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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A era dos aquários



"Mãe , não olhe agora mas tem uma menina pequenininha na outra mesa com um tablet do tamanho de uma televisão" 

"Onde?"

"Ali, atrás da mesa onde dois bebês estão brincando nos celulares dos pais"

Meu filho tem agora sete anos. Ele é uma criança de sua geração. Sim, isto significa que ele domina perfeitamente, gadgets os mais variados. Meu filho tem agora sete anos. Ele é uma criança. Sim, isto significa que ele corre, brinca e pula sem parar. 

Quando saímos para locais públicos não levamos eletrônicos. Não há proibição, apenas o consenso de que os aparelhos tem custo alto, podem ser perdidos ou quebrar com facilidade e simplesmente não vale a pena. Quando saímos a ideia é passar um tempo juntos vendo coisas diferentes. Deixamos os jogos para quando não há nada melhor a fazer. Em nossas saídas onde possa ter algum tempo de espera,  suas distrações são livros, gibis e conversas com as pessoas que o acompanham. Ele adora conversar e trocar ideias. Como dito no início do texto, ele adora a tecnologia atual. Acaba de ganhar um ipad da avó - o ipad é usado, a avó não se adaptou. A avó é uma criança de outra geração - e está muito satisfeito em poder jogar seus joguinhos. Meu ponto de argumentação aqui é que a criança de hoje gosta e compreende aparelhos eletrônicos ultramodernos tanto quanto eu fazia com minha pequena vitrola no passado. Eu gostava muito de ouvir meus disquinhos e ganhei minha vitrola para não acabar com a agulha da vitrolona do papai. Por outro lado, a vitrola era somente um meio quando o fim era ouvir as histórias em disco vinil compacto. 

No caso dos tablets e smartphones, eles também são apenas um meio.  Para os pequenos o fim é utilizar os jogos, brincar. Defensores ferrenhos dos eletrônicos dizem que são educativos e que até o presidente Barack Obama tem incentivado crianças a usá-los mais e mais, por meio do aprendizado da programação. Bem, uma coisa é uma coisa, outra coisa é diferente. Que de meros usuários caminhamos para um futuro onde todos precisarão conhecer alguma coisa de programação, isto parece bem claro. Existem coisas contudo, na educação de uma criança, que independem do uso de computadores, celulares e tablets. Filosofia é uma delas. Não é preciso mais que um cérebro humano para desenvolver e resolver um questionamento filosófico. Aliás todas as áreas da ciência e do pensamento foram desenvolvidas sem computadores até pouco mais de duas décadas. Quando o computador pessoal apple apareceu, em 1977, o mundo já existia e as pessoas já pensavam. A nova tecnologia é, pois, de meio. A maior máquina permanece dentro de nossas caixas cranianas. 


Por este motivo quando me dizem que se usar mais computadores meu filho será mais inteligente, criativo ou com capacidade de liderança, fico penso na criança que foram Leonardo Da Vinci, Santos Dumont, Albert Einstein. Imagino a Nona Sinfonia necessitando do Encore para ser composta, e Don Quixote saindo de um editor de texto. Imagino Alexandre, o grande, sendo educado por aplicativos desenvolvidos por Aristóteles. Não confunda meu pensamento com saudosismo. Estou aqui valorizando células cinzentas, a leitura, o pensamento filosófico e a compreensão da matemática como explicação de nosso mundo. Gadgets são apensas instrumentos, nossos filhos já nascem inteligentes, criativos e dotados de diversas capacidades. A paralisia causada pelos aparelhos eletrônicos nega às crianças outras experiências. A primeira delas é a experiência do olhar. Olhar, simplesmente olhar as coisas. Crianças hipnotizadas por telas numa saída com os pais não olham pela janela do carro, não olham o mundo ao redor e precisam passar no farmácia depois para comprar um colírio que lhes umidifique os olhos. São como pequenos e lindos peixes ornamentais em aquários, olhando a realidade de fora distorcida pela parede de vidro ao seu redor.  No restaurante, ficam quietinhas e todos em volta agradecem enquanto comem sossegados sem o som da infância. Sim eu sou uma criança de outra geração, eu sei o que é uma vitrola. 

Meu filho continuará usando aparelhos de seu tempo para o resto da vida. Do mesmo jeito que Cervantes usou a pena e não a parede de pedra de sua caverna. Mas sua massa encefálica, sua inspiração, seu eventual gosto para ciência e discussão sobre o mundo deverão ser os fatores a fazer a diferença entre ele e um robô. Assim espero. 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sendo mãe em tempos de marketing agressivo

Viver na era do marketing sem limites é uma aventura e tanto. Se o vivente em questão é  pai ou mãe, todo cuidado é pouco. Sim, porque se para adultos sem responsabilidades com outros viventes escolher o que consumir é complicado, para os pais a missão parece ser quase impossível. Eu explico. É que as empresas depois de usarem todos os artifícios para convencer de que seu produto é a melhor escolha, agora partiram para a ignorância.  Sim, eu exemplifico.


Já viram o novo comercial da Friboi trazendo ninguém menos que Roberto Carlos, um vegetariano convicto, dizendo que só come a carne da 'grife'? Olhamos o Rei sorrindo para o bife e somos levados a pensar: 'Puxa, deve ser boa mesmo.' A conversa que rola por aí, contudo, é que ele nem tocou na carne.




Aliás, o Tony Ramos já vem falando há meses na tevê sobre como esta carne é boa.' Depois que Tony estreou os comerciais Friboi pelo cachê de 3 milhões de reais as vendas cresceram 20% e os supermercados começaram a colocar uma plaquinhas nos açougues com a marca da carne. Propaganda é a alma do negócio. Um frigorífico do qual você nunca tinha ouvido falar, de uma hora para outra vira o fornecedor de confiança da melhor das carnes graças a um famoso.

Mas, como o marketing está cada vez mais sutil, pode acontecer de o famoso, de tão famoso, nem mesmo precisar dizer o nome do produto para que a propaganda seja muitíssimo bem sucedida. Na entrega do Oscar 2014, bastou que a apresentadora Ellen Degeneres sacasse um Samsung Galaxy Note 3 ( Branco, para aparecer bem na tela) , brincasse com a audiência, pedisse uma pizza ao vivo e tirasse uma foto com a nata de Hollywood para que as menções à empresa bombassem nas redes sociais e não se falasse em outra coisa. A festa do Oscar saiu barato para a Samsung. Afinal, pela bagatela de 20 milhões de dólares cada um dos 43 milhões de telespectadores no planeta deve ter olhado e, nem que seja por meio minuto, pensado: "Ué, eles não usam Iphone?" E mesmo que saibamos que é tudo marketing, algo foi tatuado no nosso subconsciente. 'Droga, meu Samsung é preto!'



Eles nos convencem de tudo com argumentos ilegítimos e até sem argumento nenhum. E quando querem atingir especificamente as mães são ainda mais certeiros como neste anúncio dos sucos Del Valle.



A empresa diz com voz suave que colhe laranjas a mão, por que máquinas "não são tão carinhosas". Depois de ouvir isso a mãe que espreme cada uma das suas laranjas sabe-se lá como colhidas em um espremedor elétrico todas as manhãs está prestes a desistir e correr para o supermercado quando pensa: " Como será que eles processam o suco do carinho? Com as mãos? " Ou melhor, como será que eles processam o néctar, a bebida que é apenas de 20 a 30% fruta ? É difícil entender mas eles nos convencem de que o produto é bom e que nós não conseguimos fazer melhor que a indústria. 

Ouso discordar. Uma das grandes preocupação das mães é o acondicionamento do lanche escolar. Se enviamos lanche de casa, como manter o suco gelado? É muito mais prático enviar o suco de caixinha que contém conservantes e o medo que o suco estrague durante o tempo de espera até o consumo é um dos argumentos dos defensores da caixinha. E se eu dissesse que existe luz no fim do túnel e você não precisa enviar um preparado cujo maior ingrediente é açúcar e só contem 20 a 30% do suco propriamente dito? Aí vai a ideia , que não é minha, aprendi com Thais Ventura  do Delícias do Dudu no post Como preparar sucos para enviar na merendeira. A ideia de congelar o suco em cubinhos e colocar na garrafa térmica é realmente brilhante e pode ser feita com qualquer suco. 

Assim sendo, continuo acreditando, entre outras coisas, que um vegetariano não pode me dizer que carne devo comer, que existem outros aspectos a considerar na hora de escolher um celular que não os astros de Hollywood e que eu ainda posso mandar suco natural no lanche do meu filho.  





















segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Como falar sobre a morte com as crianças?



Não tenho resposta para esta pergunta. Perdi meu avô materno, a quem amava de paixão, aos seis anos. Os adultos na época tiveram dificuldades em falar comigo sobre o assunto. Meu pai, por exemplo, não teve coragem de me contar, me deixou na casa de amigos dizendo que o vê estava no hospital e seguiu para o enterro. Passei o dia inteiro esperando que meu avô melhorasse e quando todos chegaram, deram a notícia. Por capricho do destino, meu pai faleceu 6 meses depois. Morte acabou se tornando um assunto recorrente em casa e , claro, acabei ficando com medo de que outras pessoas da família morressem também e me deixassem sozinha. Anos mais tarde, quando soube que meu pai não tinha conseguido dizer a verdade, julguei-o e condenei-o. Afinal, por que não me falou logo o que tinha acontecido de uma vez? Eu era uma menina esperta, bem mais madura que as demais, era o que diziam. Ele podia ter me contado e poupado o dia em aflição, pensei. Até a vida me colocar a calçar os sapatos do meu pai.

No mês passado, meu filho, aos seis anos,  perdeu o avô paterno e quem teve de dar a notícia fui eu. Naquele dia consegui compreender meu pai e a tristeza que é falar algo a seu filho que o fará sofrer um sofrimento inevitável. A notícia chegou pela manhã e decidimos deixar para transmití-la só mais a tardinha. Quando não tinha mais como evitar, sentei meu menino no colo e falei que o avô que já estava doente no hospital há alguns dias, não havia resistido. Depois de um chorinho baixinho e sentido de uns 5 ( longos ) minutos, tentei conversar sobre minhas crenças sobre a vida e a morte e acho que consegui consolá-lo pelo momento. É duro falar sobre a morte com as crianças, mas quando ela se apresenta, não há mesmo o que fazer, o jeito é tentar abordar o assunto da maneira mais natural possível, oferecer o ombro, o colo e tentar orientá-la a lembrar da pessoa que se foi da maneira mais alegre possível. Pois a vida é assim, o passado já foi, o futuro não existe e o que temos é o presente, seja lá como ele se apresenta, seja lá como o vemos apresentado. Mas, ainda no presente, sempre temos as lembranças.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dicas para ser uma boa mãe #soquenao



 Este post não vai dar 10 dicas para ser uma boa mãe. Não vai levantar bandeiras de parto ou amamentação. Este post não vai ensinar a trocar fraldas, lidar com birras, nem contar como eu sou uma maravilha de mãe, como acerto tudo, como sou impecável. Até porque não sou. Em muitos momentos, sinto que meu filho me vê como a bruxa má do leste, aquela que Dorothy matou com a casa caindo em cima de sua cabeça. Sim, as vezes eu acho que meu filho gostaria que caísse alguma coisa do céu para que eu simplesmente parasse de falar.




Sim, eu sei que mães não são bruxas 100% do tempo , assim como não são santas nem 0,9% do tempo. Mães são seres do sexo feminino - por mero acaso de combinação de cromossomos - responsáveis por carregar o ovo onde é gerado o filhote da espécie. A maternidade como vocação desvelada e seu conceito surgiu muito recentemente entre nós. Não somos santas, somos pessoas cheias de coisas a fazer e com a responsabilidade imensa de conduzir pequenos seres humanos até a idade adulta. Eles - os pequenos - devem chegar à maioridade sãos e salvos , física e - se possível - mentalmente.

Quando eu era criança, e olhe que isso já faz muito tempo, observei que minha mãe aprendeu a ser minha mãe sozinha, contando com apenas minha ajuda. Se ela tivesse uma dúvida muito grande, perguntava para a mãe dela. Minha avó tinha criado 4 filhos e tinha sua resposta pessoal para cada um dos problemas apresentados pela minha mãe , na época em primeira viagem. O ponto em questão é que minha mãe não passou por qualquer tipo de curso, não leu nenhum manual, não acompanhou nenhuma série de tv para desempenhar a função de minha mãe. Ela vivia a maternidade com seus erros e acertos como todas de sua geração e eu estou aqui sem faltar nenhum pedaço para dizer que deu certo. Não era uma santa e para mim as vezes parecia com a bruxa má do oeste - a que deu mais trabalho a Dorothy - e mesmo assim fui criada, amada, educada, alimentada, não adoeci por desleixo ou falta de cuidado.



Hoje em dia , o que mais vemos são roteiros, manuais, tutoriais para a vida. Quem os escreve tenta (?) passar sua bem sucedida experiência nos mais variados campos. A maternidade é um dos temas que mais enriquece empresas e autores. Como deve ser difícil ser mãe e pai atualmente. As consultas ao pediatra já não nos bastam. Precisamos ao tempo todo do conselho da psicóloga da moda, da apresentadora de tv, da grande corporação que comercializa produtos para a infância, das revistas de maternidade. Eles são os grandes condutores da nossas ações.




Minha dica, neste artigo é uma só:  Não existe dica. Nenhum conselho vai ajudar você a ser uma mãe melhor. As dicas no máximo podem ajudar a contornar problemas. Ser mãe e pai é algo muito maior. Existem as respostas que só você pode saber e só seu filho poderá ajudá-lo a enxergar a saída para os dilemas.Isso sem falar que existem coisas que dão certo com um  filho e totalmente errado com outro. Você acha mesmo os outros são perfeitos e podem saber mais sobre um assunto que é só seu? Desconfie de dicas e manuais, confie no seu sentido e no seu filho. Acho que a última frase soou como dica. Mas encare como uma contradica. Quem poderá dizer se você foi boa mãe ou não é seu filho. E mesmo assim, ele é suspeito.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Trilha sonora do amor de mãe




Música, todo mundo sabe , embala a alma. Temos nossas músicas preferidas, aquela que tocou  na formatura, no casamento, a que lembra esta ou aquela situação, música dos casais. E música que lembra o filho, tem também? Meu bebê - que não nos ouça já que detesta ser chamado de bebê - tem 5 anos e tenho músicas que me remetem á sua lembrança. Se é que existe isso, lembrança de filho. E cabeça de mãe lá pensa em outra coisa com exclusividade. Seja lá o que a mãe esteja fazendo,  lembrança de filho é sempre pano de fundo. 

A primeira é There must be an angel do Eurythimics mas na voz da Fernanda Takai do Pato Fu. 





A segunda é  Leãozinho de Caetano Veloso. Meu filho tem cachinhos revelados tardiamente. Nasceu carequinha e assim ficou por anos. Só depois do quarto aniversário o cabelo começou a dar o ar da graça e tornar seu visual cheio de personalidade. É um menino de cachinhos. Um leãozinho.

E na sua cabeça de mãe, toca música?






quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Feliz dia das crianças, filho.



Filho, dia das crianças já teve diferentes significados ao longo da minha vida. Durante um tempo foi o meu dia que esperava com alegria. Depois  passou  a não significar mais muita coisa, eu cresci. As pessoas crescem e perdem a graça. Não todas, só a maioria.  Algumas pessoas adultas tem mais sorte e um dia viram pais e mães de crianças como você. Você não é só meu filho. Você sou eu antes de perder a graça. Empresta um pouco dessa graça pra mamãe, empresta? Um pouco desse riso limpo? Deixa eu ficar observando em silêncio você brincar de faz de conta um pouquinho mais? Deixa eu sentir o perfume doce dos seus cabelos cacheados que um dia a mamãe teve também? Deixa eu ser criança através dos seus olhos vivos , repletos de curiosidade, alegria e amor? É, eu sei que você deixa. 

Engraçado, você é único. Filho, eu quero dizer. Um só e já deu pra entender porque tanta gente vive a vida enchendo a casa de crianças. Ainda não inventaram coisa melhor do que esses seres que, dizem, ainda não estão prontos mas são mais inteiros que gente grande. Quem passa a vida com crianças não sente a vida passar;  passa bem demais. Quem nunca fez bagunça que atire a primeira pedra. E cuidado com a vidraça, menino!

Filho, obrigada. Agora eu entendi que dia das crianças é esse. Não tem nada a ver com o comércio. Tem a ver com você, um menino levado, com a cabecinha cheia de ideias, que gosta de colorir caprichado, jogar futebol, dormir de mãos dadas depois das histórias de dragão. Dia das crianças é todo dia pra quem tem a alegria de conviver com você. Pena que cresce. Pena nada, filho. Aproveitando não é pra ter pena de nada. Feliz dia das crianças, papai e mamãe desejam que você não perca a graça nunca, mesmo ficando grande.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Uma dica de férias


Somos mães e adoramos nossos filhos. Gostaríamos de passar mais tempo com eles. Na maioria das vezes, precisamos trabalhar, e se isso se dá dentro ou fora de casa é detalhe. Mas, é claro, temos as férias. Esse tempo onde o tempo não é contado. Férias, o sentido da vida. Quer dizer, mais ou menos.  Afinal nem sempre as nossas férias coincidem com as férias das crianças . Quando isso acontece, tanto melhor, viajamos todos ou ficamos todos em casa  procurando o que fazer. E, o que fazer com as crianças quando não há a rotina das aulas para nos nortear.

Eles não param, querem exercitar seu direito (sagrado) de diversão o tempo todo. Cinema, lanche fora, teatro, praia , passeios pela cidade são excelentes programas. Mas, hoje vou deixar aqui a proposta de um passeio totalmente de graça para as férias, que pode ser repetido semanalmente ou até duas vezes por semana, dependendo da aceitação. São as bibliotecas. Já fez isso?

Visitar uma biblioteca infantil , fuçar os títulos, contar histórias, pode ser um programa maravilhoso para uma tarde de férias. Mostrar a biblioteca às crianças sem a necessidade de fazer uma pesquisa escolar servirá para ajudar a construir o futuro leitor e deixará boas lembranças. 

Nem todos os municípios brasileiros dispõem de uma boa biblioteca com espaço e acervo adequado para crianças mas, se a sua cidade é bem servida, não deixe de dar uma passadinha, fazer esta excursão mágica com custo zero . Ler é bom demais, e nas férias , melhor ainda.

Confira uma lista de bibliotecas brasileiras criada no Wikipédia.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quem faz o dever de casa das crianças?



Dever de casa nem sempre é tarefa muito simples. Tenho ouvido algumas mães dizendo que passam muito tempo ajudando as crianças a resolverem a lição, pesquisando junto, botando mesmo a mão na massa nas tarefas escolares dos filhos. Eu estranho - e este artigo não pretende dizer a ninguém o que fazer em casa, só contar minha experiência - pois em toda a minha vida escolar, minha mãe - professora - nunca sentou comigo para ensinar, ajudar a procurar ou realizar qualquer tarefa pedida pela escola. Anos depois eu mesma ganhei meu diploma de professora, mas a ideia de que tarefa escolar é atribuição exclusiva do aluno. Não adianta ajudar. 

Meu filho, na educação infantil,  iniciou com pequenas tarefas - resolvidas em 5 minutos - este ano na escola. A proposta é criar nas crianças desde cedo a rotina das tarefas de casa. Ele já tem o hábito de chegar trazer 3 vezes por semana uma pequena tarefa que reforça o trabalho que a professora vem fazendo em sala de aula. A tarefa que chega em casa já foi feita de modo semelhante em aula algumas vezes, e foi explicada pela professora em sala. Então, meu filho já chega sabendo o que fazer. Sentamos , eu leio o enunciado e ele se coloca alegre a fazer a lição. Sim, ele tem apenas 4 anos, mas não vejo motivo para que sua vida mude em relação aos deveres de casa no futuro. É claro que o bicho vai pegar mais adiante, com conteúdos diversos e cadas vez mais complexos , assim como sua capacidade de assimilar tudo. Cresce sua cabeça junto com a quantidade de trabalho a fazer, o que não dá para perder é o prazer. 


Minha ideia de dever de casa é exatamente esta que a escola do meu filho propõe. Uma atividade,  que agora é de treinamento da rotina e que logo se transformará em instrumento de reforço do conteúdo de sala de aula - quem aprende sem treinar?  mas que deve ser sempre algo que já foi exposto e exercitado na escola, pois é lá que está o professor e pai, mesmo que saiba o conteúdo , não é o professor do filho. Se algum dia eu me deparar com uma lição de casa que pede a meu filho algo que ele não sabe fazer pois não lhe foram dados os elementos para tanto na aula, eu questionarei a escola, mas não farei por ele. Fui eu quem fiz todos os meus trabalhos e assim é a vida.

Como pais devemos estimular e criar condições favoráveis para a lição de casa, como um horário certo para ela, sem distrações como televisão, num local tranquilo, em uma mesa com luz e conforto. Se for uma pesquisa podemos providenciar os elementos para que ele encontre o que está sendo pedido, mas não achar para ele. É ele quem está vivenciando a aprendizagem, fazer de conta não vale, é preciso, mesmo, viver. 

Deixo aqui a indicação de um artigo sobre lição de casa do site Educar para Crescer, que vale a pena ser lido.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Leia os clássicos para seu filho, por favor.





Criança tem uma lógica particular e a todo momento, apesar de acharmos lindo os modos como fala e pensa,  levamos a uma consulta no fonoaudiólogo e a incentivamos a ser racional como um adulto. As crianças de antigamente, tinham mais acesso a histórias  - através de livros ou oralmente transmitidas por pais, tios, avós - que falam da natureza humana, seus sonhos e medos de uma maneira tão poética que até hoje são considerados clássicos. E clássico, apesar do nome dar a ideia de algo sério e, por que não dizer,  tedioso, é somente aquilo que continua a fazer sentido através das gerações. Aquilo que o passar do tempo, a renovação tecnológica,  os ideais de cada era não terminam por liquidar. Então clássico é o aquilo que faz todo o sentido para nós assim como fazia para o pessoal da época em que foi criado. Tão importante quanto ler os clássicos é procurar histórias de encantamento de autores contemporâneas - mas acredite, a maior parte delas trazem referências  ou foram inspirados nos grandes clássicos.

Meu filho tem 4 anos e é um menino de seu tempo. Ama Ben 10 e corridas de fórmula 1, acaba de descobrir-se um boleiro desde que entrou para uma escolhinha de futebol, usa meu tablet melhor do que eu,  e ainda nem sabe ler. A oferta de livros para meu filho é abundante porque eu sou uma leitora compulsiva e , sinceramente, gostaria que um dia ele também fosse um. Meu desejo não passa de coisa de mãe que sonha seus sonhos para o filho, onde ele encontrará satisfação pessoal, na verdade, é assunto dele. Mas, tem uma coisa que, na condição intransferível de mãe, não lhe posso sonegar. Trata-se do direito ao encantamento. E isto é algo em que Ben 10 falha , pois trata-se apenas um incrível menino que se transforma em alienígenas com a ajuda de um relógio e isto é bastante plausível nos dias de hoje. 

Semana  passada apresentei o meu menino à Alice no País das Maravilhas, pois julguei que ele já estava preparado para esta história - até hoje me pergunto se é mesmo para crianças - maluca  e cheia de sentido, de Lewis Carrol. Antes de levá-lo ao teatro para assistir a uma montagem , contei o que eu sabia para ele. Falei dos personagens e, diante do inusitado, ele se interessou. Ainda está na fase maniqueísta que pergunta a todo tempo quem representa o bem e o mal na história para se sentir seguro. Sente medo o representante do mal e simpatia pelo representante do bem. A falta de lógica do País das Maravilhas o deixou absolutamente sem referências: " Por que ninguém deixa Alice beber o chá , esse cara do chapéu é maluco, mãe! Essa  rainha é a do mal? Por que a Alice não volta para casa logo? Ela vai morrer?! Explica, mãe,  por que ela não morreu?"

Respondidas às perguntas, quando cheguei em casa, li um trecho do original de Lewis Carol e passei o desenho de Disney, mais fiel ao texto do que a peça. Ainda pretendo mostrar o filme de Tim Burton mas, antes disso ele precisa formar uma ideia mais concreta da história. 

O personagem preferido do meu filho foi o coelho sempre com pressa, sempre nervoso , sempre fazendo Alice correr atrás dele e, sempre atrasado. A melhor parte foi ver Alice encolher e crescer para passar pela porta logo que cai do buraco na toca do coelho. A melhor parte para mim foi ver seu encantamento com uma história publicada em 1865 . 

Livros que ajudam a criança a largar a chupeta, as fraldas, a lidar com a morte, com a separação dos pais, são importantes para fases pontuais do desenvolvimento. São os livros que estimulam sua fantasia os que ajudarão a formar o ser humano. Por favor, conte clássicos e histórias contemporâneas de encantamento para seus filhos. Ainda que eles não se tornem leitores compulsivos no futuro, terão sido crianças felizes.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Meu filho e a #SemanaMundialdoBrincar



Ser mãe é viver numa montanha russa constante. Você vive a hora da expectativa quando entra no carrinho e colocam os cintos de segurança enquanto  imagina o que está por vir. Depois disso muitos medos, sustos, sobressaltos alternados com muita emoção e euforia. Ser mãe é essa loucura mesmo. E de tudo o que eu vivo com meu filho nessa montanha russa, uma das coisas que mais gosto é ver o menino brincar. 

As brincadeiras dele sempre me surpreendem porque ao mesmo tempo em que já é vítima da propaganda - que quer vender a brincadeira pronta -  ele cria coisas interessantíssimas a partir de quase nada. Brinca com as caixas de papelão que chegam do supermercado, com caixas de fósforos, botões , qualquer coisa . A melhor produção é a do Gato de Botas : chapéu de caubói que ganhou de lembrança numa festa , cinto da fantasia do Super homem, espadinha de plástico - tb lembrança de festa e as botas sete léguas do pai. Visualizou?

Espaço seguro, liberdade de expressão, brinquedos adequados a idade , caixas de papelão, botas sete léguas do pai. É só isso que ele precisa. Acontece que só isso é coisa pra caramba. Não depende só dos pais, depende também do Poder Público, da Escola, da Comunidade. Precisamos estar atentos a essas necessidades que garantem o desenvolvimento sadio dos nossos filhos. 

Por isso, para encerrar o post da blogagem coletiva da Semana Mundial do Brincar promovida por um Blog de Mãe - clique e saiba mais -   eu pergunto, se puder responda nos comentários: 

a) onde você mora existem parquinhos com brinquedos em bom espaço de conservação , áreas seguras e arborizadas onde as crianças possam brincar ?

b) a escola do seu filho tem espaço adequado à idade e número de crianças matriculadas?


c) qual a brincadeira mais interessante que seu filho já criou?



segunda-feira, 5 de março de 2012

Você lê mais para seus filhos do que seus pais faziam?



Segundo pesquisa da Câmara Nacional do Livro divulgada no ano passado, o brasileiro está lendo mais e pagando menos pelas publicações. Notícias como essas são animadoras. Ou semi animadoras se começarmos a nos perguntar o que os brasileiros estão lendo tanto . Mas, esta é outra conversa. Se o hábito de ler vem crescendo entre nós será certo dizer que estamos lendo mais para nossos filhos do que nossos pais leram para nós? 

Eu me lembro bem da minha infância com os livros. Não havia rotina de leitura, aquela horinha antes de dormir sagrada . O que havia era oferta abundante e nunca ouvi uma recusa quando pedia para alguém contar uma história. Meus pais eram professores e isso deve fazer alguma diferença. Como consequência, disso e também de eu ser uma curiosa patológica , virei leitora. Se eu leio mais para o meu filho do que meus pais liam para mim? Ainda não sou capaz de dizer. Acho que estou na mesma média. E como a média foi boa, vamos deixar como está.

Mas, voltado à pesquisa da Câmara do Livro, alguns entendem o fenômeno do surgimento da nova classe média como resposta ao aumento da procura de livros. E , se for assim, isso quer dizer que pessoas que não tinham acesso aos livros estão começando a ter, ótimo. Provavelmente seus pais não leram para eles - especulo. Será que eles mudaram os hábitos?

Por mera curiosidade, fiz a pergunta no Facebook e as mães estão respondendo. Se você estiver na rede social , acesse e responda , por favor. Se não estiver  por lá e quiser deixar seu depoimento, use a caixa de comentários. Afinal, você lê mais para seus filhos do que seus pais faziam? 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Receitinha para criar um leitor?


Esta publicação no Twitter do escritor e editor David Nobrega que escreve no Scriptus Est com a mulher Letícia Coelho me chamou a atenção e comecei a dar meus pitacos. Não tenho filhos adolescentes e minha adolescência aconteceu há um bom tempo. Tanto tempo que as pessoas usavam paletó com ombreiras e a Madonna era uma menina nova que cantava Like a virgin. Visualizou? Sim, era outra época...



Bem, esta que vos escreve, na sua modesta opinião é adepta da leitura como libertação. Saber liberta. Temos pouco tempo para ler tudo o que nos interessa, vocês poderão retrucar, por que ler o que não interessa? É uma boa pergunta que merece uma boa resposta. Para saber, amadurecer intelectualmente e poder emitir opinião , se for o caso. Mas essa minha posição de devorar tudo o que se vê pela frente, é claro , diz respeito aos adultos.


Crianças são crianças. E no que diz respeito a elas, que estão ingressando no mundo dos livros, não é possível dizer que devam ler de tudo. Acredito que a leitura das crianças deva ser direcionada - pelos pais se assim tiverem condições e , principalmente pela escola. Os pais que tem condições de ajudar nessa caminhada podem direcionar as leituras de acordo com a idade e , principalmente, os interesses das crianças. Tenho meus problemas com essa história de livros por faixa etária, mas este é assunto para outro post. Se você gosta de ler, leu sempre e bastante, tem suas impressões sobre os livros que pode passar para o filho, pode reler com eles e, ter sempre uma nova perspectiva , pode ajudar . Eu , e isso é apenas a opinião de uma mulher que sempre leu muito e agora tem um filho, gostaria de poder ir apresentando ao meu filho os livros que considero importantes, ler com ele os livros que ele achar interessantes, descobrir coisas novas durante a vida. Minha proposta pode ser sintetizada como está no tuite do @David_Nobrega



Sim, acho que dá para resumir assim em 140 caracteres. Ler pode ser uma maravilha e também o maior tormento. Exigir a leitura somente dos clássicos aos alunos pode complicar bem as coisas. Ler é bom, sejam os clássicos , seja gibi. Tudo depende do momento pelo qual a pequena grande mente em desenvolvimento está passando. Não existe receitinha para criar um leitor. Não existe isso de " ele tem que ler isso , ou aquilo" . Ler é bom demais para ser transformado em uma bandeira elitista. Deveria ser uma bandeira que aproximasse e não afastasse as crianças. Algo que as estimulasse a querer mais e mais, a buscarem fazer suas próprias buscas na biblioteca da escola, no sebo , na internet. Para ler sem classificação. Ler. Ler simplesmente, e tudo, de preferência.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

A escolha da escola : o dilema



Quando escolhi a pré-escola do meu filho, o processo foi tão simples que eu nem acreditei. Visitei umas 4 ou 5  delas, conversei com os profissionais e pude escolher a que mais me agradou e que ainda fica na rua onde moro.  Agora, está chegando a hora de escolher a escola onde ele deverá - assim espero - estudar para o resto da vida. E a coisa complicou. Como faz? 

Não sei. Apesar de estar bem menos perdida que muitos pais que eu conheço por ter algum conhecimento técnico de educação, a situação da educação no Brasil dificulta bastante. Afinal, por aqui educação universal ainda não existe. As vagas ainda faltam e a qualidade das escolas está muito abaixo do aceitável. Boas instituições públicas são disputadas a tapa em sorteios e provas acirradas. A rede particular anima menos ainda. As escolas consideradas excelentes são caríssimas e destinadas à elite, se a classe média se apertar para colocar o filho numa dessas escolas ainda assim terá de contar com a sorte de ter o filho 'sorteado'. 

Escolher escola para o filho deveria ser algo muito natural.Numa situação ideal, você mora em um determinado bairro e , quando chega na idade escolar leva o filho para a escola mais próxima onde deverá haver uma vaga, pois tudo é planejado para atender ao cidadão. Mas esta é só uma situação ideal, na prática existem vestibulinhos, sorteios, rezas e estresse de pais.

Eu não quero isso para meu filho e ainda que acabe escolhendo uma escola que imponha esse tipo de seleção, só aceitarei se meu menino não sentir que está sendo testado. Tá , nós sabemos que o mundo é competitivo, mas essa situação é exagerada. Não tenho ainda resposta certa, mas ao menos agradeço a graça de ainda poder escolher. Neste país onde escola ainda é um lugar onde professores mal pagos ensinam crianças desmotivadas tenho condições de procurar luz no fim do túnel. Mas, tá difícil. E olhe que eu só queria uma educação libertadora para meu filho, será pedir demais?

O blog Futuro do Presente está  debatendo essa questão , recomendo os textos da Ana Claudia Bessa sempre . 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Formas geométricas e o dentista #aos3

frajoladentista

1. O Retângulo

retangulo

_Mãe, olha, fiz um retangulo.

_ Não é retangulo, filho. É retângulo.

_Retangulo.

_Retângulo, filho. Como o triângulo.

_Não, mãe! Triângulo é assim.

triangulo1

2. O dentista

_Preciso marcar hora para levar  você ao dentista .

_Não preciso ir ao dentista, eu já tenho dentes.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Não preciso fazer dieta, basta sair com meu filho #aos3

casquinha

 

_Filho, tem certeza que não quer lanchar? Só sorvete?

_Só sorvete, mãe. Mas eu quero da outra loja.

_Ah, então eu vou lanchar aqui nessa loja e depois vamos até a outra e eu te pago o sorvete, tá bom?

_Eu não quero esperar, não. Me dá um sorvete daqui?

_Tudo bem, então, vou pedir meu lanche e o seu sorvete, tem certeza que não quer mais nada?

_Tenho.

 

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_Mãe, por que você está mordendo o meu lanche?

_Filho, eu estou comendo o meu lanche, você pediu só o sorvete.

_Mãe, então deixa eu morder?

_Deixo, você está com fome?

_Estou.

_Tá , então quando acabar o sorvete, te dou um lanche igual.

_Ah, mas deixa eu comer o seu também.

_Tá bom, mas então quando eu pedir o seu , você divide comigo, tudo bem?

_Tudo bem. Me dá batata?

_ Dou, termina o sorvete.

 

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_Bom, agora que você terminou o sorvete e comeu metade do meu lanche, vamos comprar outro para dividir.

_ Não, mãe, não tô com fome.

_Mas, eu estou , você comeu metade do meu lanche.

_Então compra outro pra você, eu não quero mais nada, comi demais.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Desconstruindo o diagnóstico de TDAH

ritalina

Era uma vez uma menina ativa. A atividade era tramanha e chamou a atenção dos pais. Mas, é claro haviam outros sintomas, ou seriam adjetivos?  Fizeram exames mas, segundo a médica, era preciso esperar a menina ativa crescer mais um pouquinho. O tempo passou e a chegada de um irmãozinho fez com que os sintomas-adjetivos se acentuassem. A agitação era demais e, após os exames, foi prescrita a tal da Ritalina. Com ele vieram os efeitos colaterais, como aumento de irritabilidade , falta de apetite,  insônia. Dá pra imaginar ? O que você faria? Os pais da menina ativa resolveram suspender o remédio.  Sabe o que aconteceu?

ingrid.strelow

A psicóloga fez uma série de sessões e … nos deu o retorno, corroborando o que nós, pais, afirmávamos: ela é normal e muito ativa, mas não é fora do padrao das crianças que mroam em apartamento e acabam ficando muito em casa, sem pátio, indo ás vezes à pracinha, mas precisando gastar mais energia (justo agora que ela saiu da GRD e do Ballet...), mas também tem coisas que seriam bacanas de trabalhar na terapia, pra que se organize melhor e consiga canalizar os sentimentos de melhor forma.

A prof, por sua vez, disse que a Larissa está bem menos ansiosa e que se concentra, a avalaiação trimestral veio cheia de elogios e aponta apenas dois itens que estão em desenvolvimento, podendo melhorar.

Ok, finalmente encontramos alguém não quer nem medicar nem rotular a criança, disse apenas que a Lalá é uma criança normal e tem necessidade de gastar energia. E estamos falados!”  Ingrid Strelow, do blog Desconstruindo a Mãe.

ritalin-for-child_c

Ritalina é o nome comercial da substância Metilfenidato . Segundo o Wikipédia:

Metilfenidato (nome comercial Ritalina do laboratório Novartis Biociências e CONCERTA do laboratório Janssen Cilag) é uma substância química utilizada como fármaco, estimulante leve do sistema nervoso central com mecanismo de ação ainda não bem elucidado, estruturalmente relacionado com as anfetaminas. É usada para tratamento medicamentoso dos casos de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), narcolepsia e hipersonia idiopática do sistema nervoso central (SNC).

O TDAH é um transtorno metabólico neural, que resulta em comportamentos mal adaptados; o metilfenidato pode favorecer a quebra do "círculo vicioso" criado pela hiperatividade em especial.

Como toda medicação, o metilfenidato deve ser usado e dosado por profissional médico especializado neste tipo de transtorno. Por ser uma medicação psicoestimulante, seu uso provocaria uma maior produção e reaproveitamento deneurotransmissores, a exemplo: dopamina e serotonina.

Entretanto, há controvérsia sobre a produção e reaproveitamento da serotonina pelo cérebro das pessoas portadoras do TDAH. Especialistas no transtorno, atualmente, não creem que haja prejuízo no controle deste neurotransmissor, ao contrário do que ocorre com a noradrenalina.

O uso do medicamento explodiu nos últimos anos, e existem excessos nas prescrições. Muitas vezes , uma criança bagunceira, sem atenção ou sem limites, pode ser diagnosticada como hiperativa e acabar utilizando a droga para ter a concentração aumentada e o comportamento domado.

Este artigo não pretende desacreditar o uso de medicamentos. Apenas conta uma história real onde o medicamento não ajudava a criança. E minha opinião como mãe é que algo tão forte só deve ser ministrado se não houve sombra de dúvida de que fará mais bem do que mal. Apesar de não ser especialista, como mãe gostaria que o TDAH pudesse ser tratado sem drogas.

Para conhecer o blog de Ingrid e ler toda a narrativa do que se passou com Larissa, clique aqui.

 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Por que é difícil diagnosticar o déficit de atenção?

criança

Ter um filho corretamente diagnosticado como portador de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode ser uma benção. Sim. A tal benção reside no advérbio corretamente . Segundo pesquisadores da USP cada vez mais diagnósticos errôneos são feitos nesta área, e consequentemente, cada vez mais remédios são receitados. Como o correto diagnóstico depende do relato dos pais, da escola e de um questionário com 18 sintomas que podem ser considerados comuns entre os jovens ( e até alguns adultos), muitas vezes os pais chegam aos consultórios certos de que seu filho tem TDAH simplesmente por alguém não habilitado ter ajudado a preencher o questionário sobre a criança. Clique aqui e veja o questionario.

Imagine então leitor esta verdade. Muitas crianças vem sendo drogadas sem necessidade. Sim, crianças sãs drogadas, utilizando um medicamento que afeta a função cerebral e produzida para um organismo que tem determinado tipo de problema. O Metilfenidato está entre as substâncias mais vendidas no país e recentemente descobriu-se que o cérebro sem TDAH responde a droga de modo diverso ao cérebro daquele que realmente precisa da medicação. Quais serão as consequências disto a longo prazo? E ainda, será que o único tratamento possível é o químico? Qual a importância da atividade física e que terapias de apoio podem ser utilizadas? Só um especialista pode dizer, analisando caso a caso.

A escola precisa auxiliar nesse processo de diagnóstico. Rotular o aluno com dificuldade de aprendizagem antes de procurar a verdadeira causa para o desinteresse é um problema recorrente. Algumas poucas escolas particulares já prestam atenção ao assunto apesar de ainda não existir nenhuma escolar especialidada em lidar com alunos com TDAH.  Na esfera pública , o projeto de lei 07081/2010 tramita no Congresso . O projeto prevê um programa de diagnóstico e tratamento de TDAH e dislexia para alunos da rede pública de educação básica. Para acompanhar o andamento do projeto de lei clique aqui

Os pais são a parte mais importante na equação. Afinal, na relação em família, o termo atenção não pode faltar. Meu filho apresentou uma mudança brusca de comportamento ou ela foi gradual? Será que aconteceu alguma coisa para deixá-lo desatento/hiperativo ou pode mesmo estar acontecendo um disturbio químico que só a Química pode tratar? Eu conheço realmente meu filho e estou disponível para tentar compreender os problemas pelos quais ele passa e pedir ajuda no momento certo ao profissional adequado? Ninguém disse que ser mãe ( e pai) é moleza. Se disse, estava te enganando.

Esta é mais uma conversa de muitas que pretendo levantar sobre o assunto. Se interessar, leia também Hiperativo ou mal educado?

* Fontes ABDA

Portal Último Segundo

terça-feira, 12 de julho de 2011

Hiperativo ou mal educado?

bart

Sala de espera da pediatra, primeira consulta. A Caxias aqui chega 10 minutos atrasada e pede mil desculpas, 30 segundos depois se arrepende. O recinto está repleto de crianças esperando há muito tempo pelo atendimento. Meu filho, que odeia ir ao médico, chora baixinho dizendo que não quer entrar e corta o meu coração. Ele não quer brincar com as outras crianças. Três delas, entre um e três anos, fuçam os brinquedinhos da salinha. Um menino de 10 anos aparenta cansaço decorrente da espera de horas. Um recém nascido também está na fila naquela cheia de gente e eu consolando o choro do filho. “ Num quero ir ao médico, mãe eu não tô doente!” Bate o desespero. Eu só estou ali para ter uma segunda opinião sobre alguns assuntos que não são sérios, mas eu preciso da opinião então decido esperar e tentar acalmar meu bebê.

Quando o choro pára eu posso começar a prestar mais atenção nas crianças menores. A brincadeira é caótica e não demoro a entender o motivo que atende pelo nome – fictício – de Felipa . Felipa está próxima de completar 3 anos e é grande para a idade. Fala pouco e se movimenta muito. As duas crianças menores ficam andando atrás de Felipa que as ignora e se nega a partilhar os brinquedos. Felipa demonstra estar desassossegada, anda de um lado para outro, mexe em tudo , rouba um termômetro da gaveta da atendente, entra num pequeno escritório e desliga o computador, pega o telefone sem fio e joga no chão. A mãe ? Impassível, resume-se a dizer que “ essa menina não pára!” Isso eu já vi. Fico irritada. Detesto criança mal educada. Culpa da minha mãe sargento que me incutiu uma educação militar. Sem contar o meu jeito , eu sou paradona.

Incomodada , mudei para um lugar mais distante da Felipa. Comecei a me recriminar intimamente. Eu sou uma chata e ela é só uma criança com uma mãe que não presta atenção nas coisas, pensei Tento me distrair conversando com o filho mas ele não está pra muito papo e pede para ir brincar . Felipa entra em ação e começa a andar atrás dele empurrando brinquedos e querendo puxar os que estão com ele. Eu observo sem intervir porque meu filho é bem maior que ela e também mais velho, ele precisa se defender . Vejo que ele o faz, ignorando solenemente Felipa. Ela começa a querer chamá-lo para brincar pegando os bonecos e colocando as mãos bem perto dos olhos, o que me deixa aflita. Felipa faz isso com todas as crianças na sala, inclusive o recém nascido. Mão na cara, dedo no olho. E a mãe ?  Até então apenas  chamava a atenção assim, como quem não chama atenção de nada, mas começa a ficar com vergonha quando vê que eu tenho que impedir Felipa de cegar o Ernesto a cada 2 ou 3 minutos. Ela tenta de tudo e nada adianta. Felipa simplesmente não ouve ou finge não ouvir, os barulhos pelo consultório indicam provável desabamento em minutos, mas é só Felipa.

Uma hora e meia depois, a clientela na sala de espera já foi renovada e outros pais, mães e crianças aguardam.  Começo a observar que não sou a única incomodada, Felipa virou persona non grata e a atentende sugere que a mãe espere no corredor. Quando ela sai , suspiros aliviados. E um pai com o filho de um ano ao meu lado , conversa com o Ernesto. “ Tá com medo do médico? Eu tô com medo é da Felipa!”

Deu pena. Felipa , para meus olhos de leiga completa e absoluta, tem muitos sintomas de hiperatividade. A mãe não parece ter a menor ideia do que isso venha a ser . Também parece alienada ao fato de que sua filha consegue ser mal vista num grupo após pouca convivência. Imagine quando chegar a hora da escola? Entramos no consultório e a médica se revelou competente o suficiente para eu não me arrepender do episódio . Mas fiquei com vontade de pedir a ela para observar o comportamento de Felipa e sugerir uma avaliação psicológica para que ela não cresça sem saber se precisa de mais atenção antes de ser julgada como inconveniente. Por conta disso publicarei uma série de artigos sobre hiperatividade infantil (TDAH)  a partir da próxima semana.   

 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Protegendo nossos filhos do Cérebro de Pipoca

popcorn_brain

Fico imaginando como será a vida do meu filho em 15 ou 20 anos, um menino nascido imerso na digitalidade que nunca viu um mimeógrafo, uma vitrola, uma tv preto e branco. Alguém para quem o touchsreen talvez seja tecnologia ultrapassada, que seja acostumado a processar várias coisas ao mesmo tempo. Isso já existe. Os jovens de hoje já são capazes de multiplas tarefas on line, um estilo de vida bem distante daquele que considero ideal. Mas é o nosso mundo. Precisamos nos habituar a isso, ou devemos proteger nossos filhos de toda essa loucura.

Hoje ouvi um comentário de Gilberto Dimenstein, que acompanho há uns 20 anos pelo rádio, sobre os estudos da Universidade de Stanford pessoas que sofrem  de um distúrbio chamado “cérebro pipoca” . Acostumados a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, como nosso navegador que abre tantas janelas quanto necessário, os portadores do cérebro pipoca possuem dificuldade de foco, e tem problemas ao terem de se concentrar em uma só tarefa , como por exemplo , cuidar de uma criança. O cérebro não para de pipocar e fica difícil se concentrar para, por exemplo , montar um quebra cabeças ou ler um livro.

Apesar de a conclusão vir de uma pesquisa científica, muitos de nós já percebemos que fazer muitas coisas ao mesmo tempo pode fundir a cuca e criar alguns problemas.  Exercitar o ócio por exemplo, parece que virou um crime, mas é muito importante para a saúde mental. Estamos nos acostumar a pensar que precisamos estar sempre ocupados acabamos por passar a nossos filhos essa ideia que não está totalmente correta. Precisamos nos ocupar com o que é importante e muitas vezes estar com nossos pensamentos é o mais importante de tudo, de preferencia em silêncio e com olhos fechados, olhando para dentro.  Nossos filhos são fascinados pelas novas tecnologias , isso é humano e natural, assim como é humano e natural andar descalço no parque sem hora para ir para casa e tomar um café com os amigos sem olhar o tempo todo para o celular como se alguma bomba fosse estourar a qualquer momento. Tiremos o pé do freio para o bem da cabecinha dos nossos filhotes.

para saber mais sobre o Cérebro de Pipoca , leia o artigo de Gilberto Dimenstein

* imagem PopconFace.com

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Direitos da Infância

banner_DI

Graças à minha formação, tenho bom conhecimento a respeito do Estatuto da Criança e do Adolescente. Na verdade, eu tenho também uma teoria de que todo mundo, independente da profissão abraçada, deveria ter noções básicas de Direito. A matéria deveria estar nos currículos escolares e reduziria em muito os problemas do cidadão. Mas, o artigo hoje não é sobre isso. Participando de um debate proposto pelo blog Desabafo de mãe, estou aqui para falar sobre como são – e se são – aplicados os direitos da criança na minha casa.

Não sei se sou uma mãe estranha ou se reagi estranhamente a educação rígida que tive. Mas tenho um escrúpulo tão grande ao lidar com meu filho que tenho medo até de errar na mão. Sei que ele tem 3 anos e preciso educá-lo , mostrar quais são as regras de convivio social e que ele não deve ultrapassá-las pois isso representar desrespeito ao outro. Sei que tenho o dever de resguardar sua integridade física e psicológica e assim, intervir sempre que ele estiver colocando a si próprio em risco. Sei que devo dar a ele meios de se desenvolver integralmente e para isso empenhar todos os esforços. Sei que ele não é meu, apenas alguém a quem devo a obrigação de criar e amar para que seja capaz de viver sua vida independente um dia. E levo isso muito a sério.

Assim, quando fui reler o ECA para redigir este texto , fiquei pensando em como meu filho tem sorte. Afinal, boa parte dos direitos garantidos pelo Estatuto são sociais, garantidos, mas não cumpridos, pelo Estado. Meu filho teve direito garantido por Lei a um pré-natal , preferencialmente com o mesmo médico. Isso está no art.8o e incisos mas, é só lá. Sabemos que grande parte das gestantes mal conseguem realizar o pré-natal regular. Encontrar o mesmo médico então é quase uma utopia. Então, sim, meu filho tem direito a saúde, mas o Estado, o verdadeiro responsável pela manutenção deste direito se exime vergonhosamente, e eu preciso pagar um plano de saúde para ter um atendimento minimamente decente.

Da mesma forma, Educação, um direito lindamente coroado pela Lei e não funciona no Brasil. Vagas em creches e pré-escolas públicas são como bilhetes premiados da loteria. A classe média (na qual se inclui minha famìlia) acaba se matando para dar uma educação melhor a seus filhos. Não deixa, é claro, de pagar a carga tributária mais elevada do mundo, cobrada em tese (que tese magnífica!) para retornar à sociedade em forma de serviços quando acaba voltando mesmo em aluguel de jatos e produção de propaganda governamental de primeira. A classe baixa não paga imposto de renda, mas paga todos os tributos imbutidos nos serviços e mercadorias, recebe um péssimo serviço educacional e sofre ao ver seu filho sem escola decente, desperdiçando seu potencial.  Meu filho tem sorte, tem escola boa e paga.

No que diz respeito única e exclusivamente a nós, os pais, e as responsabilidades impostas a nós pela Lei, meu filho continua tendo sorte. Somos amorosos e preocupados 24 horas por dia com o seu bem estar. Temos escrúpulos também no que diz respeito a formação de sua opinião, decidindo por criar um mini estado independente aqui em casa, um mini estado laico, preocupado em transmitir valores éticos importantes, deixando a questão religiosa para quando a pergunta fatal “De onde vim?” finalmente for feita. Liberdade religiosa também é direito de criança. Minhas convicções religiosas pertencem exclusivamente a mim e são fruto de meus questionamentos. Não consigo imaginar falar sobre isso como meu filho como me foi contado, uma verdade imutável que eu devo aceitar porque mamãe católica está dizendo. Prefiro deixá-lo crescer e pensar o que quiser de Deus. Meu pai era ateu e a pessoa mais íntegra de que tenho notícia.

Meu filho tem sorte, sim. Mas, só até a página 20. Criar uma criança em um país com profundas deformações éticas e diferenças sociais é uma tarefa e tanto. Explicar porque aquele menino no sinal está trabalhando enquanto ele está passeando, porque não sente fome nem frio quanto tantos são abandonados, violentados e esquecidos por todos, família, Estado, sociedade, é osso duro de roer. Dá vontade de fugir para a Suécia, usar um capacete viking e pintar a cara de azul e amarelo. Infelizmente não adianta fugir dos problemas, nos resta lutar por um lugar melhor por nossos filhos. E debater também é lutar.

Então, respondendo à pergunta do Desabafo de Mãe na blogagem coletiva que vai até 30 de junho : sim, eu sei o que significam os direitos da criança garantidos pelo ECA, luto para que a parte omitida pelo Estado seja suprida e me esforço por cumprir a parte que cabe exclusivamente a mim da melhor maneira possível . Só espero que num futuro próximo, as crianças do Brasil possam contar menos com a sorte e mais com o cumprimeto das leis.

Para ler o Estatuto da Criança e do Adolescente atualizado , clique aqui.

 

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