Esperar. Verbo mal quisto. Ninguém gosta de esperar. Na fila do banco, todos com cara de enterro. No supermercado a orelha da moça do caixa queima invariavelmente. Mesmo quem perde horas escolhendo a melhor laranja se aborrece ao ter que esperar 10 minutos para pagar. Esperar pelo resultado de uma prova , pela namorada que sempre atrasa, pelo cliente que não chega, pelo médico que nunca atende na hora. Esperar é o fim. Mas, nem sempre, existem aquelas vezes em que esperar é só o começo e nem por é isso menos complicado.
O tempo da espera do filho é longo demais para quem o leva no bucho. A que carrega é que sabe. Os outros quando encontram aquela com a barriga – e um punhado de sonhos – normalmente comentam como passa rápido a gravidez. Afinal, foi “ outro dia” que se encontraram sem barriga presente. Acontece que para quem espera, outro dia foi no século passado. O tempo se arrasta, apesar de curto para tantos preparativos. O tempo não pára e não passa.
A espera do filho é uma espera composta. Uma espera com pança, esperança. Espera-se, além do filho, que ele venha com saúde e feliz, que seja tranquilo e durma bem, um bom menino, com apetite e bom humor e dentes fortes. Espera-se de tudo e começa bem cedo o esperar. Antes mesmo de encomendar. Muitas vezes quem espera já escolhe o nome do filho por volta dos 12 anos, junto com o primeiro namorado da escola. Quando o filho nasce, décadas depois, ganha o nome sonhado. Do namorado ninguém mais lembra.
Assim como a natureza, resolvi deixar a pior parte para o final. Quando a esper(p)ança está maior que nunca é que a espera fica insuportável. Não há mais espaço na barriga e uns pés enormes resolvem descansar embaixo das costelas do ser que pacientemente esperou por mais de trinta semanas. A partir daquele momento, o final, não basta mais apenas esperar, é preciso esperar insone, não há mais posição para dormir e sonhar com o filho querido. Melhor esperar acordada, a chegada não marca hora e para fazer força aquela que espera tem que estar desperta.
Quando é decretado o fim de tudo e o começo de uma coisa nova, original e maravilhosa chamada vida, a espera , não sem lutar bravamente, resolve entregar os pontos e um novo ser aos braços da mãe, outra que nasce junto com o filho. Chega de espera. Mamadas a cada 3 horas.
Este texto é parte da blogagem coletiva promovida pelo blog Enquanto Esperamos ( parabéns, Carol)
* imagem - Mãe e filho ( detalhe da tela As três idades da mulher ) Gustav Klimt, 1905
Na cara dura roubei a imagem e postei no Gestando Sonhos, e sobre o texto: perfeito, real e muito gostoso de se ler, parabéns prá Carol e beijos de bom domingo prá você!
ResponderExcluirTexto muito verdadeiro e bonito. Parabéns!!!!
ResponderExcluirEsperar realmente não é fácil, imagino como deve ser em relação à gravidez, mas só imagino mesmo, quem sabe um dia eu descubro de fato como é.
ResponderExcluirobrigada por passar lá no blog.
abraços
Texto muito verdadeiro e bonito. Parabéns!!!!
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