Mostrando postagens com marcador #publicidadeinfantil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #publicidadeinfantil. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Publicidade Infantil é ilegal e covardia - #Exemplo1 : Danoninho



No dia 04 deste mês foi publicada a Resolução 163 do Conanda, Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, órgão ligado à Secretaria Nacional de Direitos Humanos e Minorias. A Resolução considera abusiva e ilegal a prática da publicidade infantil no Brasil. A gritaria por parte de quem lucra com a publicidade dirigida às crianças é muito grande. Aliás, quem lucra deve mesmo gritar, afinal os lucros com publicidade infantil são gigantescos e com o modelo de autorregulamentação representado pelo Conar, vender para os pequenos está mais fácil do que tomar doce de criança.


Pensei em escrever detalhadamente sobre a Resolução, mas depois de participar de acompanhar alguns debates nas redes sociais, resolvi falar através de casos concretos. Um dos argumentos mais usados pelos defensores da propaganda para crianças é: " Proibir a publicidade infantil é censura!". Dos portadores deste discurso, só posso entender que estejam divididos em dois grupos: aqueles que estão ganhando dinheiro com a propaganda e aqueles que não compreendem quais os direitos estão em jogo nesta questão. Para os primeiros - os que estão enchendo o bolso com a publicidade infantil minhas únicas palavras são : você agora deveria usar sua criatividade para falar com alguém do seu tamanho, #anunciapramim. Para os demais , aqueles que não conhecem ainda as questões de direito, o caso é o seguinte:



Existe um princípio constitucional chamado Princípio da Prioridade Absoluta da Criança e do Adolescente. Este princípio está consagrado no art. 227 da Constituição Federal, que diz:


“Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão."

O que isto quer dizer? Quer dizer toda vez que o direito das crianças e adolescentes estiver sendo confrontado com qualquer outro direito, a prioridade absoluta é das crianças e adolescentes. ( aproveite e conheça a iniciativa Prioridade Absoluta do Instituto Alana) 


Foi com base neste princípio, e outras normas legais, que a resolução 163 foi publicada e no caso da publicidade infantil os direitos que se confrontam são , o direito da criança a crescer livre do assédio da publicidade enganosa contra o direito do anunciante de encantar o público infantil para que solicite seus produtos aos pais. 




Um exemplo deste confronto de direitos são as campanhas publicitárias do Danoninho. A empresa Danone promove sempre com bastante criatividade, campanhas nas quais as crianças são convidadas a participar colecionando produtos, como os MiniDinos e a nova Mini Cidade do Dino. Com essas campanhas ( fofas) a propaganda conversa com a crianças usando música infantil, atores mirins e brindes, aplicativos para celular,  tudo para vender um produto que não é iogurte e não pode ser consumido por crianças menores de 2 anos ( apesar das campanhas fofas não falarem sobre isso) . Quanto mais as crianças colecionarem e comerem, melhor. Para a empresa, é claro.

Para os defensores da publicidade infantil suprimir as campanhas publicitárias do Danoninho como estão no ar seria censura pois, os publicitários o direito de se exprimir livremente e , principalmente, os anunciantes tem o direito de falar com as crianças. 

Certo, mas é justo o Danoninho ser anunciado assim?  

De acordo com o rótulo, eis os ingredientes do produto: 


LEITE DESNATADO, XAROPE DE AÇÚCAR, PREPARADO DE MORANGO (ÁGUA, FRUTOSE, POLPA DE MORANGO, CÁLCIO, FÓSFORO, AÇÚCAR, AMIDO MODIFICADO, ZINCO, FERRO, VITAMINAS D E E, ESTABILIZANTES GOMA XANTANA, GOMA CARRAGENA E CARBOXIMETILCELULOSE, ACIDULANTES ÁCIDO TARTÁRICO E ÁCIDO CÍTRICO, AROMATIZANTE, CONSERVADOR SORBATO DE POTÁSSIO E CORANTE NATURAL CARMIM), CREME DE LEITE, CÁLCIO, CLORETO DE CÁLCIO, FERMENTO LÁCTEO, QUIMOSINA E ESTABILIZANTES GOMA GUAR, CARBOXIMETILCELULOSE, GOMA CARRAGENA E GOMA XANTANA. CONTÉM GLÚTEN. PODE CONTER TRAÇOS DE CASTANHA DE CAJU.


Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - PROTESTE, que testou o Danoninho , a conclusão é a seguinte:


"Açúcar demais, proteína de menos
Conforme apuramos em nosso teste, os petit suisse apresentam açúcar em excesso, o que é prejudicial à saúde das crianças, que acabam se acostumando ao paladar doce desde cedo. Se uma criança de 7 a 10 anos consumir um potinho, estará ingerindo 27% do limite diário máximo de açúcar de absorção rápida. Se tiver de 4 a 6 anos, 32%. Valor muito acima do ideal recomendado – no máximo, 10%."

Já o site Fechando o Ziper que também testou o produto e concede notas para os alimentos entre A e F  deu nota D- Para o Danoninho e publicou:

As crianças são o público-alvo
Possui muito açúcar (xarope de açúcar, açúcar e frutose) e aditivos para um produto que é destinado ao público infantil. Crianças menores de 2 anos não devem consumir açúcar! Portanto, cuidado ao oferecer esse tipo de produto.
Muuuitos aditivos alimentares
Apresenta estabilizantes, acidulantes, aromatizante, conservante e corante.
-  Veja o post completo em: http://fechandoziper.com/laticinio/danoninho-morango/#sthash.1JTCte2k.dpuf


Em um país que atualmente apresenta altos índices de obesidade infantil, promover a venda de alimentos com alto teor de açúcar em veículos de comunicação é, antes de tudo, uma baita covardia.

Fonte: Documentário Muito Além do Peso

Depois de dispor das informações acima creio ser difícil qualquer adulto ( que não lucre com isso) defender a publicidade infantil de produtos alimentícios como Danoninho. Mas, é claro que tudo é possível.

Aproveito e deixo uma receita de Danoninho de Nadia Cozzi do blog Coletivo Verde, para substituir ao industrializado cheio de açúcar, amido, corante e publicidade infantil. ( Link completo aqui

Queijinho Petit Suisse
  • 500g de morangos Orgânicos limpos cortados ao meio
  • 8 colheres (sopa) de açúcar Orgânico
  • 1 colher (sobremesa) de suco de limão orgânico
  • 1 e meia xícara (chá) de leite fresco bem gelado
  • a medida de 1 lata de creme de leite fresco bem gelado
  • 200g de ricota, de preferência feita em casa. Também é divertido ver o leite virar queijinho. Veja a receita nos outros posts.
Modo de fazer:
Numa panela coloque os morangos, o açúcar, o suco de limão e ferva mexendo sempre por cinco minutos. Retire do fogo e coloque no liquidificador com o leite e o creme de leite, ambos bem gelados. Vá acrescentando a ricota aos poucos, batendo até formar uma pasta lisa um pouco mais mole que o Danoninho original (ao ir para a geladeira, seu Danoninho genérico ficará com a mesma consistência do original). Deixe uns moranguinhos para enfeitar.













sexta-feira, 19 de abril de 2013

Criando filhos em tempos difíceis #consumismo



E, para a maioria, os tempos sempre foram difíceis para criar filhos. Cada época da história da humanidade teve suas pedras no caminho. As nossas pedras tem, entre outros, o formato do consumismo. A doença do consumo. Não basta comprar, é preciso comprar muito e até o que não precisamos. Não basta desejar, é preciso sentir-se mal quanto não podemos ter o objeto do desejo. E o espaço para o ser alguém legal, admirado pelas pessoas pelo que se é, está cada vez menor. 

Nós, adultos, já sabemos como funciona o jogo e a maioria de nós sabe como driblar este tipo de coisa. As crianças, contudo , não sabem. Então, para uma mãe assistir a uma propaganda que mostra que um determinado perfume como algo capaz de enlouquecer os homens não é um problema. As mães já sabem que perfumes não garantem a felicidade de ninguém e que os filmes publicitários são apenas um meio da fábrica de perfumes avisar que tem um produto bom e tentar fazer com que você não se esqueça do nome na hora em que precisar comprar um. 

Com as crianças funciona diferente. Crianças não sabem a diferença entre o filme publicitário e o programa infantil. E quanto a marca usa o personagem preferido para vender a marca , aí é covardia. Quando começa a fazer o jogo da aceitação, dizendo que a criança será melhor aceita na escola se tiver determinado produto, no meu modesto entender, já virou abuso em último grau. Crianças não precisam ser apresentadas ao jogo cruel da vida de consumismo tão cedo. Elas estão na fase do experimento da vida, do brincar, do aprendizado das relações reais e não das perversas. Quando elas estiverem bem seguras de seus papéis na sociedade e de si mesmas, aí sim estarão ( creio eu ) prontas para a guerra que é a vida lá fora. 

Infelizmente, não temos escolha. Mesmo os pequenos já estão sendo expostos ao consumismo e ainda dizem que a culpa é nossa. Resta-nos apenas conversar exaustivamente sobre o assunto. E haja criatividade! Na páscoa deste ano, resolvi que meu filho não ganharia ovos de páscoa com brinquedos e avisei à família. Criei para o Ernesto uma história sobre o Coelho da Páscoa:

A greve do coelho da páscoa

Uma vez , quando faltavam poucos dias para a páscoa, o senhor Coelho se revoltou! Acontece que todas as crianças andavam pedindo ovos de páscoa com brindes, pequenos brinquedos que vinham junto com o chocolate e eram vendidos nas lojas. 'Isso não pode ser!', falou muito bravo o senhor Coelho. 'Dia de ganhar brinquedo pode ser o aniversário, dia das crianças ou natal, no meu dia é ovo de páscoa! Assim, eu não trabalho, eu não sou Papai Noel!' E pulou para dentro de sua toca. 

Dias depois o pior aconteceu. No domingo de páscoa as crianças acordaram para procurar seus ovinhos e não havia nada nos ninhos que prepararam, nem um ovinho sequer. Milhões de crianças amanheceram chorando e os pais começaram a pensar em fazer alguma coisa. Decidiram enviar uma comissão para descobrir o que havia acontecido. Será que o senhor Coelho estava doente?

'Que nada' avisou o peludo. Eu estou muito bem, obrigado. Mas, recuso-me a entregar ovos com brindes! Isso , não!' 

A comissão de pais explicou a tristeza das crianças e depois de muita conversa, o sr. Coelho aceitou entregar os ovos que estavam prontinhos no depósito. Foi a primeira vez que a páscoa aconteceu na segunda feira e depois disso todas as crianças passaram a esperar só ovinhos como símbolo da páscoa.            Fim.


Minha história pode ter até pé quebrado, mas funcionou. Meu filho não deixou de receber um ovo de páscoa mas deixou de desejar ardentemente um ovo industrializado cheio de gordura hidrogenada acompanhado de uma quinquilharia. Sei que com o passar do tempo será ainda mais difícil argumentar . Sem o elemento fantasia que posso usar agora a luta será mais complicada. Mas tenho um palpite de que todas as conversas que estamos tendo agora de forma lúdica possa ajudar a criar um espírito crítico no meu futuro cidadão e consumidor. 


Charge de Toni D'Agostinho




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Conar veta merchandising com crianças e ainda é pouco



O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) determinou que, a partir de março, as crianças de até 12 anos não poderão participar de qualquer tipo de ação de merchandising em TV, rádio e mídia impressa. O órgão também proíbe a utilização de elementos do universo infantil ou outros artifícios publicitários com o objetivo de chamar a atenção das crianças .O Conar também sugeriu o fim do merchandising de produtos infantis em programas destinados a crianças. Essas ações ficariam restritas aos intervalos e espaços comerciais dos programas. ( fonte Andi Comunicação)

O Conar resolveu entender como não aceitável o merchandising com uso de crianças até 12 anos.  A decisão chegou tarde. Tivesse sido tomada antes, absurdos como os da novelinha Carrossel não teriam acontecido.  Não deixa de ser uma boa medida apesar de não resolver o problema do mal causado pela publicidade infantil. 

Cada vez mais, as crianças são expostas à publicidade de produtos infantis. Desde muito pequenas, quando ainda não possuem meios de compreender a diferença entre uma propaganda e um programa de televisão por exemplo, as crianças brasileiras já são obrigadas a assistir inúmeros filmes publicitários, com os mais variados apelos.

Infelizmente, apesar da medida acima, noticiada com tanta satisfação pelo Conar, o conselho não dá qualquer indício de que pretenda apoiar também o fim da publicidade dirigida a crianças. Segundo o presidente do Conar, Gilberto Leifert - e me espanta que exista quem possa concordar com ele se não for alguém que lucre com propaganda infantil - não se deve impedir a exposição de crianças à publicidade ética. Apesar de bela - estão presentes as palavras criança e ética na mesma frase - a afirmação constitui um paradoxo, uma contradição lógica. Eu explico. Aliás, eu não. Quem explica é o dicionário HOUAISS.


pu.bli.ci.da.de - atividade que torna público um produto ou serviço com intuito de persuadir as pessoas a comprá-lo. 

é.ti.ca - conjunto de preceitos sobre o qual é moralmente certo ou errado.


Pergunto: É possível que uma propaganda feita para crianças pequenas seja considerada ética? Ao ser persuadida a pedir para os pais comprarem determinado produto, a criança estará SEMPRE sendo enganada. Quando o filme publicitário mostra o boneco famoso lutando com efeitos de computador está persuadindo crianças que não sabem que o boneco não tem condições de lutar sozinho. Basta dar uma olhada rápida em qualquer canal infantil. As propagandas estão repletas de efeitos especiais que não correspondem a realidade. Existe um mecanismo de persuasão aceitável para ser usado com crianças?  Uma criança tem noção integral de como se estabelece uma relação de consumo? Tem a criança meios de avaliar a conveniência de uma compra e seu impacto no orçamento familiar por exemplo?  A resposta para cada uma das perguntas é não.

O argumento do Conar e de todos aqueles favoráveis a manutenção dos comerciais criados para convencer crianças a pedir cada vez mais e mais bens de consumo aos pais, não garante acesso dos pequenos à informação. Fosse assim, a propaganda se limitaria a informar a existência dos produtos. Fosse assim, a propaganda estaria preocupada em informar os pais, aqueles que pagam pelo produto no caixa. O que a publicidade infantil garante às crianças não é informação para consumo, é o consumo pelo consumo. O que é uma pena.














sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Muito Além do Peso deveria estar no horário nobre da TV



Foto:divulgação

Muito Além do Peso , documentário de Estela Renner, é daquelas experiências em cinema que doem. Não só por que é real, mas por que é real e acontece com crianças. Sempre ouvimos falar em obesidade infantil, seus riscos, consequências. Ninguém deseja o filho obeso, é claro, e se dependesse dos pais, única e exclusivamente, não haveriam mais de 33% de crianças obesas no Brasil. Infelizmente, não depende só dos pais. Estamos sendo, o tempo todo bombardeados com a propaganda da comida porcaria. As crianças  que foram apresentadas a refrigerantes, salgadinhos e doces já tiveram este tipo de produto incorporado à sua dieta. Tudo isso faz parte de uma ideologia de consumo que passa pela perspectiva cultural. Um suco de caixinha, com apenas 1% de fruta, tem conotação muito superior a de uma fruta no ranking do status para essas crianças. Desta maneira, comer fruta é uma coisa sem graça, coisa de pobre. Consumir porcaria industrializada, isto sim, é on.



Rever os hábitos, depois de instalada a comida porcaria, que é gostosa dado o alto índice de sal, gordura e açúcar que refastela as papilas gustativas, é muito difícil e somente 1 em cada 4 crianças obesas conseguira se tornar um adulto magro. Imagine o custo. Ver crianças reclamando na tela de não poderem correr, brincar por mais tempo e que por isso passam o tempo livre sentadas diante da tv corta o coração de qualquer mãe. Ainda mais de uma que tem um filho tão saudável, que come sim suas porcarias mas muito raramente.



Uma das cenas do filme que mais chamou a atenção foi a fala de Jamie Oliver , este homem extraordinário que , nascido na Inglaterra sabe fazer comida com sabor - o que por si só já é espantoso - e ainda tenta engajar o mundo a voltar a cozinhar sua própria comida ao invés de sentar todas as noites em frente a um prato pronto. Em dado momento Oliver diz que nós mesmos, que estamos na casa dos 35/40 anos, quando éramos crianças comíamos hambúrgueres ocasiões especiais e todas essas bobagens. O que era diferente? A exceção. Para a geração de crianças de hoje, comida porcaria virou regra. E isto vai fazer com que vivam menos e em pior qualidade que nós.

gráfico apresentado no documentário

Tudo o que consegui pensar após a exibição foi que é preciso resistir a esta invasão cultural - como destaca Elisabetta Recine , do Conselho Nacional de Segurança Alimentar - em que todos se alegram ao poder comer exatamente a mesma comida em qualquer ponto do planeta. Como se não compreendessem o quão pobre culturalmente isto é. Se uma nação não pode mais degustar sua própria comida, ela está certamente se perdendo , sendo ingerida pela cultura que impõe seu estilo alimentar e pagando um preço alto por isso. Sendo que , por outra lado, poderíamos até estar comemorando. Pois se sempre quisemos ser como os norte americanos , agora estamos bem perto. Muito perto de sermos redondos e com altas taxas de colesterol e índice de diabetes como eles.




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Criança vestida de adulto




No último dia 13 participei do 6o ENEC, Encontro Nacional de Estudos de Consumo representando o Coletivo Infância Livre de Consumismo, realizado no Rio de Janeiro. Especialistas apresentaram palestras sobre o tema Vida Sustentável: práticas cotidianas e consumo e pude assistir à apresentação de um trabalho específico sobre publicidade infantil : Filha pode usar a mesma roupa que a mãe? Um estudo preliminar sobre a adultização da moda infantil* A pesquisa usou dois casos de grande repercussão como base para os estudos. O primeiro foi este outdoor usado pela grife Lilica Ripilica em 2008 para marcar o lançamento de uma coleção. A campanha intitulada Use e se lambuze evitou o uso de símbolos do universo  infantil para apresentar inúmeros elementos eróticos na foto de uma criança. 



Segundo a pesquisa os entrevistados sem exceção - adultos com filhos e sem filhos na mesma proporção - repudiaram a imagem . Como não poderia deixar de ser. A campanha foi retirada após ações do Ministério Público movidas após denúncias de pessoas indignadas com o outdoor.


O segundo caso foi o da venda de sutiãs com enchimento para meninas a partir de 6 anos nas Lojas Pernambucanas , relembre aqui na matéria da Folha de S. Paulo. Segundo as pesquisadoras, somente uma das entrevistadas, uma mãe de menina aprovou a campanha por considerar que ajudava a aumetar a auto estima das crianças. 


Como o estudo é preliminar, não foi apresentada uma conclusão para este fenômeno de adultização da moda para crianças. Eu, apenas uma mãe como todas as outras, que lê um pouco sobre o assunto, tenho minha modesta opinião. Há muito tempo a propaganda vem deixando de apresentar as crianças como crianças. Cada vez mais vemos filmes e fotos publicitárias que retratam crianças como adultos, com caras e poses que crianças não fazem. A intenção, claramente para esta que vos escreve, é a de acelerar ao máximo  a adolescência uma vez que nesta faixa etária estão consumidores em potencial, que demandam uma diversidade de produtos ainda maior que as crianças. O movimento da adultização a meu ver é imposto por alguns setores da  indústria e não pela sociedade.

A infância é a melhor fase da vida e a mais importante, de onde tiramos nossas melhores lembranças , onde vivemos nossos melhores momentos. Por que antecipar algo que virá a seu tempo? Só para vender mais? 

A coisa é tão gritante que até os solteiros , como diz a pesquisa, se incomodam com a abordagem da propaganda. Já leram este artigo É isso que estão querendo fazer as crianças vestirem hoje em dia? no Papo de Homem? Vale a pena. E você , o que pensa em relação a isso? 


* Trabalho de Renata Armelin Ferreira Barros, Tânia Maria Almeida de O. Gouveia ( UBAPE/FGV) Denise Franca Barros ( UNIGRANRIO) 

terça-feira, 31 de julho de 2012

Sou apenas uma mãe e é incrível onde isto pode me levar




Diante do atual estado de coisas é muito difícil pensar diferente. Como é possível mudar o mundo? Pra melhor, quero dizer. Para pior não estão precisando de ajuda. Descobri recentemente que são dois - até onde me foi revelado - os momentos em que nos brilham os olhos de paixão pela vida. O primeiro momento é na juventude, quando tudo nos é possível - pelo menos é assim que sentimos - e lutamos, levantamos bandeiras que , certas ou não, são as nossas . As decepções sempre chegam e também algumas vitórias. Aprendemos . Crescemos. Seguimos. Quem nunca? 

O tempo passa e chega o segundo momento, que é o dos filhos. Por eles - e nem é mérito nosso, mas da biologia, fazemos tudo e um pouco mais. Pelos filhos nascemos de novo , queremos o melhor de nós e do mundo. Pelos filhos pensamos profundamente sobre coisas que até então nos passavam despercebidas. Como um elefante vestido de bailarina e andando de patinete, essas coisas absurdas não nos eram importantes. Mas, agora são.

Foi assim que eu entrei de cabeça no Movimento Infância Livre de Consumismo. Sou alguém que se espantou com a visão do elefante que rodopiava por aí há um tempão sem que eu desse por conta  dele. Entrei no movimento pelo meu filho, prestes a ser afogado sob toda essa publicidade abusiva direcionada às crianças. Estou tentando tirar meu filho da água. Pois, por mais que uma família tenha informação e fôlego para lutar contra os efeitos da propaganda abusiva direcionada para crianças, ela está sempre em desvantagem


E foi num impulso de mãe que comecei a trabalhar como voluntária, dando um tempinho por dia à causa e encontrando outros que pensam como eu . Nesses meses de trabalho senti que, ao contrário do que eu disse nas primeiras linhas deste texto, às vezes a gente sente o mundo prestes a mexer um pouquinho para melhor. Antes do Infância Livre, os pais não eram sequer ouvidos quando se tratava de publicidade infantil. Agora somos convidados a falar o que pensamos. Enquanto puxo meu filho pelo braço para não se afogar e luto contra a corrente, consigo colocar a cabeça para fora e gritar. 



Dia 09 de agosto, na Câmara dos Deputados  a  Comissão de Direitos Humanos e Minorias vai discutir como a legislação brasileira pode proteger as crianças do consumismo. Será o 1o Seminário Infância Livre de Consumismo. E esta blogueira estará presente. Engraçado, como cidadã,  eu nunca fui ouvida, mas não é que como mãe sinto que posso mais. Sim, é certo que não posso tudo  e que a caminhada é árdua. Só que agora descobri que é possível lutar. 

Saiba mais





segunda-feira, 2 de julho de 2012

#desocupaCONAR


 Carta Aberta ao Conar
Duas recentes medidas do Conar, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária,  referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.
A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.
Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos – se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.
Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.
O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.

Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.
Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.
(Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse: http://www.infancialivredeconsumismo.com.br)
............................................................................................................................................................
A publicação desta Carta Aberta do Movimento Infância Livre de Consumismo é parte da blogagem coletiva #desocupaCONAR. Compartilhe . Se você tem um blog e apoia a causa do movimento e deseja participar, basta reproduzir  o texto acima no dia de hoje, 02 de julho .  Muito obrigada
Web Analytics ▲ Topo