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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A era dos aquários



"Mãe , não olhe agora mas tem uma menina pequenininha na outra mesa com um tablet do tamanho de uma televisão" 

"Onde?"

"Ali, atrás da mesa onde dois bebês estão brincando nos celulares dos pais"

Meu filho tem agora sete anos. Ele é uma criança de sua geração. Sim, isto significa que ele domina perfeitamente, gadgets os mais variados. Meu filho tem agora sete anos. Ele é uma criança. Sim, isto significa que ele corre, brinca e pula sem parar. 

Quando saímos para locais públicos não levamos eletrônicos. Não há proibição, apenas o consenso de que os aparelhos tem custo alto, podem ser perdidos ou quebrar com facilidade e simplesmente não vale a pena. Quando saímos a ideia é passar um tempo juntos vendo coisas diferentes. Deixamos os jogos para quando não há nada melhor a fazer. Em nossas saídas onde possa ter algum tempo de espera,  suas distrações são livros, gibis e conversas com as pessoas que o acompanham. Ele adora conversar e trocar ideias. Como dito no início do texto, ele adora a tecnologia atual. Acaba de ganhar um ipad da avó - o ipad é usado, a avó não se adaptou. A avó é uma criança de outra geração - e está muito satisfeito em poder jogar seus joguinhos. Meu ponto de argumentação aqui é que a criança de hoje gosta e compreende aparelhos eletrônicos ultramodernos tanto quanto eu fazia com minha pequena vitrola no passado. Eu gostava muito de ouvir meus disquinhos e ganhei minha vitrola para não acabar com a agulha da vitrolona do papai. Por outro lado, a vitrola era somente um meio quando o fim era ouvir as histórias em disco vinil compacto. 

No caso dos tablets e smartphones, eles também são apenas um meio.  Para os pequenos o fim é utilizar os jogos, brincar. Defensores ferrenhos dos eletrônicos dizem que são educativos e que até o presidente Barack Obama tem incentivado crianças a usá-los mais e mais, por meio do aprendizado da programação. Bem, uma coisa é uma coisa, outra coisa é diferente. Que de meros usuários caminhamos para um futuro onde todos precisarão conhecer alguma coisa de programação, isto parece bem claro. Existem coisas contudo, na educação de uma criança, que independem do uso de computadores, celulares e tablets. Filosofia é uma delas. Não é preciso mais que um cérebro humano para desenvolver e resolver um questionamento filosófico. Aliás todas as áreas da ciência e do pensamento foram desenvolvidas sem computadores até pouco mais de duas décadas. Quando o computador pessoal apple apareceu, em 1977, o mundo já existia e as pessoas já pensavam. A nova tecnologia é, pois, de meio. A maior máquina permanece dentro de nossas caixas cranianas. 


Por este motivo quando me dizem que se usar mais computadores meu filho será mais inteligente, criativo ou com capacidade de liderança, fico penso na criança que foram Leonardo Da Vinci, Santos Dumont, Albert Einstein. Imagino a Nona Sinfonia necessitando do Encore para ser composta, e Don Quixote saindo de um editor de texto. Imagino Alexandre, o grande, sendo educado por aplicativos desenvolvidos por Aristóteles. Não confunda meu pensamento com saudosismo. Estou aqui valorizando células cinzentas, a leitura, o pensamento filosófico e a compreensão da matemática como explicação de nosso mundo. Gadgets são apensas instrumentos, nossos filhos já nascem inteligentes, criativos e dotados de diversas capacidades. A paralisia causada pelos aparelhos eletrônicos nega às crianças outras experiências. A primeira delas é a experiência do olhar. Olhar, simplesmente olhar as coisas. Crianças hipnotizadas por telas numa saída com os pais não olham pela janela do carro, não olham o mundo ao redor e precisam passar no farmácia depois para comprar um colírio que lhes umidifique os olhos. São como pequenos e lindos peixes ornamentais em aquários, olhando a realidade de fora distorcida pela parede de vidro ao seu redor.  No restaurante, ficam quietinhas e todos em volta agradecem enquanto comem sossegados sem o som da infância. Sim eu sou uma criança de outra geração, eu sei o que é uma vitrola. 

Meu filho continuará usando aparelhos de seu tempo para o resto da vida. Do mesmo jeito que Cervantes usou a pena e não a parede de pedra de sua caverna. Mas sua massa encefálica, sua inspiração, seu eventual gosto para ciência e discussão sobre o mundo deverão ser os fatores a fazer a diferença entre ele e um robô. Assim espero. 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Dever de casa é importante?


Esta que vos escreve possui uma resposta pessoal e está querendo mesmo é saber a sua. Nunca tive problemas com dever de casa em toda a minha vida escolar. Nunca achei chato, nem complicado demais. E nem estudei em uma escola moderna, era tradicional mesmo. Talvez - é possível - eu tenha sido uma aluna enquadrada no modelo. Talvez - igualmente possível - eu tenha apenas tido sorte.  Agora, com filho terminando a fase pré escolar, e com tarefa de casa três vezes por semana temos nos dado muito bem. O dever do meu filho não é um peso, só uma folha  que normalmente é resolvida em poucos minutos e reproduz as discussões e experimentos feitos em sala de aula. É isto que toda tarefa enviada para casa deve procurar - mudando o que deve ser mudado por conta da complexidade do que é estudado e a idade do aluno, e só. 

Estou falando sobre isto depois de ler o artigo O fim do dever de casa? , publicado em 16 de julho último, cujo texto reproduzo logo abaixo para esmiuçar cada ponto. Começa assim: 

"O presidente da França, François Hollande, disse, ano passado, que pretende proibir as escolas de passarem dever de casa para seus alunos. Entre outros motivos, que fazem parte de uma grande reformulação do sistema educacional francês,  ele afirma que é “injusto” que algumas crianças tenham ajuda dos pais nessa hora, enquanto outras crianças não."
Injusto mesmo. Alguns pais perdem horas estudando com os filhos e ajudando no dever de casa por princípio. Outros não o fazem, seja por princípio, seja porque não tem tempo. O mundo é mesmo injusto e neste caso é injusto com as crianças que recebem ajuda. Por que pais ajudam os filhos com o dever de casa que deveria ser feito pelas crianças como forma de complementar discussões e descobertas feitas em sala de aula? Será que os filhos que estão recebendo ajuda estão mesmo sendo ajudados? No mundo real, o mundo do trabalho, onde invariavelmente temos tarefas para concluir em casa, como será  o futuro daqueles que sempre tiveram nos pais uma muleta? Não estou falando de orientação, ajuda com a organização das tarefas, estou falando dos pais que buscam respostas no google e as ditam para cópia simples dos filhos, estou falando dos pais que tem que passar a estudar uma matéria que não dominam para "ensinar" aos filhos algo que já pagam com impostos e/ou mensalidades à Escola para fazer. François Hollande não deixa de ter razão, isto é injusto.

"Na Inglaterra, o colégio Jane Austen, em Norwich, decidiu que seus 1.100 alunos não levariam mais dever para fazer em casa, pois as crianças precisam de mais tempo livre para brincar e ficar com a família. Em compensação, o tempo de permanência na escola será estendido."

Crianças precisam de tempo livre para brincar e por isso a escola retira o dever de casa e aumenta o tempo na escola. Legal, trocou seis por meia dúzia. Parece que os ingleses concluíram que é preciso rever os conceitos debatidos em algum momento que não deve acontecer em casa mas na escola. Se a tarefa priva a criança de um momento importante de lazer, existe mesmo algo errado. 

"Nos Estados Unidos, algumas escolas estão diminuindo o volume de dever escolar e estipulando um tempo aceitável para as crianças gastarem nas tarefas feitas em casa. Esses educadores americanos acreditam que as crianças estão ficando estressadas e frustradas por passarem tanto tempo na escola e depois precisarem estudar mais ainda quando chegam em casa."

Este parágrafo parece dar um retrato mais nítido do que acontece também no Brasil. Excesso de tarefas enviadas para casa, boa parte das vezes com conteúdo desconhecido pelo aluno. Com a única utilidade de  criar alunos ( e pais) com pavor da escola. 

O artigo finaliza informando que a Finlândia já aboliu o dever de casa - gostaria de saber se aumentou o tempo na escola também - e aproveita para perguntar o que o leitor pensa sobre o assunto numa enquete que pode ser respondida aqui http://www.mundoovo.com.br/2013/o-fim-do-dever-de-casa/ | Mundo Ovo 

O dever de casa não precisa acabar. O dever de casa poderia até não existir. Eis uma questão realmente irrelevante. Dever de casa é só um detalhe de todo um projeto educacional que se for levado a sério e tiver como foco o aluno e suas descobertas e construção de senso crítico ao invés de um conteúdo irreal - despejado como quem atira entulho no aterro sanitário - pode ajudar a formar um ser humano completo. Se a escola do seu filho envia dever de casa sem sentido e/ou em quantidade absurda, se você percebe que o que é cobrado na tarefa não é parte de um projeto educacional, se a matéria sequer foi tratada em aula, reclame, não deixe isto acontecer. Nem sempre seu filho estará reclamando por preguiça. A escola deve ser um ambiente de prazer e aprendizado , não uma cadeia onde se cumpre regime de trabalhos forçados. 


* imagem - Revista Crescer





quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quem faz o dever de casa das crianças?



Dever de casa nem sempre é tarefa muito simples. Tenho ouvido algumas mães dizendo que passam muito tempo ajudando as crianças a resolverem a lição, pesquisando junto, botando mesmo a mão na massa nas tarefas escolares dos filhos. Eu estranho - e este artigo não pretende dizer a ninguém o que fazer em casa, só contar minha experiência - pois em toda a minha vida escolar, minha mãe - professora - nunca sentou comigo para ensinar, ajudar a procurar ou realizar qualquer tarefa pedida pela escola. Anos depois eu mesma ganhei meu diploma de professora, mas a ideia de que tarefa escolar é atribuição exclusiva do aluno. Não adianta ajudar. 

Meu filho, na educação infantil,  iniciou com pequenas tarefas - resolvidas em 5 minutos - este ano na escola. A proposta é criar nas crianças desde cedo a rotina das tarefas de casa. Ele já tem o hábito de chegar trazer 3 vezes por semana uma pequena tarefa que reforça o trabalho que a professora vem fazendo em sala de aula. A tarefa que chega em casa já foi feita de modo semelhante em aula algumas vezes, e foi explicada pela professora em sala. Então, meu filho já chega sabendo o que fazer. Sentamos , eu leio o enunciado e ele se coloca alegre a fazer a lição. Sim, ele tem apenas 4 anos, mas não vejo motivo para que sua vida mude em relação aos deveres de casa no futuro. É claro que o bicho vai pegar mais adiante, com conteúdos diversos e cadas vez mais complexos , assim como sua capacidade de assimilar tudo. Cresce sua cabeça junto com a quantidade de trabalho a fazer, o que não dá para perder é o prazer. 


Minha ideia de dever de casa é exatamente esta que a escola do meu filho propõe. Uma atividade,  que agora é de treinamento da rotina e que logo se transformará em instrumento de reforço do conteúdo de sala de aula - quem aprende sem treinar?  mas que deve ser sempre algo que já foi exposto e exercitado na escola, pois é lá que está o professor e pai, mesmo que saiba o conteúdo , não é o professor do filho. Se algum dia eu me deparar com uma lição de casa que pede a meu filho algo que ele não sabe fazer pois não lhe foram dados os elementos para tanto na aula, eu questionarei a escola, mas não farei por ele. Fui eu quem fiz todos os meus trabalhos e assim é a vida.

Como pais devemos estimular e criar condições favoráveis para a lição de casa, como um horário certo para ela, sem distrações como televisão, num local tranquilo, em uma mesa com luz e conforto. Se for uma pesquisa podemos providenciar os elementos para que ele encontre o que está sendo pedido, mas não achar para ele. É ele quem está vivenciando a aprendizagem, fazer de conta não vale, é preciso, mesmo, viver. 

Deixo aqui a indicação de um artigo sobre lição de casa do site Educar para Crescer, que vale a pena ser lido.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A escolha da escola - o que levar em conta




Meditando - e é preciso meditar - sobre o assunto escola das crianças, resolvi listar itens que considero importantes na hora de matricular o filhote para me ajudar a escolher. Vou compartilhar com vocês e aproveito para pedir os conselhos de vocês para a escolha da escola:


1- Seu filho vai passar uma boa parte de sua vida na escola. Por isso, o projeto pedagógico e as diretrizes da instituição devem ser aceitas pela família. Por melhor que seja uma escola religiosa, ela não será adequada se sua família adotar religião diferente ou for agnóstica, por exemplo. Outro dia ouvi um caso ocorrido numa escola carioca muito conhecida  : 

 Uma mãe, indignada por seu filho ter de assistir obrigatoriamente aulas de religião em uma escola, foi até a coordenação e argumentou com o responsável: "O senhor acha justo meu filho  ser obrigado a assistir aulas da religião X quando nós, em casa, professamos a religião Y? O senhor não acha que isso poderá causar confusão no menino?" O coordenador concordou prontamente: " A senhora tem toda razão, liberdade religiosa é um direito sagrado.  E por isso recomendo que tire seu filho de nossa escola. É a melhor coisa para ele." 

Não dá para dizer que o coordenador estivesse errado em sua visão. Os pais da criança é que resolveram pensar somente nos resultados da escola no campo pedagógico na hora da escolha. Quem é seu filho, o que você deseja para ele, em que acredita? As respostas deverão levar à escola ideal.


2- Educação custa caro. Exceto por raríssimos casos de boas escolas públicas, se você quiser uma boa educação, terá de pagar. -  Um absurdo diante dos impostos que pagamos  Educação pública de qualidade para todos, já! -  Mas, atenção porque nem sempre uma escola caríssima é a melhor, existe quem pague para pertencer a um certo meio social , como um clube de elite. E , convenhamos isso não tem nada a ver com educação. 


3- Todos os envolvidos no processo educativo precisam estar integrados. Por melhor que seja a escola escolhida, a família precisa acompanhar o desenvolvimento escolar da criança. Isso não significa fazer as tarefas para ela mas, prestar atenção nos avanços e dificuldades. Pais atentos fazem toda a diferença.


4- Nem sempre uma escola com diversas atividades extra curriculares é a melhor opção. Uma boa prática é evitar concentrar todas as atividades do seu filho em uma única escola. Fazer o ballet, a capoeira, o futebol em outro local ajudará a criança a participar de diferentes turmas. Isso é excelente para seu desenvolvimento social, evita uma relação de dependência emocional com a turma da escola e, consequentemente, ajuda a proteger contra o bullying.

5- Atenção ao tamanho da lista de material. É comum as escolas disponibilizarem as listas de material na secretaria ou no site . Fuja de escolas que pedem coisas demais, que dificilmente serão utilizadas durante o ano letivo.

6- Logística conta. Vale a pena tentar matricular o filho em uma escola próxima de casa. Mesmo estudando numa maravilha de colégio, se for muito sacrificante para a criança chegar até lá , pode ser desmotivante. 

Já tratei do assunto escolha da escola ano passado no blog . Relembre:




terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre as nozes e a falta dos dentes




Como os frequentadores do blog sabem, eu gosto de livros. Gosto de ler e não acredito que o fato de ter lido e continuar lendo bastante me faça melhor que qualquer pessoa. O que aconteceu é que ler me salvou da ignorância. Tive uma educação média brasileira. Cursei uma faculdade, mas isso por aqui parece não querer dizer muita coisa, já que poucos lugares que oferecem cursos de nível superior no Brasil merecem o título Universidade. O que salvou foram os livros mesmo e a vontade de ler.

Quando fui informada sobre os números do último Censo sobre a alfabetização no Brasil, custei a me recompor. Ouvindo a análise de uma parte da mídia parece que a coisa melhorou, que estamos indo bem. É , bem estamos indo. Bem ladeira abaixo. 


Ouvir que 3,9% das crianças de 10 a 14 anos ainda não estavam alfabetizadas em 2010 parece leve de digerir. Só 3,9%.  Já saber que em números absolutos isso representa 671 mil crianças, dói no coração e nessa conta não entram os adolescente e os adultos. Dói no coração quando penso no meu filho, a quem ofereço oportunidade de letramento suficiente para ele estar desperto para ser alfabetizado aos 4 anos, todo feliz identificando e juntando suas letrinhas, ouvindo histórias, tendo acesso a livros, a contos de fada, jornais, revistas, computador, teatro e a uma mãe leitora compulsiva e escritora. Estou criando meu filho com a preocupação de fazer dele um leitor crítico de tudo o que ler e do mundo a sua volta para que ele sofra a mesma decepção com este mundo que sofro agora. Ainda que eu esteja certa de que esta não é a resposta deu vontade - uma vontade grande mesmo - de sair para o voluntariado e ajudar a matar a fome de letras de uns 3 ou 4 como as pessoas fazem ao distribuírem o sopão na madrugada. Sim, porque a nutrição completa mesmo , só quando os que nos governam pegarem o dinheiro que nos tomam para algo pensado com razão para mudar o estado de coisas.

Pensado para sair da mesmice do debate isolado da qualificação do professor, da merenda e do audiovisual, das práticas esportivas, da música, dos projetos culturais por que isso , todo mundo sabe que é preciso e relevante. Pagamos a estes governos por meio de um Contrato Social - que bem que poderia ser revisto - para gerenciar nosso dinheiro e nos dar o que precisamos e precisamos - além de tantas outras coisas que dela dependem diretamente - alfabetizar e educar para a razão todas essas crianças transformadas em  números pelo Censo do IBGE. Custariam  mais uma ou duas gerações e depois disso teríamos um futuro pela frente.

Este texto faz parte de uma reflexão que está também hoje no post Notícias do fundo do poço no  blog Fio de Ariadne.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A escolha da escola : o dilema



Quando escolhi a pré-escola do meu filho, o processo foi tão simples que eu nem acreditei. Visitei umas 4 ou 5  delas, conversei com os profissionais e pude escolher a que mais me agradou e que ainda fica na rua onde moro.  Agora, está chegando a hora de escolher a escola onde ele deverá - assim espero - estudar para o resto da vida. E a coisa complicou. Como faz? 

Não sei. Apesar de estar bem menos perdida que muitos pais que eu conheço por ter algum conhecimento técnico de educação, a situação da educação no Brasil dificulta bastante. Afinal, por aqui educação universal ainda não existe. As vagas ainda faltam e a qualidade das escolas está muito abaixo do aceitável. Boas instituições públicas são disputadas a tapa em sorteios e provas acirradas. A rede particular anima menos ainda. As escolas consideradas excelentes são caríssimas e destinadas à elite, se a classe média se apertar para colocar o filho numa dessas escolas ainda assim terá de contar com a sorte de ter o filho 'sorteado'. 

Escolher escola para o filho deveria ser algo muito natural.Numa situação ideal, você mora em um determinado bairro e , quando chega na idade escolar leva o filho para a escola mais próxima onde deverá haver uma vaga, pois tudo é planejado para atender ao cidadão. Mas esta é só uma situação ideal, na prática existem vestibulinhos, sorteios, rezas e estresse de pais.

Eu não quero isso para meu filho e ainda que acabe escolhendo uma escola que imponha esse tipo de seleção, só aceitarei se meu menino não sentir que está sendo testado. Tá , nós sabemos que o mundo é competitivo, mas essa situação é exagerada. Não tenho ainda resposta certa, mas ao menos agradeço a graça de ainda poder escolher. Neste país onde escola ainda é um lugar onde professores mal pagos ensinam crianças desmotivadas tenho condições de procurar luz no fim do túnel. Mas, tá difícil. E olhe que eu só queria uma educação libertadora para meu filho, será pedir demais?

O blog Futuro do Presente está  debatendo essa questão , recomendo os textos da Ana Claudia Bessa sempre . 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

#EstudarValeaPena – Hoje é dia do estudante

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Era uma vez um menino que gostava das mesmas coisas que todos os outros meninos costumam gostar. Soltar pipa, subir em árvore, jogar bola , andar de pé no chão. Era filho de uma família simples do interior de Minas Gerais. O pai era pedreiro, e tão conhecido na cidade que chegou até a ser delegado em uma época distante, quando ainda não havia concurso para o cargo. A mãe,  uma dona de casa que cuidava de uma hortinha da família e que era também parteira. A vida virou de cabeça pra baixo quando o pai começou a beber e perdeu quase tudo, inclusive dois filhos para a fome. Depois dos pedaços difíceis, mudaram todos de cidade e de estado, tentando também mudar de vida.  Aos 9 anos o menino da história precisou ir trabalhar. Como era mais uma boca para sustentar, acabaram lhe arrumando um trabalho onde podia comer e dormir. Iam lá só buscar o dinheiro no fim do mês. Triste, né? Olhe só que engraçado, foi aí que a sorte mudou.

É que o tal trabalho , que dava casa e comida era uma escola com internato, coisa bem comum naquele tempo. Como faxineiro, trabalhou e estudou num internato por  anos junto com outros meninos. Era possível estudar ali mesmo trabalhando. Nem todo mundo gostava dos livros e pra falar a verdade, o único que vingou nos estudos foi o menino da história que , crescido , conseguiu vaga de inspetor. Terminando o ensino médio, que no seu caso era um curso técnico de contabilidade, chegou a chefe de disciplina e como gostava muito de inglês, das aulas e das sessões de cinema, resolveu fazer a prova para obter o registro de professor – a história é antiga, lembra? – , naquele tempo as coisas eram assim. Uma vez professor de inglês, encasquetou que podia um cadinho mais e cursou direito em uma universidade federal. Nesse meio tempo, fazia poesia, lia filosofia e a biografia dos grandes homens. Quando casou e veio o primeiro filho, que na verdade era uma filha, achou que queria sonhar mais e empreendeu um negócio. O negócio deu certo, virou empresário de sucesso em pouco tempo. Por um desses acasos do destino, sofreu um acidente de carro e morreu antes de completar 40 anos. Mas, é claro,  isso é só um detalhe. A parte que realmente conta da história não é o antes nem o depois. A parte que conta é o meio.

Se meu pai não tivesse ido trabalhar naquela escola, dificilmente seria o  homem que foi. Se a vida fosse uma corrida em revesamento, eu poderia dizer que meu pai correu todo o percuso para mim e me entregou o bastão na linha de chegada. Por isso, posso dizer com segurança, que educação não só vale a pena como modifica trajetórias de vida. Sonho viver num país em que a educação liberte a todos,  que não seja preciso contar com a sorte para se educar . Estudar vale a pena, e não estou falando isso da boca p’ra fora.

* Este texto é parte da blogagem coletiva #estudarvaleapena , promovida pelo Instituto Unibanco  para saber mais clique aqui . Aproveito para fazer também minha homenagem ao pai, alguém que eu gostaria muito de abraçar no próximo domingo.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Grito de Guerra da Mãe Tigre

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Terminei de ler, no último fim de semana, o livro Grito de Guerra da Mãe Tigre, de Amy Chua, publicado no Brasil pela editora Intrínseca. Como eu já contei no artigo Mãe é tudo igual completa um ano com promoção, segundo Amy, a educação chinesa está focada na excelência a qualquer preço e palavras como felicidade, tempo livre, auto-estima e liberdade não existem no dicionário em mandarim. Especialmente quando os pais chineses são imigrantes vivendo em um novo país.

Apesar de Chua mostrar uma rotina massacrante imposta às filhas para que se tornassem excelentes em tudo e isso deixar pasmo qualquer leitor ocidental, o livro mostra também as dificuldades dessa mãe em seguir seu próprio plano de treinamento militar para crianças. Ou seja, nem mesmo as mães chinesas são tigres o tempo todo. E tem mais, nem sempre os filhos facilitam o trabalho das tigresas. Ao contrário da filha mais velha de Chua, a caçula um belo dia se rebelou contra o plano de excelência deixando a mãe na corda bamba.

Querer que os filhos sejam o que há de melhor é compreensível. Mas, o desejo da felicidade, essa palavra absurda para quem vive em cativeiro, também é possível.  A leitura do livro é recomendada, pois quando confrontados com os inúmeros testes impostos pelas crianças , podemos ter o ímpeto de sufocar demais a prole. Não dá muito certo. Os tormentos passados pela família de Amy Chua são prova disso. E ao mesmo tempo , me peguei pensando: não são só as mães chinenas que , quando descobrem que o filho é bom em determinada atividade entra em competição com o resto do mundo para que seu rebento brilhe independente do que possa pensar sobre o assunto. Lembro de um pai de aluno que uma vez disse para o filho , corredor de kart: “Segundo lugar é o primeiro perdedor”. Serviço estranho este , de pai e mãe. Precisamos treinar alguém para o pega pra capar que é a vida, mas , as vezes, somos mais infantis do que eles jamais poderiam ser.

E você, o quanto tem de mãe chinesa? É competitiva e visa a exelência a todo custo também? Não!? Participe da promoção do primeiro ano do blog . Para participar você, que possui um blog, pode escrever um artigo até  8 de maio com o tema : O quanto de mãe chinesa há em mim?  e deixar o link na seção de comentários. Agora , você que não tem um blog, não pode ou prefere não escrever o artigo, deixe sua resposta à mesma pergunta através de comentário, também até 08 de maio. As blogueiras que escreverem o artigo concorrerão ao primeiro exemplar e as comentaristas concorrerão ao segundo exemplar. Cada participante receberá um número e os livros serão sorteados através da extração da loteria federal do dia 13/05.

 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

#cartaaberta Que futuro terão nossos filhos?

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Aconteceu na última sexta feita uma blogagem coletiva que envolveu grande parte da #blogosferamaterna e #blogosferapaterna. Como eu estava fora da cidade, escrevo hoje sobre um assunto que é de ontem, de hoje e, certamente, de amanhã. Depois do ataque a uma escola pública no bairro de Realengo, Rio de Janeiro, no último dia 07, que deixou a todos pesarosos, sem palavras, com palavras demais que valessem a pena ser ditas, confusos, tristes, de luto, revoltados e/ou, principalmente, assustados, um grupo de mães pensantes enviou uma carta aberta a seus grupos de amigos visando um debate de valores profundos. Quando recebi a carta, respirei fundo. Afinal, como o leitor poderá concluir, trata-se de um assunto árido, difícil de digerir: os tempos difíceis em que vivemos e a crise de valores que parece não cessar. Apesar existirem alguns pontos da carta que eu poderia, se não discordar, ao menos , ponderar de modo contrário, a atitude do seu envio por si só é motivo de aplauso.

Estamos nos acostumando a termos nossas retinas e ouvidos torturados com imagens e notícias absurdas no que diz respeito ao trato com a infância. E sem reclamar. São produtos que nossos filhos precisam consumir sob o risco de serem considerados out, são alimentos repletos de substâncias nocivas e atraentes que precisamos comprar para eles para ganharmos tempo, são abusos cometidos contra inocentes sem que haja punição adequada dos culpados, são tantas coisas… As signatárias da carta aberta resolveram reclamar agora e eu também vou reclamar com elas.

Precisamos debater exasutivamente todos os assuntos que digam respeito a nossas crianças e dar-lhes todo o tempo que nos seja possível dar, precisamos acolher nossas crianças pois este é o nosso dever. Não importa se elas não nasceram  de parto natural , se não foram amamentadas no peito , se os pais precisam trabalhar 40 horas por semana para garantir-lhes um futuro melhor e uma boa educação, se elas usam fraldas descartáveis, se não comem os alimentos chamados agora orgânicos. Apesar de tudo isso parecer o politicamente incorreto, se houver amor e entrega na relação pai e filho, se houver comprometimento e atenção, teremos uma chance. O assunto, é claro , não termina por aqui. LEIA ABAIXO A carta aberta:

Que futuro terão nossos filhos?

Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convoca-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.

A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?

Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças! Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.

Se desejamos alcançar uma paz real no mundo,

temos de começar pelas crianças. Gandhi

O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?

Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?

O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.

O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?

Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!

Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.

Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.

Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!

Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.

Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é? Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor! Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.

Ana Cláudia Bessa www.futurodopresente.com.br

Cristiane Iannacconi www.ciclicca.blogspot.com

Letícia Dawahri

Luciana Ivanike www.lucianaivanike.blogspot.com

Monique Futscher www.mimirabolantes.blogspot.com

Renata Matteoni www.rematteoni.wordpress.com

* para saber mais acesse: Futuro do Presente

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mãe é tudo igual completa um ano com promoção


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Em 03 de maio próximo, este humilde bloguinho completa um ano de idade. Estou muito feliz com o acontecimento pois apesar de não ter estatísticas, como blogueira experiente, sei que boa parte dos blogs não passa dos primeiros seis meses. Já discuti vários temas relevantes para mim aqui e ainda tenho muito mais o que falar. Acredito que este blog me ajuda a ser uma mãe melhor na medida em que possuo um canal para debater os problemas que observo, vivencio e busco resposta. Aqui conheci pessoas interessantes que vivem realidade semelhante á minha ou , pelo contrário, vidas completamentes diferentes. O blog cresceu e eu cresci. Espero continuar por mais um tempo por aqui.

Quando engravidei achei que seria uma mãe perfeita, como eu disse no artigo Mães de Sucesso, publicado outro dia. Seria completamente diferente da minha mãe, que muitas vezes me parecia um sargento disfarçado de mamãe, outras vezes uma bruxa e, outras tantas minha amiga. Tive uma educação muito rígida, com muitas cobranças de rendimento escolar e comportamento. Como eu não tinha dificuldades na escola e sempre fiz o tipo paradona, perdida dentro da minha cabeça e preferindo os livros a aglomerações, fui poupada de embates piores com minha mãe. Mas lembro que uma vez, minha irmã caçula, ainda criança perguntou: “Mãe, você não sabe dizer sim, só fala não?” Minha mãe teve seus motivos, ficou viúva cedo com as filhas por criar, não podia deixar o angú desandar. Acontece que eu sonhava uma coisa diferente.

Depois do nascimento do meu filho, descobri que a tal coisa diferente não seria tão fácil assim. Todos os dias sou testada na minha performance de mãe que gostaria de ser perfeita, aquela mãe distante da minha, o sargento. Por isso quando fiquei sabendo do lançamento do livro O grito de guerra da mãe tigre da professora universitária Amy Chua, que fez bastante barulho nos EUA e Grã-Bretanha. A polêmica , se você ainda não ouviu falar do livro, reside no fato de Chua narrar sua experiência em educar suas filhas através do método chinês de cobrança de excelência permanente vivendo na América. E detalhe: seu marido é judeu americano. A chamada de capa do livro parecia retratar minha mãe. Afinal, para ser uma mãe chinesa, você precisa pensar que:


1- os deveres escolares são sempre prioritários;
2- um A-menos é uma nota ruim;
3- seus filhos devem estar dois anos à frente dos colegas de turma em matemática;
4-os filhos jamais devem ser elogiados em público;
5- se seu filho algum dia discordar de um professor ou treinador, sempre tome partido do professor ou do treinador;
6- as únicas atividades que seus filhos deveriam ter permissão de praticar são aquelas em que pudessem ganhar uma medalha;
7- essa medalha deve ser de ouro.



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Amy e suas filhas, as "sobreviventes" Sophia e Lulu.


É verdade que minha mãe não era exatamente assim. Mas, chegou perto, bem perto.Ela própria se reconheceu ao ver uma reportagem sobre Amy Chua  e me telefonou contando. Mães chinesas podem, como diz a autora,   nascer em toda parte. Eu, que já li metade do livro, afianço que vale a leitura. Não para nos transformar em mães chinesas, mas para avaliarmos o quanto temos sido permissivas ou, ao contrário, exigentes e competitivas demais. E ainda é possível perguntar, quem será mais infeliz o chinês educado pela mãe tigre ou o ocidental criado pela mãe que precisa acompanhar as dicas da supernanny? E ainda dá pra refletir, é possível encontrar o caminho do meio, como ensina o TAO, o equilibrio na criação de nossos filhos neste louco mundo líquido de hoje?



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Por conta disso tudo, aviso que em parceria com a Editora Intrínseca, o blog vai presentear com dois exemplares do livro Grito de Guerra da Mãe Tigre à
as leitoras do Mãe é tudo igual. Para participar você, que possui um blog, pode escrever um artigo até  8 de maio com o tema : O quanto de mãe chinesa há em mim?  e deixar o link na seção de comentários. Agora , você que não tem um blog, não pode ou prefere não escrever o artigo, deixe sua resposta à mesma pergunta através de comentário, também até 08 de maio. As blogueiras que escreverem o artigo concorrerão ao primeiro exemplar e as comentaristas concorrerão ao segundo exemplar. Cada participante receberá um número e os livros serão sorteados através da extração da loteria federal do dia 13/05. Agradeço desde já quem queira ajudar na divulgação.


Update - Quem já publicou :


Livro Aberto da Elô

Peculiarizar

Arma NÃO é brinquedo

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Estamos na semana do desarmamento infantil promovida pelo Instituto Sou da Paz em São Paulo. E o debate é nacional. Arma não é brinquedo e ainda que esteja nas mãos inocentes de crianças constitui um perigo. Ao entrar no universo lúdico infantil, a arma leva consigo todo um significado de violência que não desejamos que esteja presente na educação de nossos filhos e  pode acabar confundindo o pequeno que a carrega nas mãos. Afinal, apontar uma arma para o colega e puxar o gatilho plástico é brincar de que? De tirar a vida.

Vivemos tempos difíceis, em que as imagens da violência são propagadas a todo instante e , ainda que estejamos atentos somos pegos de surpresa. Há quase uma semana, quando um louco invandiu uma escola em Realengo, Rio de Janeiro, portando armas, uma delas comprada por R$266,00, a televisão não teve qualquer pudor em mostrar cenas de desespero  e violência ao vivo antes das 10 horas da manhã, quando as crianças estão em casa assistindo tv. Por isso eu tenho convicção de que todo cuidado é pouco.

Lembro que meu fillho ganhou uma espada de plástico como lembrança em uma festinha no ano passado e na hora fiquei sem saber o que fazer, parada com aquela coisa nas mãos. Era apenas uma espadinha do Peter Pan, o personagem  da nossa infância.  Meu filho , que adora música, me tirou a espadinha imediatamente e falou : “ Mãe, olhe, ganhei uma tuba!”. Não precisei esconder a espada , ele a toca como tuba até hoje.

Sei que logo logo ele reconhecerá sua tuba como uma espada, mas acho que não preciso explicar isso a ele agora, aos 3 anos de idade. O que eu preciso é preservar , por enquanto seu universo tal como deve ser: infantil. Não pense que ele não brinca de polícia e ladrão com os primos nas reuniões de família. Não tenho como evitar que o menorzinho da turma fique fascinado com o bangue-bangue e o pow pow seguido de correria. Apesar da ausência de brinquedos, polícia e ladrão continuará sendo uma brincadeira, mas não precisa servir de treinamento.

Este post faz parte da blogagem coletiva Arma NÃO é brinquedo. Saiba mais visitando o site do Instituto Sou da Paz

quarta-feira, 23 de março de 2011

Por Uma Infância sem Racismo

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Racismo é uma palavra cujo significado eu gostaria que meu filho não precisasse conhecer. Mas, um dia , quando estiver mais longe  dos seus 3 aninhos, ele precisará lidar com isso, como eu precisei.

Meu pai era o que pode ser chamado mulato. Eu tenho dificuldade em definir a cor do meu pai porque no Brasil temos tantas raças diferentes miscigenadas , que o brasileiro acaba saindo como uma cara que pode ser de qualquer raça. Desde pequena eu procurei tentar descobrir minha raça; já que estudava em uma escola de classe média com maioria branca e meu cabelo cacheado era muito diferente. Não lembro de ter sido discriminada por causa disso, mas que era diferente, isso era. E isso porque meu pai , que era filho de um mulato brasileiro com uma cabocla de olhos verdes ( minha avó era filha de um espanhol com uma índia “caçada no mato – gente meu bisavô um dia saiu de casa e decidiu caçar uma índia pra casar , pode um troço desses? E ainda diz a lenda que eles foram muito felizes) Então meu pai saiu o que alguns chamam mulato claro ou moreno e essa é metade da história.

Minha mãe é branca. Cem por cento branca, seja lá o que isso signifique. É neta de portugueses e italianos e resolveu casar com o meu pai, até que um dia ele resolveu casar com ela também e eu nasci. Nasci eu, metade miscigenação nos moldes do descobrimento e colonização, metade miscigenação nos moldes da imigração. E o que eu sou ?  Mulata a 50% e é por isso que eu fico bronzeada com 5 minutos de sol e vivo lutando contra o cabelo cacheado ? Branca a 50% e é por isso que a pele não é escura? Mas e a cara de turca? Veio com o avô italiano de presente. Mulata com cara de italiana é o que faltava. É por isso que quando eu era criança ficava difícil me definir numa raça. É difícil até hoje. Felizmente sou todas as raças, ou a maioria delas, já que não apareceu nenhum judeu ou japonês na árvore genealógica lá de casa. Partindo daí fica até ridículo colocar racismo no meu dicionário. Mas, racismo existe, por mais ridículo que seja.

Lembro perfeitamente do dia em que eu sai na rua com uma tia, tão mulata quanto eu, mas sei lá, digamos que com a pele num tom acima , que é casada com o irmão do meu pai. Na manhã seguinte na escola , uma colega disse ter me visto na rua passeando com a empregada. Depois dos meus protestos veementes e do seus pedido de desculpas eu aprendi o que era racismo e conclui que para alguns realmente existem classes de pessoas de acordo com a cor da pele e que um negro é sempre necessariamente empregado subalterno. 


Um livro que li há alguns anos e me fez encontrar minha identidade racial foi O Povo Brasileiro de Darcy Ribeiro , ali ele diz:

Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles negros e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da maldade destilada e instilada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria."
"A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista."
Minha esperança de mãe no trabalho com educação de meu filho hoje é que ele possa, ao ser confrontado com esta realidade tacanha, continuar o mesmo menino autenticamente brasileiro que hoje brinca com seus amigos de todas as cores . Espero que ele possa ser capaz de distinguir as pessoas pelo que realmente importa , algo que não tem nenhuma relação com a raça e que é chamado caráter.

Este texto é parte da blogagem coletiva proposta pelo blog Desabafo de Mãe

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A Melhor Escola Para o Seu Filho

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Escolher a escola do pequeno é uma tafera difícil para a classe média e um sonho para as classes baixas. Enquanto pereguinamos de escola em escola buscando aquela que nos dará a melhor contraprestação mediante uma polpuda mensalidade, a maioria dos pais brasileiros inscreve o filho numa lista e começa a rezar para o herdeiro não cair num lugar muito, muito ruim. Tudo o que queremos, todos, é ver nossos filhos crescerem educados e preparados para a idade adulta, para o emprego, para a vida.

Ah, graças a Deus, o nosso está numa boa escola. Nós temos muita sorte” pode ser o pensamento imediato. É até compreensível, mas não dá mais para pensar assim. Se temos filhos, queremos deixar um mundo melho para eles. Como então será possível construir uma sociedade mais justa se nossos semelhantes não tem direito ao básico, ao mínimo, à Educação. Não estou falando de escolaridade. Colocar os filhos na escola é direito básico, mas este direito não se resume a 4 horas dentro de um prédio com adultos despreparados , uma ou duas refeições e acesso á internet. Educação de qualidade para todos, de preferência para ontem, é o que devemos cobrar das autoridades e refletir na hora de assinar a procuração para 4 ou 8 anos de mandato.

Melhores escolas já. Com professores motivados e capacitados. Capacitados e instrumentalizados. Instrumentalizados e com base filosófica bem como  de conteúdo específico. Melhor escola, já e para todos. O filho da sua manicure precisa de escola, o filho da sua empregada, também. Sem escola de qualidade nossos filhos crescerão para viver um país igual a este nosso. Reclamamos tanto dele, não é mesmo?  Educação, gente, de verdade, a libertadora, a que tira as amarras e constrói o livre pensador, é a  que precisamos. Educação. Quando esta meta for atingida, encontrar uma boa escola para nossos filhos, paga ou não, será bem mais simples. E a sensação de dever cumprido acontecerá. Gostou da discussão? Clique na imagem abaixo e conheça o Todos Pela Educação

 

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Não bata. Eduque.


O Projeto de Lei n. 2654/2003 de autoria da Deputada Federal Maria do Rosário (PT/RS) propõe a punição para castigos físicos moderados ou imoderados em crianças e adolescentes. O projeto encontra defensores e críticos ardorosos porque esbarra num tema complicado. 

Quase todas as pessoas  tem filhos e os criam, bem ou mal. Não há pré condição para ser pai e mãe, com a responsabilidade imensa de criar uma pequena e indefesa criança e ajudá-la a transformar-se num ser humano pleno, seguro e inserido na sociedade. A tarefa é árdua mas qualquer um pode assumi-la. Não é preciso nenhuma carteira especial , como a de habilitação, frequentar qualquer curso regular ou diploma. A grosso modo, basta fazer o filho que, com ajuda da natureza, ele nasce. E depois que nasce, seja o filho desejado ou não , nos impõe desafios e questiona nossas determinações. Muitas vezes não nos conformamos com a insubordinação e sobra para mais fraco.

A criança vítima de castigos físicos é um personagem tão recorrente no nosso cotidiano, que em algum momento a sociedade resolveu que o Estado precisa parar os pais que agridem antes que uma nova geração de espancados cresça e continue passando o mal adiante. A quem pense que é absurdo um pai ser levado a refletir, através de apoio psicológico, sobre o abuso que é a violência contra crianças, fica a ponderação: Quando um adulto agride moderada ou imoderadamente um outro adulto o assunto pode acabar na polícia, não pode? Então por que as crianção não podem também ter direito à tutela do Estado no que diz respeito a sua integridade física e moral? Por que ele é "meu filho e tem que me obedecer" não vale como resposta.

No site Não bata. Eduque. é possível encontrar outras pessoas e instituições preocupadas com este estado de coisas, informar-se sobre o assunto , fazer parte da rede e ajudar a enriquecer o debate. Educar é mesmo muito, muito difícil e muitas vezes somos adultos assustados diante da possibilidade de termos filhos mal educados ou problemáticos. Outras tantas vezes somos apenas pessoas frustradas em nossas vidas pessoais e precisamos despejar a ira sobre alguém que seja mais fraco e tenha que "obedecer". É estranho imaginar que nossos filhos possam precisar de proteção contra nós mesmos. Mas acontece.

* imagem divulgação

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