já que o barato é abrir o presente e viver a surpresa. 

As festinhas infantis são  momentos mágicos em que os pequenos recebem um monte de presentinhos, lembranças e presentões que os deixam completamente malucos. Lembro que no ano passado, na festa de 4 anos do meu filho, a primeira grande festa da sua vida - até então tínhamos feito um bolo só para a a família - a parte mais difícil foi organizar a cabecinha dele no pós festa. Quando ele viu a quantidade de presentes, teve uma reação de euforia que demorou semanas a passar. Não sei até que ponto isso é saudável. Tantos presentes. Mas pelo menos ele sabe que só ganha mesmo no aniversário, natal e dia das crianças. Este ano quando quis um brinquedo de preço mais salgado, foi estimulado a entregar um outro em troca, que foi vendido num brechó e com o valor apurado pode comprar seu brinquedo. 

O que tento passar para meu filho é que o mais importante da festa é a festa em si, o momento em que ele poderá estar com todos seus amigos e pessoas que o querem bem. O afeto é o mais importante. Afeto não pode ser trocado no brechó. Afeto cura a alma de todos os seus males, é das coisas que se pode levar dessa vida. E algo que eu vi acontecer na festinha foi de um ou outro pequeno convidado fazer questão de entregar o presente em mãos com um abraço ao invés de deixar na caixinha dos presentes. Era uma criança querendo dizer : " Ei, sou seu amigo, estou aqui, trouxe isso pra você, me dá um abraço. " Não sei porque os presentes deixaram de ser entregue em mãos junto com o abraço. Acho que deve ser mais chique e poupa tempo do aniversariante. Mas, querem saber? Já passei isso com meu filho muitas vezes. Ficamos andando pela festa atrás do aniversariante para dar em mãos até que alguém chegava e mandava colocar na caixa. 

Há algumas semanas li no blog Ninguém cresce sozinho , um artigo que me deixou pensando muito. Deixe a criança entregar o presente em mãos! da psicóloga Patrícia Grinfeld merece ser lido. E este ano quem quiser entregar o presente ao meu filho irá fazê-lo , com abraço, beijo e afeto. Que é o que realmente importa.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre Crianças e Lobos - Nossos filhos e essa história de BBB



Não, eu não estou assistindo ao BBB12 e sim, sei do bafafá que está rolando. Não eu não assisti nem um minuto, nem ao vídeo no You Tube, sim, eu fiquei sabendo dos detalhes. Não, meu filho não assiste BBB em casa também, sim ele já ouviu falar no assunto. Hoje me perguntou: Mãe, que é BBB. Respondi que é um programa de adulto, que criança não iria gostar de assistir. Ontem o acontecimento foi ver o menino, aos #4 saindo do banho cantando o refrão de "Ai, se eu te pego" com dancinha e tudo. Não, eu não escuto Michel Teló em casa - ou qualquer outro lugar . E agora.

Como já disse Khalil Gibran: " Vossos filhos, não são vosso filhos" . E por mais que eu queria não conseguirei blindar meu filho contra tudo o que considero não interessante e que está ao nosso redor. Então tá, não dá para evitar. Mas, querem saber? Acho que dá para minimizar. Como? Estou em fase de testes mas faço assim:

- Não dou destaque para atitudes que vejo no meu filho e que não gostaria que ele tivesse. Se não tenho como evitar que ele ouça aquela música estranha, pelo menos não dou cartaz quando ele a repete enrolado na toalha por mais bonitinho que seja. 

_ Respondo com naturalidade quando ele me pergunta coisas que normalmente me causariam uma síncope cardíaca, com crianças de #4 ou #99 o negócio é não dar trela. Crianças são crianças. É claro que me incluo no rol, é da natureza humana. 

Quando o assunto é cultura, não existe certo nem errado, bom ou mau. Existe a minha cultura e as outras e tudo o que eu posso - e devo - fazer é aceitar as demais manifestações culturais e manter o meu caminho em frente. E é claro que eu não desejo manter meu filho alheio a tudo o que acontece e com um saco enfiado na cabeça. Só gostaria de mantê-lo ligado no meu conteúdo até que ele tenha discernimento para escolher o seu próprio. 

Resumindo: Serviço de mãe é pesado.

Sim, eu voltei . Estava de férias e fico muito feliz pelo blog ter mantido a visitação mesmo com a falta de atualização nas postagens. Obrigada!. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Desconstruindo o diagnóstico de TDAH

ritalina

Era uma vez uma menina ativa. A atividade era tramanha e chamou a atenção dos pais. Mas, é claro haviam outros sintomas, ou seriam adjetivos?  Fizeram exames mas, segundo a médica, era preciso esperar a menina ativa crescer mais um pouquinho. O tempo passou e a chegada de um irmãozinho fez com que os sintomas-adjetivos se acentuassem. A agitação era demais e, após os exames, foi prescrita a tal da Ritalina. Com ele vieram os efeitos colaterais, como aumento de irritabilidade , falta de apetite,  insônia. Dá pra imaginar ? O que você faria? Os pais da menina ativa resolveram suspender o remédio.  Sabe o que aconteceu?

ingrid.strelow

A psicóloga fez uma série de sessões e … nos deu o retorno, corroborando o que nós, pais, afirmávamos: ela é normal e muito ativa, mas não é fora do padrao das crianças que mroam em apartamento e acabam ficando muito em casa, sem pátio, indo ás vezes à pracinha, mas precisando gastar mais energia (justo agora que ela saiu da GRD e do Ballet...), mas também tem coisas que seriam bacanas de trabalhar na terapia, pra que se organize melhor e consiga canalizar os sentimentos de melhor forma.

A prof, por sua vez, disse que a Larissa está bem menos ansiosa e que se concentra, a avalaiação trimestral veio cheia de elogios e aponta apenas dois itens que estão em desenvolvimento, podendo melhorar.

Ok, finalmente encontramos alguém não quer nem medicar nem rotular a criança, disse apenas que a Lalá é uma criança normal e tem necessidade de gastar energia. E estamos falados!”  Ingrid Strelow, do blog Desconstruindo a Mãe.

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Ritalina é o nome comercial da substância Metilfenidato . Segundo o Wikipédia:

Metilfenidato (nome comercial Ritalina do laboratório Novartis Biociências e CONCERTA do laboratório Janssen Cilag) é uma substância química utilizada como fármaco, estimulante leve do sistema nervoso central com mecanismo de ação ainda não bem elucidado, estruturalmente relacionado com as anfetaminas. É usada para tratamento medicamentoso dos casos de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), narcolepsia e hipersonia idiopática do sistema nervoso central (SNC).

O TDAH é um transtorno metabólico neural, que resulta em comportamentos mal adaptados; o metilfenidato pode favorecer a quebra do "círculo vicioso" criado pela hiperatividade em especial.

Como toda medicação, o metilfenidato deve ser usado e dosado por profissional médico especializado neste tipo de transtorno. Por ser uma medicação psicoestimulante, seu uso provocaria uma maior produção e reaproveitamento deneurotransmissores, a exemplo: dopamina e serotonina.

Entretanto, há controvérsia sobre a produção e reaproveitamento da serotonina pelo cérebro das pessoas portadoras do TDAH. Especialistas no transtorno, atualmente, não creem que haja prejuízo no controle deste neurotransmissor, ao contrário do que ocorre com a noradrenalina.

O uso do medicamento explodiu nos últimos anos, e existem excessos nas prescrições. Muitas vezes , uma criança bagunceira, sem atenção ou sem limites, pode ser diagnosticada como hiperativa e acabar utilizando a droga para ter a concentração aumentada e o comportamento domado.

Este artigo não pretende desacreditar o uso de medicamentos. Apenas conta uma história real onde o medicamento não ajudava a criança. E minha opinião como mãe é que algo tão forte só deve ser ministrado se não houve sombra de dúvida de que fará mais bem do que mal. Apesar de não ser especialista, como mãe gostaria que o TDAH pudesse ser tratado sem drogas.

Para conhecer o blog de Ingrid e ler toda a narrativa do que se passou com Larissa, clique aqui.

 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Por que é difícil diagnosticar o déficit de atenção?

criança

Ter um filho corretamente diagnosticado como portador de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode ser uma benção. Sim. A tal benção reside no advérbio corretamente . Segundo pesquisadores da USP cada vez mais diagnósticos errôneos são feitos nesta área, e consequentemente, cada vez mais remédios são receitados. Como o correto diagnóstico depende do relato dos pais, da escola e de um questionário com 18 sintomas que podem ser considerados comuns entre os jovens ( e até alguns adultos), muitas vezes os pais chegam aos consultórios certos de que seu filho tem TDAH simplesmente por alguém não habilitado ter ajudado a preencher o questionário sobre a criança. Clique aqui e veja o questionario.

Imagine então leitor esta verdade. Muitas crianças vem sendo drogadas sem necessidade. Sim, crianças sãs drogadas, utilizando um medicamento que afeta a função cerebral e produzida para um organismo que tem determinado tipo de problema. O Metilfenidato está entre as substâncias mais vendidas no país e recentemente descobriu-se que o cérebro sem TDAH responde a droga de modo diverso ao cérebro daquele que realmente precisa da medicação. Quais serão as consequências disto a longo prazo? E ainda, será que o único tratamento possível é o químico? Qual a importância da atividade física e que terapias de apoio podem ser utilizadas? Só um especialista pode dizer, analisando caso a caso.

A escola precisa auxiliar nesse processo de diagnóstico. Rotular o aluno com dificuldade de aprendizagem antes de procurar a verdadeira causa para o desinteresse é um problema recorrente. Algumas poucas escolas particulares já prestam atenção ao assunto apesar de ainda não existir nenhuma escolar especialidada em lidar com alunos com TDAH.  Na esfera pública , o projeto de lei 07081/2010 tramita no Congresso . O projeto prevê um programa de diagnóstico e tratamento de TDAH e dislexia para alunos da rede pública de educação básica. Para acompanhar o andamento do projeto de lei clique aqui

Os pais são a parte mais importante na equação. Afinal, na relação em família, o termo atenção não pode faltar. Meu filho apresentou uma mudança brusca de comportamento ou ela foi gradual? Será que aconteceu alguma coisa para deixá-lo desatento/hiperativo ou pode mesmo estar acontecendo um disturbio químico que só a Química pode tratar? Eu conheço realmente meu filho e estou disponível para tentar compreender os problemas pelos quais ele passa e pedir ajuda no momento certo ao profissional adequado? Ninguém disse que ser mãe ( e pai) é moleza. Se disse, estava te enganando.

Esta é mais uma conversa de muitas que pretendo levantar sobre o assunto. Se interessar, leia também Hiperativo ou mal educado?

* Fontes ABDA

Portal Último Segundo

terça-feira, 12 de julho de 2011

Hiperativo ou mal educado?

bart

Sala de espera da pediatra, primeira consulta. A Caxias aqui chega 10 minutos atrasada e pede mil desculpas, 30 segundos depois se arrepende. O recinto está repleto de crianças esperando há muito tempo pelo atendimento. Meu filho, que odeia ir ao médico, chora baixinho dizendo que não quer entrar e corta o meu coração. Ele não quer brincar com as outras crianças. Três delas, entre um e três anos, fuçam os brinquedinhos da salinha. Um menino de 10 anos aparenta cansaço decorrente da espera de horas. Um recém nascido também está na fila naquela cheia de gente e eu consolando o choro do filho. “ Num quero ir ao médico, mãe eu não tô doente!” Bate o desespero. Eu só estou ali para ter uma segunda opinião sobre alguns assuntos que não são sérios, mas eu preciso da opinião então decido esperar e tentar acalmar meu bebê.

Quando o choro pára eu posso começar a prestar mais atenção nas crianças menores. A brincadeira é caótica e não demoro a entender o motivo que atende pelo nome – fictício – de Felipa . Felipa está próxima de completar 3 anos e é grande para a idade. Fala pouco e se movimenta muito. As duas crianças menores ficam andando atrás de Felipa que as ignora e se nega a partilhar os brinquedos. Felipa demonstra estar desassossegada, anda de um lado para outro, mexe em tudo , rouba um termômetro da gaveta da atendente, entra num pequeno escritório e desliga o computador, pega o telefone sem fio e joga no chão. A mãe ? Impassível, resume-se a dizer que “ essa menina não pára!” Isso eu já vi. Fico irritada. Detesto criança mal educada. Culpa da minha mãe sargento que me incutiu uma educação militar. Sem contar o meu jeito , eu sou paradona.

Incomodada , mudei para um lugar mais distante da Felipa. Comecei a me recriminar intimamente. Eu sou uma chata e ela é só uma criança com uma mãe que não presta atenção nas coisas, pensei Tento me distrair conversando com o filho mas ele não está pra muito papo e pede para ir brincar . Felipa entra em ação e começa a andar atrás dele empurrando brinquedos e querendo puxar os que estão com ele. Eu observo sem intervir porque meu filho é bem maior que ela e também mais velho, ele precisa se defender . Vejo que ele o faz, ignorando solenemente Felipa. Ela começa a querer chamá-lo para brincar pegando os bonecos e colocando as mãos bem perto dos olhos, o que me deixa aflita. Felipa faz isso com todas as crianças na sala, inclusive o recém nascido. Mão na cara, dedo no olho. E a mãe ?  Até então apenas  chamava a atenção assim, como quem não chama atenção de nada, mas começa a ficar com vergonha quando vê que eu tenho que impedir Felipa de cegar o Ernesto a cada 2 ou 3 minutos. Ela tenta de tudo e nada adianta. Felipa simplesmente não ouve ou finge não ouvir, os barulhos pelo consultório indicam provável desabamento em minutos, mas é só Felipa.

Uma hora e meia depois, a clientela na sala de espera já foi renovada e outros pais, mães e crianças aguardam.  Começo a observar que não sou a única incomodada, Felipa virou persona non grata e a atentende sugere que a mãe espere no corredor. Quando ela sai , suspiros aliviados. E um pai com o filho de um ano ao meu lado , conversa com o Ernesto. “ Tá com medo do médico? Eu tô com medo é da Felipa!”

Deu pena. Felipa , para meus olhos de leiga completa e absoluta, tem muitos sintomas de hiperatividade. A mãe não parece ter a menor ideia do que isso venha a ser . Também parece alienada ao fato de que sua filha consegue ser mal vista num grupo após pouca convivência. Imagine quando chegar a hora da escola? Entramos no consultório e a médica se revelou competente o suficiente para eu não me arrepender do episódio . Mas fiquei com vontade de pedir a ela para observar o comportamento de Felipa e sugerir uma avaliação psicológica para que ela não cresça sem saber se precisa de mais atenção antes de ser julgada como inconveniente. Por conta disso publicarei uma série de artigos sobre hiperatividade infantil (TDAH)  a partir da próxima semana.   

 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Protegendo nossos filhos do Cérebro de Pipoca

popcorn_brain

Fico imaginando como será a vida do meu filho em 15 ou 20 anos, um menino nascido imerso na digitalidade que nunca viu um mimeógrafo, uma vitrola, uma tv preto e branco. Alguém para quem o touchsreen talvez seja tecnologia ultrapassada, que seja acostumado a processar várias coisas ao mesmo tempo. Isso já existe. Os jovens de hoje já são capazes de multiplas tarefas on line, um estilo de vida bem distante daquele que considero ideal. Mas é o nosso mundo. Precisamos nos habituar a isso, ou devemos proteger nossos filhos de toda essa loucura.

Hoje ouvi um comentário de Gilberto Dimenstein, que acompanho há uns 20 anos pelo rádio, sobre os estudos da Universidade de Stanford pessoas que sofrem  de um distúrbio chamado “cérebro pipoca” . Acostumados a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, como nosso navegador que abre tantas janelas quanto necessário, os portadores do cérebro pipoca possuem dificuldade de foco, e tem problemas ao terem de se concentrar em uma só tarefa , como por exemplo , cuidar de uma criança. O cérebro não para de pipocar e fica difícil se concentrar para, por exemplo , montar um quebra cabeças ou ler um livro.

Apesar de a conclusão vir de uma pesquisa científica, muitos de nós já percebemos que fazer muitas coisas ao mesmo tempo pode fundir a cuca e criar alguns problemas.  Exercitar o ócio por exemplo, parece que virou um crime, mas é muito importante para a saúde mental. Estamos nos acostumar a pensar que precisamos estar sempre ocupados acabamos por passar a nossos filhos essa ideia que não está totalmente correta. Precisamos nos ocupar com o que é importante e muitas vezes estar com nossos pensamentos é o mais importante de tudo, de preferencia em silêncio e com olhos fechados, olhando para dentro.  Nossos filhos são fascinados pelas novas tecnologias , isso é humano e natural, assim como é humano e natural andar descalço no parque sem hora para ir para casa e tomar um café com os amigos sem olhar o tempo todo para o celular como se alguma bomba fosse estourar a qualquer momento. Tiremos o pé do freio para o bem da cabecinha dos nossos filhotes.

para saber mais sobre o Cérebro de Pipoca , leia o artigo de Gilberto Dimenstein

* imagem PopconFace.com

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mãe, só eu tenho que ser educada?

mãeefilho

A frase acima foi dita pela minha irmã caçula, há muitos e muitos anos , direto do túnel do tempo. Minha mãe, super rígida, não imaginava a vida sem educação, modos e boas maneiras. Ensinou o que podia, o que não podia fazer em público, essas coisas. Mas a caçula, boa observadora, já via que o resto do mundo não se comportava como as regras lá de casa. E parece que tá cada vez pior.
Domingo, assistindo ao Kung Fu Panda 2 ( bom demais, mais pra frente eu falo sobre o fime) , um casal na fileira de trás com um casal de filhotinhos de uns 6 e 3 , aproximadamente, deixava o caçula meter o pé na cadeira da frente, que era a do meu filho , sem dó nem piedade. Ná época da minha infância, que foi no período Jurássico, bastaria olhar pra trás com cara feia pros pais do mini chutador mandarem ele parar ainda que na base do beliscão. Agora? Que nada, boba! “Filho, para com isso” em voz doce é o suficiente. Suficiente para não acontecer nada.
Enquanto isso meu menino assistia quietinho a fita  - ainda se diz isso, fita? – sem perturbar os outros na frente. Sinto que logo chegará o dia em que o meu menino repetirá a pergunta do título.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mamaço Carioca dia 05 de junho no Parque Lage

Nossa Senhora do Leite
No próximo domingo, dia 05 de junho, acontecerá no jardim do Parque Lage, a versão carioca do evento coletivo que ficou conhecido como Mamaço , forma de manifestação que vem movimentando as mães que lutam pelo direito de amamentar seus filho, algo, sejamos francos, natural e essencial.  Um mamaço coletivo já aconteceu no local onde a antropóloga Marina Barão foi impedida de amamentar seu filho no Itaú Cultural de São Paulo . Depois que a  história chegou às redes sociais  as mães puderam se organizar e mesmo depois de um pedido público de desculpas de Eduardo Saron, diretor do centro, o movimento só faz crescer.


Eu não amamentei meu filho por muito tempo, não sou uma mãe xiita pró-leitematerno, nem o contrário. Sou a favor de mães criarem , e alimentarem, seus filhos, sem constrangimento. Não consigo imaginar nada tão natural quanto o ato de amamentar. E também não consigo imaginar como  uma mãe que alimenta o filho pode constranger a sociedade da bunda de fora, por isso apoio o Mamaço e convido quem deseje participar. Então vamos lá:

O Mamaço acontecerá domingo 05/06/2011 no Parque Lage, das 10:00 às 13:00 na grama onde está o Chafariz.

No evento acontecerão atividades como palestras da Amigas do Peito,  contação de histórias, teatro de mesa, música, exposição de fotos , cantinho da leitura.

Saiba mais de tudo o que vai rolar aqui

Se puder apareça e leve seus filhos, lactantes ou não , para passarem uma manhã gostosa.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ser mãe é complicado … parte 2

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Outro dia eu estava aqui me lamentando ( mãe é tudo igual mesmo) da alteração de humor do meu filho de #3anos, que andava muito choroso, isso  até domingo passado. Descobri, com faro de mãe – gente, faro de mãe existe – o que afligia meu menino.

Na escolinha dele , existem aulas de natação e capoeira como atividades extra. Esperei  até ele que completasse os  3 anos para matricular na natação. Ele estava super ansioso e não falava em outra coisa , só queria ir para a piscina com os amigos. Fiquei um pouco preocupada e acompanhei durante meses as aulinhas. Apesar de ser muito seguro e a professora e auxiliares terem nascido para o trabalho, eu tinha medo de ele tomar caldo, o que nunca aconteceu mas esperava que ele perdesse o pânico de levar água nos olhos – como gritava de desespero no banho. De fato, o stress no banho melhorou e , quase um ano após o início das aulas, ele está numa boa.

Agora vem a parte da capoeira. Ernesto nunca manifestou vontade de participar da capoeira, mesmo vendo os melhores amigos nas aulas. Passava pela turma de capoeira e ainda dizia “ Capoeira eu não quero, não.” Tudo bem. Isso até o dia em que resolveu que queria. Tudo bem. Consegui uma vaga e lá fomos, na maior empolgação. Precisei pedir uma aula de degustação antes do mês iniciar tamanha a tal empolgação. Fez a primeira aula, o método é lúdico, aprender capoeira brincando. Todos os movimentos são ensinados na brincadeira, como deve ser. Na segunda aula , a supresa. “Não quero mais ir, não gostei da “capoela” Como assim, não gostou ?
Tentei negociar. Afinal, desistir de primeira não é a saída. Vamos dar uma chance para o professor, uma chance para ele te ensinar. Ninguém nasce sabendo nada, a gente precisa querer aprender. “Num quero aprender” Ah, vamos tentar. Tentamos. No final do primeiro mês a coisa parecia melhor, apesar de ouvir reclamações todos os dias. Já no segundo, agora em maio, a coisa virou uma guerra. Apesar de dizer que gosta do professor e de todos os amigos, meu menino diz que não gosta da capoela. Antes que alguém pergunte, não há nada de errado com as aulas, o professor é um doce e ele está entre amigos.

Choradeira todos os dias antes de ir para a aula. Berreiro mesmo. E como ele é muito meigo, apesar de saber o que quer. Chorava o quanto podia e quando via que eu não cedia, pedia desculpas , secava os olhinhos e ia para a aula como boi indo pro matadouro. Durante a aula eu percebia que ele até se divertia , mas criança é assim, né? Tem mecanismos de defesa bem melhores que os nossos. A coisa foi indo, foi se arrastando até semana passada. Quando, na quarta feira, ele perguntou se tinha capoela e eu confirmei um choro em desespero iniciou. Como o pai estava em casa, ele apelou para a segunda instância. Marido conversou , falou como capoeira é legal e o quanto ele queria começar as aulas. Menino secou os olhinhos, pediu desculpas e foi pro matadouro. E aí começou a instabilidade de humor. Demorou pro faro de mãe ligar. Mas na sexta feira perguntei na escola como ele estava e disseram que estava muito sensível , chorando a toa, precisando de carinho e conversa algumas vezes durante o dia e comendo mal ( logo ele , um glutão de marca) . O fim de semana foi intenso, muito choro, sono instável. Vaculhando a memória só encontrei uma coisa que o pudesse estar contrariando : a tal da capoeira.

Eu não quero que meu filho desista das coisas na primeira dificuldade. Mas precisei de um tempo para descobrir o que ia de errado com ele. Foi avisar o fim da capoeira para o humor mudar completamente e ele voltar aos níveis normais e aceitaveis de choro, birra, irritação para uma criança de 3 anos. Está mais animado , alegre, falante e eu com carra de tacho apesar de agradecida. Agradeço a Deus por ter descoberto o problema e aproveitei para pedir que não perca essa conexão com meu filho mesmo quando a sua vida se tornar mais complexa , com muitas variáveis, nem todas conhecidas por mim. Por enquanto é fácil manter a vida em equilibro, mas sei que no futuro a coisa aperta. Eita complicação.
Agradeço a Deus por ter tido sensibilidade para sacar que não deveria insistir

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ser mãe é complicado…

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Ah, como é complicado. Ou isso ou o meu filho que é complicadinho. Menino de lua,  #aos3 ele muda de opinião como eu mudo de canal e muitas vezes eu não conigo lidar muito com isso. Fico me perguntando: “Será que esse menino pirou?” O pai, que é bem mais tranquilo que a mãe, costuma dizer que é assim mesmo. Que é por isso que quando uma pessoa não fala coisa com coisa a gente diz que está agindo como criança. Ahhhh, tá, como criança. Essas alterações de humor não são diárias , mas quando acontecem me deixam pensativa.

É que eu fui criança há muito , muito tempo. Melhor nem comentar. Tento investir neste argumento e começo a conversar com ele como se eu também fosse uma criança. Pasma, constatei que, quase sempre dá certo.  Digo quase porque o menino é mesmo de lua, se ela estiver no minguante , é sentar e rezar. Ontem fui buscar ele na escola e o encontrei bem , alegre e disposto. Foi chegar em casa para o berreiro começar, chorando por tudo e por nada. Minha mãe diz que isso é dengo, mimo ou qualquer outra coisa parecida. Eu continuo achando que pode ser apenas uma fase, achando e torcendo.

Fico me perguntando se todos são assim, tão voluntariosos ( para não dizer nervosinhos) como o meu, um virginiano cheio de vontades mas ainda assim meigo , sensível e de bom coração. E o quanto me custa para torcer o pepino sem maltratar seu euzinho em formação, dando carinho , atenção e reprimenda. Ô meu Deus , como ser mãe é complicado…

Este é só um esboço de artigo, aquele chamado desabafo, que deixo aqui nesta sexta feira, aproveitando para perguntar: é complicado para vocês também?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Fralda de Pano?

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Tenho lido vários artigos sobre a volta das fraldas de pano. É, isso mesmo, de pano. Tecido, 100% algodão, sabe como é. Sou muito antiga sabe? E antigamente, não existiam fraldas descartaveis no mercado. Creio que quando minha irmã caçula, hoje com 34 anos, nasceu, elas até já eram comercializadas no Brasil , apesar de ser caro demais.


Hoje, todo mundo usa fralda descartável, como se simplesmente não houvesse outra opção. Por conta disso, muitas crianças manifestam dermatites incômodas, isso sem falar no impacto ambiental. Sabe quando as fraldas descartáveis dos nossos filhos deixarão a face do planeta? 450 anos. Isso mesmo, quatrocentos e cinquenta anos, o que será lá por 2461. Por outro lado, fico imaginando o quanto de água uma família que opte pelas fraldas de pano deverá gastar em aproximadamente 30 meses. Água é um recurso escasso e a superpopulação pode secar o planeta terra lavando fraldas. O que fazer? Continuar amontoando lixo e provocando alergias nas crianças ou consumir toda a água do planeta?



Li uma frase da professora e cientista ambiental Donella H. Meadows, co-autora do livro Os Limites do Crescimento que era , mais ou menos – tradução livre – assim:
É ótimo tentar mudar a nossa vida na direção da justiça ecológica, mas também é verdade que toda atividade humana tem impacto ambiental - especialmente as atividades da fração da população humana rica o suficiente para ter as fraldas de qualquer tipo. Do ponto de vista da terra não é importante o tipo de fraldas que você usa. A decisão importante foi ter o bebê.”
Acho que Donella Meadwos disse tudo. Se chegamos ao ponto de podermos decidir quais fraldas usar, que seja conscientemente . Isso quer dizer que precisamos pensar também nos absorventes das mamães, no destino do óleo de cozinha - você não joga o seu na pia, joga? –, no descarte dos remédios ( sabe o que os antibióticos podem fazer no lixo comum?) e no consumo consciente de todo e qualquer produto.

Independente da sua escolha, que não julgarei por não ter elementos para tanto, a opção por este ou aquele método para manter seu bebê sequinho merece ser pensada. Seja pelo impacto ambiental, seja pelo que é melhor para a criança, seja pelo que é viável para você. Eu , ainda que tenha cogitado, não teria condições de usar fraldas de pano. Cuidei do meu bebê 24 horas por dia sem ajuda nenhuma até um ano e meio e durante 20 horas até os 2 anos e meio. Isso quer dizer que eu desabaria se tivesse que cuidar de fraldas de pano.Não sou defensora nem contrária à volta do pano, quero pensar, compreender melhor o tema.  E você?


UPDATE - Leia o artigo da Dé do blog Pedalando em Paris sobre o assunto..

segunda-feira, 18 de abril de 2011

#cartaaberta Que futuro terão nossos filhos?

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Aconteceu na última sexta feita uma blogagem coletiva que envolveu grande parte da #blogosferamaterna e #blogosferapaterna. Como eu estava fora da cidade, escrevo hoje sobre um assunto que é de ontem, de hoje e, certamente, de amanhã. Depois do ataque a uma escola pública no bairro de Realengo, Rio de Janeiro, no último dia 07, que deixou a todos pesarosos, sem palavras, com palavras demais que valessem a pena ser ditas, confusos, tristes, de luto, revoltados e/ou, principalmente, assustados, um grupo de mães pensantes enviou uma carta aberta a seus grupos de amigos visando um debate de valores profundos. Quando recebi a carta, respirei fundo. Afinal, como o leitor poderá concluir, trata-se de um assunto árido, difícil de digerir: os tempos difíceis em que vivemos e a crise de valores que parece não cessar. Apesar existirem alguns pontos da carta que eu poderia, se não discordar, ao menos , ponderar de modo contrário, a atitude do seu envio por si só é motivo de aplauso.

Estamos nos acostumando a termos nossas retinas e ouvidos torturados com imagens e notícias absurdas no que diz respeito ao trato com a infância. E sem reclamar. São produtos que nossos filhos precisam consumir sob o risco de serem considerados out, são alimentos repletos de substâncias nocivas e atraentes que precisamos comprar para eles para ganharmos tempo, são abusos cometidos contra inocentes sem que haja punição adequada dos culpados, são tantas coisas… As signatárias da carta aberta resolveram reclamar agora e eu também vou reclamar com elas.

Precisamos debater exasutivamente todos os assuntos que digam respeito a nossas crianças e dar-lhes todo o tempo que nos seja possível dar, precisamos acolher nossas crianças pois este é o nosso dever. Não importa se elas não nasceram  de parto natural , se não foram amamentadas no peito , se os pais precisam trabalhar 40 horas por semana para garantir-lhes um futuro melhor e uma boa educação, se elas usam fraldas descartáveis, se não comem os alimentos chamados agora orgânicos. Apesar de tudo isso parecer o politicamente incorreto, se houver amor e entrega na relação pai e filho, se houver comprometimento e atenção, teremos uma chance. O assunto, é claro , não termina por aqui. LEIA ABAIXO A carta aberta:

Que futuro terão nossos filhos?

Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convoca-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.

A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?

Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças! Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.

Se desejamos alcançar uma paz real no mundo,

temos de começar pelas crianças. Gandhi

O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?

Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?

O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.

O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?

Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!

Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.

Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.

Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!

Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.

Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é? Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor! Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.

Ana Cláudia Bessa www.futurodopresente.com.br

Cristiane Iannacconi www.ciclicca.blogspot.com

Letícia Dawahri

Luciana Ivanike www.lucianaivanike.blogspot.com

Monique Futscher www.mimirabolantes.blogspot.com

Renata Matteoni www.rematteoni.wordpress.com

* para saber mais acesse: Futuro do Presente

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mãe é tudo igual completa um ano com promoção


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Em 03 de maio próximo, este humilde bloguinho completa um ano de idade. Estou muito feliz com o acontecimento pois apesar de não ter estatísticas, como blogueira experiente, sei que boa parte dos blogs não passa dos primeiros seis meses. Já discuti vários temas relevantes para mim aqui e ainda tenho muito mais o que falar. Acredito que este blog me ajuda a ser uma mãe melhor na medida em que possuo um canal para debater os problemas que observo, vivencio e busco resposta. Aqui conheci pessoas interessantes que vivem realidade semelhante á minha ou , pelo contrário, vidas completamentes diferentes. O blog cresceu e eu cresci. Espero continuar por mais um tempo por aqui.

Quando engravidei achei que seria uma mãe perfeita, como eu disse no artigo Mães de Sucesso, publicado outro dia. Seria completamente diferente da minha mãe, que muitas vezes me parecia um sargento disfarçado de mamãe, outras vezes uma bruxa e, outras tantas minha amiga. Tive uma educação muito rígida, com muitas cobranças de rendimento escolar e comportamento. Como eu não tinha dificuldades na escola e sempre fiz o tipo paradona, perdida dentro da minha cabeça e preferindo os livros a aglomerações, fui poupada de embates piores com minha mãe. Mas lembro que uma vez, minha irmã caçula, ainda criança perguntou: “Mãe, você não sabe dizer sim, só fala não?” Minha mãe teve seus motivos, ficou viúva cedo com as filhas por criar, não podia deixar o angú desandar. Acontece que eu sonhava uma coisa diferente.

Depois do nascimento do meu filho, descobri que a tal coisa diferente não seria tão fácil assim. Todos os dias sou testada na minha performance de mãe que gostaria de ser perfeita, aquela mãe distante da minha, o sargento. Por isso quando fiquei sabendo do lançamento do livro O grito de guerra da mãe tigre da professora universitária Amy Chua, que fez bastante barulho nos EUA e Grã-Bretanha. A polêmica , se você ainda não ouviu falar do livro, reside no fato de Chua narrar sua experiência em educar suas filhas através do método chinês de cobrança de excelência permanente vivendo na América. E detalhe: seu marido é judeu americano. A chamada de capa do livro parecia retratar minha mãe. Afinal, para ser uma mãe chinesa, você precisa pensar que:


1- os deveres escolares são sempre prioritários;
2- um A-menos é uma nota ruim;
3- seus filhos devem estar dois anos à frente dos colegas de turma em matemática;
4-os filhos jamais devem ser elogiados em público;
5- se seu filho algum dia discordar de um professor ou treinador, sempre tome partido do professor ou do treinador;
6- as únicas atividades que seus filhos deveriam ter permissão de praticar são aquelas em que pudessem ganhar uma medalha;
7- essa medalha deve ser de ouro.



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Amy e suas filhas, as "sobreviventes" Sophia e Lulu.


É verdade que minha mãe não era exatamente assim. Mas, chegou perto, bem perto.Ela própria se reconheceu ao ver uma reportagem sobre Amy Chua  e me telefonou contando. Mães chinesas podem, como diz a autora,   nascer em toda parte. Eu, que já li metade do livro, afianço que vale a leitura. Não para nos transformar em mães chinesas, mas para avaliarmos o quanto temos sido permissivas ou, ao contrário, exigentes e competitivas demais. E ainda é possível perguntar, quem será mais infeliz o chinês educado pela mãe tigre ou o ocidental criado pela mãe que precisa acompanhar as dicas da supernanny? E ainda dá pra refletir, é possível encontrar o caminho do meio, como ensina o TAO, o equilibrio na criação de nossos filhos neste louco mundo líquido de hoje?



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Por conta disso tudo, aviso que em parceria com a Editora Intrínseca, o blog vai presentear com dois exemplares do livro Grito de Guerra da Mãe Tigre à
as leitoras do Mãe é tudo igual. Para participar você, que possui um blog, pode escrever um artigo até  8 de maio com o tema : O quanto de mãe chinesa há em mim?  e deixar o link na seção de comentários. Agora , você que não tem um blog, não pode ou prefere não escrever o artigo, deixe sua resposta à mesma pergunta através de comentário, também até 08 de maio. As blogueiras que escreverem o artigo concorrerão ao primeiro exemplar e as comentaristas concorrerão ao segundo exemplar. Cada participante receberá um número e os livros serão sorteados através da extração da loteria federal do dia 13/05. Agradeço desde já quem queira ajudar na divulgação.


Update - Quem já publicou :


Livro Aberto da Elô

Peculiarizar

Arma NÃO é brinquedo

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Estamos na semana do desarmamento infantil promovida pelo Instituto Sou da Paz em São Paulo. E o debate é nacional. Arma não é brinquedo e ainda que esteja nas mãos inocentes de crianças constitui um perigo. Ao entrar no universo lúdico infantil, a arma leva consigo todo um significado de violência que não desejamos que esteja presente na educação de nossos filhos e  pode acabar confundindo o pequeno que a carrega nas mãos. Afinal, apontar uma arma para o colega e puxar o gatilho plástico é brincar de que? De tirar a vida.

Vivemos tempos difíceis, em que as imagens da violência são propagadas a todo instante e , ainda que estejamos atentos somos pegos de surpresa. Há quase uma semana, quando um louco invandiu uma escola em Realengo, Rio de Janeiro, portando armas, uma delas comprada por R$266,00, a televisão não teve qualquer pudor em mostrar cenas de desespero  e violência ao vivo antes das 10 horas da manhã, quando as crianças estão em casa assistindo tv. Por isso eu tenho convicção de que todo cuidado é pouco.

Lembro que meu fillho ganhou uma espada de plástico como lembrança em uma festinha no ano passado e na hora fiquei sem saber o que fazer, parada com aquela coisa nas mãos. Era apenas uma espadinha do Peter Pan, o personagem  da nossa infância.  Meu filho , que adora música, me tirou a espadinha imediatamente e falou : “ Mãe, olhe, ganhei uma tuba!”. Não precisei esconder a espada , ele a toca como tuba até hoje.

Sei que logo logo ele reconhecerá sua tuba como uma espada, mas acho que não preciso explicar isso a ele agora, aos 3 anos de idade. O que eu preciso é preservar , por enquanto seu universo tal como deve ser: infantil. Não pense que ele não brinca de polícia e ladrão com os primos nas reuniões de família. Não tenho como evitar que o menorzinho da turma fique fascinado com o bangue-bangue e o pow pow seguido de correria. Apesar da ausência de brinquedos, polícia e ladrão continuará sendo uma brincadeira, mas não precisa servir de treinamento.

Este post faz parte da blogagem coletiva Arma NÃO é brinquedo. Saiba mais visitando o site do Instituto Sou da Paz

quarta-feira, 23 de março de 2011

Por Uma Infância sem Racismo

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Racismo é uma palavra cujo significado eu gostaria que meu filho não precisasse conhecer. Mas, um dia , quando estiver mais longe  dos seus 3 aninhos, ele precisará lidar com isso, como eu precisei.

Meu pai era o que pode ser chamado mulato. Eu tenho dificuldade em definir a cor do meu pai porque no Brasil temos tantas raças diferentes miscigenadas , que o brasileiro acaba saindo como uma cara que pode ser de qualquer raça. Desde pequena eu procurei tentar descobrir minha raça; já que estudava em uma escola de classe média com maioria branca e meu cabelo cacheado era muito diferente. Não lembro de ter sido discriminada por causa disso, mas que era diferente, isso era. E isso porque meu pai , que era filho de um mulato brasileiro com uma cabocla de olhos verdes ( minha avó era filha de um espanhol com uma índia “caçada no mato – gente meu bisavô um dia saiu de casa e decidiu caçar uma índia pra casar , pode um troço desses? E ainda diz a lenda que eles foram muito felizes) Então meu pai saiu o que alguns chamam mulato claro ou moreno e essa é metade da história.

Minha mãe é branca. Cem por cento branca, seja lá o que isso signifique. É neta de portugueses e italianos e resolveu casar com o meu pai, até que um dia ele resolveu casar com ela também e eu nasci. Nasci eu, metade miscigenação nos moldes do descobrimento e colonização, metade miscigenação nos moldes da imigração. E o que eu sou ?  Mulata a 50% e é por isso que eu fico bronzeada com 5 minutos de sol e vivo lutando contra o cabelo cacheado ? Branca a 50% e é por isso que a pele não é escura? Mas e a cara de turca? Veio com o avô italiano de presente. Mulata com cara de italiana é o que faltava. É por isso que quando eu era criança ficava difícil me definir numa raça. É difícil até hoje. Felizmente sou todas as raças, ou a maioria delas, já que não apareceu nenhum judeu ou japonês na árvore genealógica lá de casa. Partindo daí fica até ridículo colocar racismo no meu dicionário. Mas, racismo existe, por mais ridículo que seja.

Lembro perfeitamente do dia em que eu sai na rua com uma tia, tão mulata quanto eu, mas sei lá, digamos que com a pele num tom acima , que é casada com o irmão do meu pai. Na manhã seguinte na escola , uma colega disse ter me visto na rua passeando com a empregada. Depois dos meus protestos veementes e do seus pedido de desculpas eu aprendi o que era racismo e conclui que para alguns realmente existem classes de pessoas de acordo com a cor da pele e que um negro é sempre necessariamente empregado subalterno. 


Um livro que li há alguns anos e me fez encontrar minha identidade racial foi O Povo Brasileiro de Darcy Ribeiro , ali ele diz:

Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles negros e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da maldade destilada e instilada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria."
"A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista."
Minha esperança de mãe no trabalho com educação de meu filho hoje é que ele possa, ao ser confrontado com esta realidade tacanha, continuar o mesmo menino autenticamente brasileiro que hoje brinca com seus amigos de todas as cores . Espero que ele possa ser capaz de distinguir as pessoas pelo que realmente importa , algo que não tem nenhuma relação com a raça e que é chamado caráter.

Este texto é parte da blogagem coletiva proposta pelo blog Desabafo de Mãe
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