sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
A era dos aquários
quinta-feira, 6 de março de 2014
Sendo mãe em tempos de marketing agressivo
Aliás, o Tony Ramos já vem falando há meses na tevê sobre como esta carne é boa.' Depois que Tony estreou os comerciais Friboi pelo cachê de 3 milhões de reais as vendas cresceram 20% e os supermercados começaram a colocar uma plaquinhas nos açougues com a marca da carne. Propaganda é a alma do negócio. Um frigorífico do qual você nunca tinha ouvido falar, de uma hora para outra vira o fornecedor de confiança da melhor das carnes graças a um famoso.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Como falar sobre a morte com as crianças?
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Dicas para ser uma boa mãe #soquenao
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Trilha sonora do amor de mãe
Música, todo mundo sabe , embala a alma. Temos nossas músicas preferidas, aquela que tocou na formatura, no casamento, a que lembra esta ou aquela situação, música dos casais. E música que lembra o filho, tem também? Meu bebê - que não nos ouça já que detesta ser chamado de bebê - tem 5 anos e tenho músicas que me remetem á sua lembrança. Se é que existe isso, lembrança de filho. E cabeça de mãe lá pensa em outra coisa com exclusividade. Seja lá o que a mãe esteja fazendo, lembrança de filho é sempre pano de fundo.
E na sua cabeça de mãe, toca música?
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Feliz dia das crianças, filho.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Uma dica de férias
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Quem faz o dever de casa das crianças?
terça-feira, 26 de junho de 2012
Leia os clássicos para seu filho, por favor.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Meu filho e a #SemanaMundialdoBrincar
segunda-feira, 5 de março de 2012
Você lê mais para seus filhos do que seus pais faziam?
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Receitinha para criar um leitor?
terça-feira, 1 de novembro de 2011
A escolha da escola : o dilema
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Formas geométricas e o dentista #aos3
1. O Retângulo
_Mãe, olha, fiz um retangulo.
_ Não é retangulo, filho. É retângulo.
_Retangulo.
_Retângulo, filho. Como o triângulo.
_Não, mãe! Triângulo é assim.
2. O dentista
_Preciso marcar hora para levar você ao dentista .
_Não preciso ir ao dentista, eu já tenho dentes.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Não preciso fazer dieta, basta sair com meu filho #aos3
_Filho, tem certeza que não quer lanchar? Só sorvete?
_Só sorvete, mãe. Mas eu quero da outra loja.
_Ah, então eu vou lanchar aqui nessa loja e depois vamos até a outra e eu te pago o sorvete, tá bom?
_Eu não quero esperar, não. Me dá um sorvete daqui?
_Tudo bem, então, vou pedir meu lanche e o seu sorvete, tem certeza que não quer mais nada?
_Tenho.
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_Mãe, por que você está mordendo o meu lanche?
_Filho, eu estou comendo o meu lanche, você pediu só o sorvete.
_Mãe, então deixa eu morder?
_Deixo, você está com fome?
_Estou.
_Tá , então quando acabar o sorvete, te dou um lanche igual.
_Ah, mas deixa eu comer o seu também.
_Tá bom, mas então quando eu pedir o seu , você divide comigo, tudo bem?
_Tudo bem. Me dá batata?
_ Dou, termina o sorvete.
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_Bom, agora que você terminou o sorvete e comeu metade do meu lanche, vamos comprar outro para dividir.
_ Não, mãe, não tô com fome.
_Mas, eu estou , você comeu metade do meu lanche.
_Então compra outro pra você, eu não quero mais nada, comi demais.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Desconstruindo o diagnóstico de TDAH
Era uma vez uma menina ativa. A atividade era tramanha e chamou a atenção dos pais. Mas, é claro haviam outros sintomas, ou seriam adjetivos? Fizeram exames mas, segundo a médica, era preciso esperar a menina ativa crescer mais um pouquinho. O tempo passou e a chegada de um irmãozinho fez com que os sintomas-adjetivos se acentuassem. A agitação era demais e, após os exames, foi prescrita a tal da Ritalina. Com ele vieram os efeitos colaterais, como aumento de irritabilidade , falta de apetite, insônia. Dá pra imaginar ? O que você faria? Os pais da menina ativa resolveram suspender o remédio. Sabe o que aconteceu?
“ A psicóloga fez uma série de sessões e … nos deu o retorno, corroborando o que nós, pais, afirmávamos: ela é normal e muito ativa, mas não é fora do padrao das crianças que mroam em apartamento e acabam ficando muito em casa, sem pátio, indo ás vezes à pracinha, mas precisando gastar mais energia (justo agora que ela saiu da GRD e do Ballet...), mas também tem coisas que seriam bacanas de trabalhar na terapia, pra que se organize melhor e consiga canalizar os sentimentos de melhor forma.
A prof, por sua vez, disse que a Larissa está bem menos ansiosa e que se concentra, a avalaiação trimestral veio cheia de elogios e aponta apenas dois itens que estão em desenvolvimento, podendo melhorar.
Ok, finalmente encontramos alguém não quer nem medicar nem rotular a criança, disse apenas que a Lalá é uma criança normal e tem necessidade de gastar energia. E estamos falados!” Ingrid Strelow, do blog Desconstruindo a Mãe.
Ritalina é o nome comercial da substância Metilfenidato . Segundo o Wikipédia:
Metilfenidato (nome comercial Ritalina do laboratório Novartis Biociências e CONCERTA do laboratório Janssen Cilag) é uma substância química utilizada como fármaco, estimulante leve do sistema nervoso central com mecanismo de ação ainda não bem elucidado, estruturalmente relacionado com as anfetaminas. É usada para tratamento medicamentoso dos casos de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), narcolepsia e hipersonia idiopática do sistema nervoso central (SNC).
O TDAH é um transtorno metabólico neural, que resulta em comportamentos mal adaptados; o metilfenidato pode favorecer a quebra do "círculo vicioso" criado pela hiperatividade em especial.
Como toda medicação, o metilfenidato deve ser usado e dosado por profissional médico especializado neste tipo de transtorno. Por ser uma medicação psicoestimulante, seu uso provocaria uma maior produção e reaproveitamento deneurotransmissores, a exemplo: dopamina e serotonina.
Entretanto, há controvérsia sobre a produção e reaproveitamento da serotonina pelo cérebro das pessoas portadoras do TDAH. Especialistas no transtorno, atualmente, não creem que haja prejuízo no controle deste neurotransmissor, ao contrário do que ocorre com a noradrenalina.
O uso do medicamento explodiu nos últimos anos, e existem excessos nas prescrições. Muitas vezes , uma criança bagunceira, sem atenção ou sem limites, pode ser diagnosticada como hiperativa e acabar utilizando a droga para ter a concentração aumentada e o comportamento domado.
Este artigo não pretende desacreditar o uso de medicamentos. Apenas conta uma história real onde o medicamento não ajudava a criança. E minha opinião como mãe é que algo tão forte só deve ser ministrado se não houve sombra de dúvida de que fará mais bem do que mal. Apesar de não ser especialista, como mãe gostaria que o TDAH pudesse ser tratado sem drogas.
Para conhecer o blog de Ingrid e ler toda a narrativa do que se passou com Larissa, clique aqui.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Por que é difícil diagnosticar o déficit de atenção?
Ter um filho corretamente diagnosticado como portador de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode ser uma benção. Sim. A tal benção reside no advérbio corretamente . Segundo pesquisadores da USP cada vez mais diagnósticos errôneos são feitos nesta área, e consequentemente, cada vez mais remédios são receitados. Como o correto diagnóstico depende do relato dos pais, da escola e de um questionário com 18 sintomas que podem ser considerados comuns entre os jovens ( e até alguns adultos), muitas vezes os pais chegam aos consultórios certos de que seu filho tem TDAH simplesmente por alguém não habilitado ter ajudado a preencher o questionário sobre a criança. Clique aqui e veja o questionario.
Imagine então leitor esta verdade. Muitas crianças vem sendo drogadas sem necessidade. Sim, crianças sãs drogadas, utilizando um medicamento que afeta a função cerebral e produzida para um organismo que tem determinado tipo de problema. O Metilfenidato está entre as substâncias mais vendidas no país e recentemente descobriu-se que o cérebro sem TDAH responde a droga de modo diverso ao cérebro daquele que realmente precisa da medicação. Quais serão as consequências disto a longo prazo? E ainda, será que o único tratamento possível é o químico? Qual a importância da atividade física e que terapias de apoio podem ser utilizadas? Só um especialista pode dizer, analisando caso a caso.
A escola precisa auxiliar nesse processo de diagnóstico. Rotular o aluno com dificuldade de aprendizagem antes de procurar a verdadeira causa para o desinteresse é um problema recorrente. Algumas poucas escolas particulares já prestam atenção ao assunto apesar de ainda não existir nenhuma escolar especialidada em lidar com alunos com TDAH. Na esfera pública , o projeto de lei 07081/2010 tramita no Congresso . O projeto prevê um programa de diagnóstico e tratamento de TDAH e dislexia para alunos da rede pública de educação básica. Para acompanhar o andamento do projeto de lei clique aqui.
Os pais são a parte mais importante na equação. Afinal, na relação em família, o termo atenção não pode faltar. Meu filho apresentou uma mudança brusca de comportamento ou ela foi gradual? Será que aconteceu alguma coisa para deixá-lo desatento/hiperativo ou pode mesmo estar acontecendo um disturbio químico que só a Química pode tratar? Eu conheço realmente meu filho e estou disponível para tentar compreender os problemas pelos quais ele passa e pedir ajuda no momento certo ao profissional adequado? Ninguém disse que ser mãe ( e pai) é moleza. Se disse, estava te enganando.
Esta é mais uma conversa de muitas que pretendo levantar sobre o assunto. Se interessar, leia também Hiperativo ou mal educado?
* Fontes ABDA
Portal Último Segundo
terça-feira, 12 de julho de 2011
Hiperativo ou mal educado?
Sala de espera da pediatra, primeira consulta. A Caxias aqui chega 10 minutos atrasada e pede mil desculpas, 30 segundos depois se arrepende. O recinto está repleto de crianças esperando há muito tempo pelo atendimento. Meu filho, que odeia ir ao médico, chora baixinho dizendo que não quer entrar e corta o meu coração. Ele não quer brincar com as outras crianças. Três delas, entre um e três anos, fuçam os brinquedinhos da salinha. Um menino de 10 anos aparenta cansaço decorrente da espera de horas. Um recém nascido também está na fila naquela cheia de gente e eu consolando o choro do filho. “ Num quero ir ao médico, mãe eu não tô doente!” Bate o desespero. Eu só estou ali para ter uma segunda opinião sobre alguns assuntos que não são sérios, mas eu preciso da opinião então decido esperar e tentar acalmar meu bebê.
Quando o choro pára eu posso começar a prestar mais atenção nas crianças menores. A brincadeira é caótica e não demoro a entender o motivo que atende pelo nome – fictício – de Felipa . Felipa está próxima de completar 3 anos e é grande para a idade. Fala pouco e se movimenta muito. As duas crianças menores ficam andando atrás de Felipa que as ignora e se nega a partilhar os brinquedos. Felipa demonstra estar desassossegada, anda de um lado para outro, mexe em tudo , rouba um termômetro da gaveta da atendente, entra num pequeno escritório e desliga o computador, pega o telefone sem fio e joga no chão. A mãe ? Impassível, resume-se a dizer que “ essa menina não pára!” Isso eu já vi. Fico irritada. Detesto criança mal educada. Culpa da minha mãe sargento que me incutiu uma educação militar. Sem contar o meu jeito , eu sou paradona.
Incomodada , mudei para um lugar mais distante da Felipa. Comecei a me recriminar intimamente. Eu sou uma chata e ela é só uma criança com uma mãe que não presta atenção nas coisas, pensei Tento me distrair conversando com o filho mas ele não está pra muito papo e pede para ir brincar . Felipa entra em ação e começa a andar atrás dele empurrando brinquedos e querendo puxar os que estão com ele. Eu observo sem intervir porque meu filho é bem maior que ela e também mais velho, ele precisa se defender . Vejo que ele o faz, ignorando solenemente Felipa. Ela começa a querer chamá-lo para brincar pegando os bonecos e colocando as mãos bem perto dos olhos, o que me deixa aflita. Felipa faz isso com todas as crianças na sala, inclusive o recém nascido. Mão na cara, dedo no olho. E a mãe ? Até então apenas chamava a atenção assim, como quem não chama atenção de nada, mas começa a ficar com vergonha quando vê que eu tenho que impedir Felipa de cegar o Ernesto a cada 2 ou 3 minutos. Ela tenta de tudo e nada adianta. Felipa simplesmente não ouve ou finge não ouvir, os barulhos pelo consultório indicam provável desabamento em minutos, mas é só Felipa.
Uma hora e meia depois, a clientela na sala de espera já foi renovada e outros pais, mães e crianças aguardam. Começo a observar que não sou a única incomodada, Felipa virou persona non grata e a atentende sugere que a mãe espere no corredor. Quando ela sai , suspiros aliviados. E um pai com o filho de um ano ao meu lado , conversa com o Ernesto. “ Tá com medo do médico? Eu tô com medo é da Felipa!”
Deu pena. Felipa , para meus olhos de leiga completa e absoluta, tem muitos sintomas de hiperatividade. A mãe não parece ter a menor ideia do que isso venha a ser . Também parece alienada ao fato de que sua filha consegue ser mal vista num grupo após pouca convivência. Imagine quando chegar a hora da escola? Entramos no consultório e a médica se revelou competente o suficiente para eu não me arrepender do episódio . Mas fiquei com vontade de pedir a ela para observar o comportamento de Felipa e sugerir uma avaliação psicológica para que ela não cresça sem saber se precisa de mais atenção antes de ser julgada como inconveniente. Por conta disso publicarei uma série de artigos sobre hiperatividade infantil (TDAH) a partir da próxima semana.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Protegendo nossos filhos do Cérebro de Pipoca
Fico imaginando como será a vida do meu filho em 15 ou 20 anos, um menino nascido imerso na digitalidade que nunca viu um mimeógrafo, uma vitrola, uma tv preto e branco. Alguém para quem o touchsreen talvez seja tecnologia ultrapassada, que seja acostumado a processar várias coisas ao mesmo tempo. Isso já existe. Os jovens de hoje já são capazes de multiplas tarefas on line, um estilo de vida bem distante daquele que considero ideal. Mas é o nosso mundo. Precisamos nos habituar a isso, ou devemos proteger nossos filhos de toda essa loucura.
Hoje ouvi um comentário de Gilberto Dimenstein, que acompanho há uns 20 anos pelo rádio, sobre os estudos da Universidade de Stanford pessoas que sofrem de um distúrbio chamado “cérebro pipoca” . Acostumados a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, como nosso navegador que abre tantas janelas quanto necessário, os portadores do cérebro pipoca possuem dificuldade de foco, e tem problemas ao terem de se concentrar em uma só tarefa , como por exemplo , cuidar de uma criança. O cérebro não para de pipocar e fica difícil se concentrar para, por exemplo , montar um quebra cabeças ou ler um livro.
Apesar de a conclusão vir de uma pesquisa científica, muitos de nós já percebemos que fazer muitas coisas ao mesmo tempo pode fundir a cuca e criar alguns problemas. Exercitar o ócio por exemplo, parece que virou um crime, mas é muito importante para a saúde mental. Estamos nos acostumar a pensar que precisamos estar sempre ocupados acabamos por passar a nossos filhos essa ideia que não está totalmente correta. Precisamos nos ocupar com o que é importante e muitas vezes estar com nossos pensamentos é o mais importante de tudo, de preferencia em silêncio e com olhos fechados, olhando para dentro. Nossos filhos são fascinados pelas novas tecnologias , isso é humano e natural, assim como é humano e natural andar descalço no parque sem hora para ir para casa e tomar um café com os amigos sem olhar o tempo todo para o celular como se alguma bomba fosse estourar a qualquer momento. Tiremos o pé do freio para o bem da cabecinha dos nossos filhotes.
para saber mais sobre o Cérebro de Pipoca , leia o artigo de Gilberto Dimenstein
* imagem PopconFace.com
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Direitos da Infância
Graças à minha formação, tenho bom conhecimento a respeito do Estatuto da Criança e do Adolescente. Na verdade, eu tenho também uma teoria de que todo mundo, independente da profissão abraçada, deveria ter noções básicas de Direito. A matéria deveria estar nos currículos escolares e reduziria em muito os problemas do cidadão. Mas, o artigo hoje não é sobre isso. Participando de um debate proposto pelo blog Desabafo de mãe, estou aqui para falar sobre como são – e se são – aplicados os direitos da criança na minha casa.
Não sei se sou uma mãe estranha ou se reagi estranhamente a educação rígida que tive. Mas tenho um escrúpulo tão grande ao lidar com meu filho que tenho medo até de errar na mão. Sei que ele tem 3 anos e preciso educá-lo , mostrar quais são as regras de convivio social e que ele não deve ultrapassá-las pois isso representar desrespeito ao outro. Sei que tenho o dever de resguardar sua integridade física e psicológica e assim, intervir sempre que ele estiver colocando a si próprio em risco. Sei que devo dar a ele meios de se desenvolver integralmente e para isso empenhar todos os esforços. Sei que ele não é meu, apenas alguém a quem devo a obrigação de criar e amar para que seja capaz de viver sua vida independente um dia. E levo isso muito a sério.
Assim, quando fui reler o ECA para redigir este texto , fiquei pensando em como meu filho tem sorte. Afinal, boa parte dos direitos garantidos pelo Estatuto são sociais, garantidos, mas não cumpridos, pelo Estado. Meu filho teve direito garantido por Lei a um pré-natal , preferencialmente com o mesmo médico. Isso está no art.8o e incisos mas, é só lá. Sabemos que grande parte das gestantes mal conseguem realizar o pré-natal regular. Encontrar o mesmo médico então é quase uma utopia. Então, sim, meu filho tem direito a saúde, mas o Estado, o verdadeiro responsável pela manutenção deste direito se exime vergonhosamente, e eu preciso pagar um plano de saúde para ter um atendimento minimamente decente.
Da mesma forma, Educação, um direito lindamente coroado pela Lei e não funciona no Brasil. Vagas em creches e pré-escolas públicas são como bilhetes premiados da loteria. A classe média (na qual se inclui minha famìlia) acaba se matando para dar uma educação melhor a seus filhos. Não deixa, é claro, de pagar a carga tributária mais elevada do mundo, cobrada em tese (que tese magnífica!) para retornar à sociedade em forma de serviços quando acaba voltando mesmo em aluguel de jatos e produção de propaganda governamental de primeira. A classe baixa não paga imposto de renda, mas paga todos os tributos imbutidos nos serviços e mercadorias, recebe um péssimo serviço educacional e sofre ao ver seu filho sem escola decente, desperdiçando seu potencial. Meu filho tem sorte, tem escola boa e paga.
No que diz respeito única e exclusivamente a nós, os pais, e as responsabilidades impostas a nós pela Lei, meu filho continua tendo sorte. Somos amorosos e preocupados 24 horas por dia com o seu bem estar. Temos escrúpulos também no que diz respeito a formação de sua opinião, decidindo por criar um mini estado independente aqui em casa, um mini estado laico, preocupado em transmitir valores éticos importantes, deixando a questão religiosa para quando a pergunta fatal “De onde vim?” finalmente for feita. Liberdade religiosa também é direito de criança. Minhas convicções religiosas pertencem exclusivamente a mim e são fruto de meus questionamentos. Não consigo imaginar falar sobre isso como meu filho como me foi contado, uma verdade imutável que eu devo aceitar porque mamãe católica está dizendo. Prefiro deixá-lo crescer e pensar o que quiser de Deus. Meu pai era ateu e a pessoa mais íntegra de que tenho notícia.
Meu filho tem sorte, sim. Mas, só até a página 20. Criar uma criança em um país com profundas deformações éticas e diferenças sociais é uma tarefa e tanto. Explicar porque aquele menino no sinal está trabalhando enquanto ele está passeando, porque não sente fome nem frio quanto tantos são abandonados, violentados e esquecidos por todos, família, Estado, sociedade, é osso duro de roer. Dá vontade de fugir para a Suécia, usar um capacete viking e pintar a cara de azul e amarelo. Infelizmente não adianta fugir dos problemas, nos resta lutar por um lugar melhor por nossos filhos. E debater também é lutar.
Então, respondendo à pergunta do Desabafo de Mãe na blogagem coletiva que vai até 30 de junho : sim, eu sei o que significam os direitos da criança garantidos pelo ECA, luto para que a parte omitida pelo Estado seja suprida e me esforço por cumprir a parte que cabe exclusivamente a mim da melhor maneira possível . Só espero que num futuro próximo, as crianças do Brasil possam contar menos com a sorte e mais com o cumprimeto das leis.
Para ler o Estatuto da Criança e do Adolescente atualizado , clique aqui.




















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